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Febre amarela: 19 perguntas para entender a doença


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Por muitos anos, a febre amarela esteve concentrada somente nas regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil. Desde 2017, porém, um grande número de novos casos foi identificado nos estados da região Sudeste, onde os diagnósticos positivos para a doença — transmitida pelo Aedes aegypti — disparou.

Mas há motivo para preocupação? Para ajudar você a ficar 100% informado, separamos respostas para as 19 perguntas mais comuns sobre a febre amarela. Confira abaixo e tire suas dúvidas.

1. O que é a febre amarela?

A febre amarela é uma doença infecciosa grave transmitida por mosquitos em áreas silvestres e urbanas. Seus casos geralmente ocorrem na América Central, América do Sul e na África, e é considerada uma doença aguda e hemorrágica por causa dos sintomas manifestados.

2. Como ocorre a transmissão da febre amarela?

A febre amarela é provocada por um vírus, transmitido pela picada de mosquitos. Nas florestas e regiões rurais, o vírus é transmitido pelo mosquito Haemagogus, e nas cidades, a transmissão acontece por meio do Aedes aegypti, que também transmite a dengue, zika e a febre chikungunya.

O ciclo de transmissão da febre amarela começa por mosquitos silvestres, que se infectam quando picam primatas e passam a transmitir o vírus para seres humanos que estão de passagem por áreas rurais e florestais — também por meio da picada.

Em seguida, em centros urbanos, o Aedes aegypti pica uma pessoa já infectada pelo vírus da febre amarela silvestre, desenvolve a doença e passa a transmiti-la para outras pessoas que vivem nas cidades.

Existe, ainda, um terceiro tipo menos comum da doença, chamado de febre amarela intermediária, em que o mosquito transmissor vive tanto em áreas silvestres quanto urbanas e pode infectar tanto animais quanto pessoas. No Brasil, este tipo de febre amarela é mais raro, mas na África é o mais comum.

Atenção: a febre amarela NÃO é transmitida de pessoa para pessoa.

3. Por quanto tempo uma pessoa pode transmitir o vírus da febre amarela para o mosquito?

O período em que uma pessoa é capaz de transmitir o vírus para um vetor — no caso, mosquitos — no momento da picada é chamado de “estado de viremia”. Na febre amarela, esse período dura aproximadamente sete dias.

4. Todo mundo que for picado pelo mosquito e contrair o vírus apresenta sintomas?

Não. Inclusive, muitas pessoas que são picadas pelos mosquitos transmissores da febre amarela não manifestam qualquer tipo de sintoma. Da mesma forma, mesmo quando aparecem, também é comum os sintomas desaparecerem por conta própria dentro de 3 a 4 dias.

5. Qual o período de incubação do vírus da febre amarela no corpo?

Uma vez contraído, o vírus da febre amarela permanece em incubação dentro do organismo por cerca de 3 a 6 dias.

6. Os sintomas da febre amarela silvestre e febre amarela urbana são diferentes?

Não. As manifestações clínicas da febre amarela silvestre e da febre amarela urbana são as mesmas. A única coisa que difere uma da outra é o transmissor.

7. Quais são os sintomas mais comuns da febre amarela?

A infecção viral da febre amarela pode seguir um ciclo de pelo menos três fases: incubação, surgimento de sintomas típicos de infecções virais e, por último, aparecimento de sintomas mais graves, que podem levar a pessoa à óbito se não for tratado corretamente.

Na fase 1, os sintomas mais comuns são muito semelhantes aos de qualquer outra infecção viral: febre, dores musculares (principalmente nas costas), dor de cabeça, perda de apetite, náuseas e vômitos. A maioria dos casos permanece nesta fase e não evolui para cenários mais graves.

8. Mas a febre amarela não tem esse nome porque deixa as pessoas “amarelas”?

Sim. O amarelamento da pele se dá por causa da icterícia, que pode deixar até mesmo a região branca dos olhos com aspecto amarelado. A icterícia em si não é uma doença, e sim um sinal de que algo está errado com o fígado, vesícula biliar ou até com a medula óssea.

Este sintoma, porém, só é comum em casos mais graves da febre amarela, em que a pessoa apresenta não só a icterícia como também febre alta, urina escura, dores abdominais, vômitos e sangramentos (principalmente na boca, nariz, olhos e até mesmo no estômago).

Geralmente, estes sinais caracterizam a fase mais grave da febre amarela, em que o tratamento é difícil e nem sempre eficaz. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), metade das pessoas que chegam a esta fase da doença morrem dentro de um período de sete a dez dias.

Cuidado para não confundir! Os sintomas mais comuns da febre amarela podem ser confundidos com os da dengue — embora estes sejam um pouco mais leves. É importantíssimo consultar um médico em caso de qualquer suspeita.

Além disso, os sintomas graves da febre amarela também podem ser confundidos com outras doenças, como malária, leptospirose, hepatites virais e dengue hemorrágica.

9. Existem áreas de risco para febre amarela?

Sim. De acordo com a OMS, 47 países são endêmicos ou têm zonas de febre amarela endêmica. Destes, 34 estão na África e 13 na América Central e do Sul — entre eles, o Brasil.

Por essa razão, muitos países, principalmente da América do Norte e Europa, exigem que visitantes destes locais comprovem a vacinação contra febre amarela para entrar no país (continue lendo para saber mais sobre este assunto).

10. Algumas pessoas têm mais chances de ter febre amarela do que outras?

Sim. É o caso de:

  • Pessoas que vivem em áreas consideradas de risco;
  • Idosos acima dos 60 anos de idade;
  • Pessoas com alguma imunodeficiência, principalmente soropositivos que não recebem tratamento para reduzir a presença de HIV na corrente sanguínea.

11. Como é feito o diagnóstico de febre amarela?

A febre amarela é difícil de diagnosticar, especialmente durante a fase com sintomas mais brandos, mas exames de sangue específicos podem identificar a presença do vírus no organismo.

Quando os sintomas são mais graves, são feitos testes para identificar anticorpos na corrente sanguínea.

12. Quem pode fazer o diagnóstico de febre amarela?

Tanto clínicos gerais quanto infectologistas podem solicitar o exame de sangue que identificam a presença do vírus da febre amarela no organismo.

13. Como é o tratamento da febre amarela?

Como não existem medicamentos para combater especificamente a ação do vírus no organismo, o tratamento geralmente é feito com base nos sintomas apresentados pelo paciente. De modo geral, recomenda-se repouso absoluto e reposição de líquidos para evitar desidratação.

Casos mais graves de febre amarela podem exigir hospitalização e reposição sanguínea em caso de hemorragias.

14. A automedicação é permitida em caso de suspeita de febre amarela?

Não. Da mesma forma que a dengue, quaisquer suspeitas de infecção viral por Aedes aegypti devem ser comunicadas ao médico. Como se tratam de doenças com possibilidade de evoluírem para quadros hemorrágicos, o uso de determinados medicamentes, como a aspirina, podem aumentar as chances de sangramento interno.

15. Como se previne a febre amarela?

A vacinação para febre amarela é o meio mais eficaz para se prevenir contra a doença. Ela está disponível gratuitamente na rede pública de saúde e também pode ser tomada em hospitais da rede privada.

Até 2014, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendava que a dose da vacina de febre amarela fosse reforçada de dez em dez anos. Agora, porém, a Anvisa afirma que quem já tomou a vacina alguma vez na vida não precisa mais tomar outra dose.

16. Quem pode tomar a vacina?

Em geral, porém, a imunização é administrada ainda na infância, mas devem ser observadas algumas orientações específicas por faixa etária:

  • Crianças de 6 a 9 meses de vida incompletos: não devem receber a vacina a não ser em situações de emergência epidemiológicas, vigência de surtos ou epidemias e viagens inadiáveis para áreas de risco (número elevado de casos de febre amarela);
  • Crianças de 9 meses a 4 anos, 11 meses e 29 dias: a primeira dose é administrada aos 9 meses e uma dose de reforço aos 4 anos;
  • Crianças com idade a partir de 5 anos: é indicada uma segunda dose mesmo que a criança já tenha sido vacina anteriormente, especialmente em casos de surtos, epidemias ou viagens. Mas se a criança nunca recebeu a imunização, é necessário aplicar uma dose inicial e, aos 10 anos, aplicar o reforço.

Além disso, no Brasil, a recomendação da vacina é ainda maior para a população de 19 Estados, mas ela também pode estendida a outras regiões dependendo do cenário epidemiológico. Recentemente, foi o que aconteceu no Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia e São Paulo, que entraram no mapa da vacinação contra febre amarela.

17. Quem não pode tomar a vacina?

Alguns grupos de pessoas não devem receber a imunização. É o caso de crianças com menos de 9 meses (a não ser em uma das situações descritas acima), gestantes, lactantes, pessoas com alergia à proteína do ovo e pessoas com imunodeficiência grave.

Pessoas acima dos 60 anos devem conversar com um médico antes de tomar a vacina para discutir os possíveis efeitos colaterais e riscos da vacinação a partir dessa faixa etária.

18. É preciso tomar a vacina para viajar a alguns países?

Sim. O Regulamento Sanitário Internacional (RSI) autoriza que países peçam aos viajantes uma certificação de imunização contra febre amarela para entrar no país.

Essa medida é importante para conter o avanço de cenários epidemiológicos pelo mundo, já que a doença está restrita a países da América Central, América do Sul e África.

Os países que exigem o certificado podem ser consultados no site da Anvisa, por meio deste link.

19. A vacina provoca efeitos colaterais?

Em média, 5% das pessoas que tomam a vacina contra febre amarela apresentam sintomas leves, como febre, dor de cabeça e dores musculares de 5 a 10 dias após receber a dose. Efeitos colaterais graves são raros e também não é comum ter alguma reação no local onde a vacina foi aplicada.

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