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Euro Tourinho e o Dia do Jornalista – Por Silvio Persivo


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Hoje dia 7 de abril é Dia do Jornalista. Apesar dos tempos difíceis em que vivemos, de que a profissão de jornalista tenha sido muito depreciada, submetida, como está sendo, a condições quase vis, a uma gradativa e contínua subordinação à interesses pouco recomendáveis, o verdadeiro jornalista continua a ser uma figura indispensável para a nossa sociedade. É verdade que o jornalismo profissional, uma fonte de informação qualificada, checada, que busca ser o mais fiel possível aos fatos e fornecer os dois lados de uma notícia qualquer, se encontra, cada vez mais, difícil de ser feito.

O que temos, hoje, é a invasão de francos atiradores, quando não arrivistas sociais, que usam a imprensa para seus próprios fins de enriquecimento, extorsão, de alpinismo social. Há, inclusive nas redes sociais, uma profusão de palpiteiros, de copiadores, que outorgam a si mesmo o título de jornalistas (e muitos conseguiram até ser reconhecidos como profissionais) que jamais se deram ao trabalho de buscar fatos e informações em fontes primárias, quanto mais de  reportá-los para a sociedade de uma forma clara e objetiva.

Na realidade nossa de hoje, do reino imperial do Fake News, do sensacionalismo barato, da propagação unilateral de versões nocivas,  da facilidade na fabricação de fatos, o jornalismo se tornou engajamento cego, opinião sem análise, alguns até se valendo de Millôr Fernandes que disse que “Jornalismo é oposição. O resto é secos e molhados”, se esquecendo que, até outro dia, aplaudiam governos corruptos que enchiam suas bolsas. Jornalismo só é oposição, só pode ser oposição em tiranias, em ditaduras. Em democracias deve ter equilíbrio, ser um fiscal sim dos governos, porém, com equidade, buscando formar e informar.

Não posso, aqui, deixar de saudar os verdadeiros jornalistas, os grandes profissionais da imprensa que sempre buscaram dar o melhor de si em prol da boa informação. Por isto mesmo não posso deixar, de hoje, lembrar o meu grande e saudoso amigo Euro Tourinho, que por mais de sessenta anos na frente do Alto Madeira procurou transmitir, a todos que passaram por sua redação, as verdadeiras qualidades de um bom jornalista. Lembro que, uma vez, numa entrevista disse que: “Jornalista acima de tudo, tem que ter amor pela profissão e levar a sério o que faz, sempre primar pelo respeito ao leitor e à notícia”.

Ele, com seu modo calmo e sábio, dizia que “não se deve publicar como jornalista o que não se pode sustentar como cavalheiro”. Para ele, “O bom jornalismo é como uma xícara de porcelana, bela e frágil, precisamos cuidar com o maior zelo possível”. Ser, e fazer, jornalismo de qualidade é isto: garantir que a informação que se passa é fidedigna, pautada pela ética e por princípios fundamentais- algo difícil nos nossos conturbados tempos. É, por isto, pela falta destes valores que agregam respeito e credibilidade à imprensa, que restam, hoje, o jornalismo anda tão desacreditado, com jornalistas sendo apenas papagaios, meros repetidores de chavões e, por isto, uma razão fundamental para que o nome de Euro Tourinho não seja esquecido e cultuado, além de suas inesquecíveis qualidades humanas. Na figura dele, nossa homenagem aos verdadeiros jornalistas. 

 Silvio Persivo