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Flamengo fará bem em emular rival europeu Liverpool nas próximas temporadas

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Considerando o “hype” em torno do time do Liverpool antes da final do Mundial de Clubes no fim do ano passado, foi de certa forma surpreendente a habilidade do Flamengo de fazer jogo duro contra os campeões europeus. Entretanto, esse recorte ignora não só o momento do Liverpool à época do jogo – que eles ainda conseguiram vencer por 1 a 0 graças a um gol de Roberto Firmino na prorrogação – como também a filosofia de jogo de Jürgen Klopp, que serve como antítese ao “futebol total” do Manchester City, comandado por Pep Guardiola.

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Hoje, Klopp e Guardiola comandam os times que fazem os duelos mais interessantes da Premier League, e enquanto Guardiola começou o embate com larga vantagem, incluindo uma vitória por 5 a 0 sobre o Liverpool durante a temporada 2017-18, Klopp logo virou o jogo em favor do Liverpool por meio de táticas que servem para anular e/ou reduzir a efetividade do plano de jogo de Guardiola.

O núcleo desse plano de jogo de Klopp é a “contrapressão”, funcionando como forma de obter de volta a bola quão logo o adversário a recupere, com o intuito de desestabilizá-lo. Mesmo que a posse de bola não seja recuperada pelo time de Klopp, tal tática já funciona para interromper uma potencial movimentação ofensiva que poderia trazer perigo à defesa.

Tal tática funciona muito bem contra times que gostam da posse de bola – caso de boa parte dos grandes times europeus e até mesmo de alguns outros de tamanho mediano, especialmente na Espanha. Esse deveria também ser o caso para o Flamengo, mas não o foi.

Em grande parte, isso vem por mérito de Jorge Jesus, que soube explorar, principalmente com Bruno Henrique e Filipe Luís, as fraquezas que o Liverpool demonstrou no seu lado direito da defesa. E talvez, se não fosse pelas chances perdidas por Gabriel Barbosa, o time poderia até ter saído campeão do Mundial.

Mas o Liverpool, uma vez que o jogo chegou aos minutos finais, resolveu que era hora de dar fim às esperanças flamenguistas. Foi aí que o time demonstrou sua superioridade não só técnica como também física, mantendo fôlego por 120 minutos de jogo enquanto o Flamengo não conseguiu manter sua intensidade por mais do que 70.

E uma vez de volta à Inglaterra, o Liverpool voltou à sua velha forma, vencendo o Leicester City por 3 a 0 na Premier League. Não é por menos que as apostas de futebol com a Betfair apontam o time do norte da Inglaterra como grande favorito ao título da liga, após mais de 30 anos sem levantar esse troféu. Já na Liga dos Campeões, de que o Liverpool foi campeão na temporada passada, eles hoje se encontram em segundo lugar na lista de potenciais vencedores, atrás do Manchester City – que presumidamente terá mais foco para o torneio europeu, uma vez que o Liverpool tem apostado boa parte de suas fichas em reconquistar a Inglaterra.

Mas isso não significa que o Liverpool não conseguirá fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. Apesar de um elenco relativamente pequeno, que força Klopp a usar seus principais jogadores de forma muito mais regular do que muitos dos seus pares, o time já se provou capaz de lutar em mais de um front na temporada passada. E nada indica que isso tenha mudado de uma temporada para outra.

Enquanto isso, no Brasil, vê-se uma situação semelhante com o Flamengo. Enquanto a janela de transferências tem sido bem “quente” no Brasil, o time tem tudo para manter boa parte dos jogadores que foram peça-chave em seus títulos no ano passado. Algo que o próprio Liverpool fez em 2019, quando o interesse por jogadores como o atacante Sadio Mané estava bem alto.

Caso o Flamengo consiga emular o Liverpool, segurando seus jogadores principais ao mesmo tempo que busca substitutos ou melhoras pontuais em posições do elenco, a temporada passada terá sido apenas o começo de uma dinastia.

(Assessoria)