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Família diz que campeã mundial de ciclismo sofreu lesão antes de morrer


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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A morte da ciclista campeã mundial Kelly Catlin, 23, na última sexta-feira (8), acendeu entre analistas esportivos e médicos do esporte a dúvida sobre uma possível relação entre o suicídio da atleta com uma concussão sofrida no fim do ano passado.

A revelação da lesão, somada a um braço quebrado em outubro de 2018, foi feita pela família de Kelly. Mark, pai da ciclista, afirmou ao Washington Post que sua filha passou a se comportar diferente após a lesão. “Depois da concussão, ela começou a abraçar o niilismo. A vida não tinha sentido. Não tinha propósito. Isso era uma pessoa com depressão. Ela não conseguia mais se concentrar nos estudos ou treinar forte. Não conseguia perceber que o que ela precisava fazer era dar um passo para o lado e descansar, se curar”, disse o pai.

Em janeiro, a família da atleta diz que entrou em contato com a polícia após receber um email dela.” Ela tinha dores muito fortes de cabeça e era sensível à luz. Depois ela tentou cometer suicídio em janeiro. Ela escreveu um longo e-mail [para a família] e disse que seus pensamentos estavam correndo o tempo todo. Nós chamamos a polícia no momento em que recebemos o e-mail, e eles chegaram lá a tempo de salvá-la aquela vez”, contou a irmã Christine.

No último mês de fevereiro, Kelly publicou um texto na revista Velo News, especializada em ciclismo, contando como tentava, sem sucesso, conciliar a vida de atleta de alto nível com a de estudante. Além das competições, Kelly fazia pós-graduação em engenharia matemática e computacional na universidade de Stanford, na Califórnia. Ela já era formada em matemática e chinês.

“Por ser uma aluna de pós-graduação e uma ciclista profissional, parece que preciso viajar no tempo para conseguir fazer tudo, e algumas coisas ainda me escapam”, escreveu.”Agora é a hora que você acha que eu escreverei algo clichê, como ‘gerenciar o tempo é tudo’ ou alguma frase motivacional, como ‘ser uma estudante faz de mim uma atleta melhor'”, já que de algum jeito eu consigo conciliar tudo, certo? Pode até ser, mas a verdade é que na maior parte do tempo eu não consigo conciliar. É como fazer malabarismo com facas, mas eu estou na verdade derrubando várias delas. A diferença é que a maioria delas atingem o chão, não a mim.”

“Então, lembre-se: Assim como com seus músculos, sua mente só pode se restaurar e se fortalecer com descanso. Peça um dia de folga ou, se você tiver a sorte de ser seu próprio capataz (digo, técnico), dê um dia de descanso a si mesmo. Ao contrário de todo o resto na vida, isso não poderá lhe fazer mal algum”, finalizou Kelly.

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