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EUA teriam evitado 40% das mortes por Covid se tivessem indicadores similares a outros países ricos, aponta relatório


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Comissão da revista ‘Lancet’ critica resposta ‘inepta e ineficiente’ de Trump à pandemia, mas aponta que falhas sociais que existem há décadas também são responsáveis pela situação problemática do sistema de saúde americano, que ‘uma vacina não vai resolver’.

Cerca de 40% das mortes por coronavírus nos Estados Unidos teriam sido evitadas se o país tivesse se mantido com uma taxa média de mortalidade equivalente à de outras nações ricas na pandemia, aponta o relatório de uma comissão de acompanhamento de políticas de saúde pública no governo Donald Trump da prestigiada revista científica britânica “The Lancet”.

Embora a comissão critique a resposta “inepta e insuficiente” do ex-presidente Trump à Covid-19, o relatório afirma que as raízes dos problemas de saúde do país são muito anteriores.

Entre os problemas apontados para o desempenho americano abaixo do de outros países industrializados estão:

  • reação atrasada e inadequada do governo Trump
  • aumento histórico da desigualdade no país
  • falta de acesso a seguros de saúde, inclusive pelo enfraquecimento do Obamacare e pelas demissões em meio à crise

 

A comissão sugere uma longa lista de medidas para reverter as tendências que afetam negativamente a saúde dos americanos. Entre as soluções está a adoção de um sistema de saúde de financiador único (um sistema privado financiado pelo Estado) como o Medicare for All, defendido pelo senador Bernie Sanders durante sua tentativa fracassada de concorrer à presidência pelo Partido Democrata.

Quase 470 mil americanos morreram de coronavírus até agora e cerca de 27 milhões de pessoas foram infectadas. Os números são, de longe, os mais altos do mundo.

Trump é amplamente criticado por não levar a pandemia a sério rapidamente, espalhando teorias da conspiração, desencorajando o uso de máscaras e minando as iniciativas de cientistas e outros que buscavam combater a propagação do vírus.

“Os EUA se saíram muito mal nesta pandemia, mas o estrago não pode ser atribuído apenas a Trump. Também tem a ver com falhas sociais . Isso não vai ser resolvido com uma vacina”, disse ao jornal britânico “The Guardian” Mary Bassett, integrante da comissão e diretora do Centro FXB para Saúde e Direitos Humanos da Universidade Harvard.

 

A comissão disse que Trump “trouxe infortúnio para os EUA e o planeta” durante seus anos no cargo, mas a crítica contundente não culpou só Trump, vinculando suas ações às condições históricas que tornaram sua presidência possível.

“Ele foi uma espécie de ponto culminante de um determinado período, mas não é o único arquiteto”, disse Bassett. “Decidimos que é importante colocá-lo em contexto, não para minimizar o quão destrutiva foi sua agenda política e seu fomento pessoal à fogueira da supremacia branca, mas para colocá-lo em contexto.”

Saúde pública degradada

 

A comissão enfatiza que o país entrou na pandemia com uma infraestrutura de saúde pública degradada. Entre 2002 e 2019, os gastos com saúde pública dos EUA caíram de 3,21% para 2,45% — cerca de metade da proporção gasta no Canadá e no Reino Unido.

Copresidentes da comissão da “Lancet”, os médicos Steffie Woolhandler e David Himmelstein, professores da City University of New York, que são defensores de um sistema de saúde único, ainda que privado, como o proposto “Medicare for All”, apontam que o relatório reúne décadas de políticas sociais, econômicas e de saúde que aceleraram as disparidades do país.

expectativa de vida dos americanos começou a ficar atrás de outras nações industrializadas há quatro décadas. Em 2018, dois anos antes da pandemia, 461 mil americanos teriam morrido a menos se nos EUA as taxas de mortalidade fossem semelhantes às de outras nações do G7, como Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Reino Unido.

“A coisa mais importante que precisamos fazer em nosso país é diminuir as enormes e crescentes desigualdades que surgiram”, disse Himmelstein ao jornal “USA Today”.

A Covid-19 afetou desproporcionalmente os afro-americanos, com taxas de mortalidade entre os negros até 50% maiores em comparação com os brancos. As mortes por coronavírus entre pessoas negras são de 1,2 a 3,6 vezes mais altas do que entre brancos e as disparidades são especialmente altas entre os adultos de meia-idade, possivelmente um sinal de condições de vida mais aglomeradas e empregos que não permitiam que as pessoas se distanciassem com segurança, indica o relatório.

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Medidas de saúde pública como uso de máscara e distanciamento físico poderiam ter salvado muitas vidas, disse Woolhandler, mas Trump não conseguiu criar uma resposta nacional, deixando as decisões mais cruciais durante a pandemia para os estados.

Suas ações “fizeram com que muitos cidadãos não levassem [a Covid] a sério e interferiram no tipo de resposta coordenada que tem sido usada em muitos países que tiveram mais sucesso do que os EUA no controle da epidemia”, disse Woolhandler.

Além da resposta à pandemia de Covid-19, o relatório aponta que Trump enfraqueceu o chamado Obamacare e mais 2,3 milhões de americanos ficaram sem seguro-saúde, um número que não leva em conta aqueles que perderam a cobertura oferecida pelos seus empregadores durante a pandemia.

A comissão, porém, não atacou apenas Trump e buscou raízes históricas do desempenho ruim dos EUA na área da saúde:

  • A eleição de Ronald Reagan em 1980 marcou o fim do chamado “New Deal” e da era dos direitos civis em favor de “políticas neoliberais” que reduziram os programas sociais.
  • O relatório critica o apoio do democrata Bill Clinton a medidas que dificultaram o acesso a mecanismos de bem-estar social, além da assinatura de uma lei federal contra o crime que levou ao “encarceramento em massa”, prejudicando desproporcionalmente a população de latinos e negros.
  • Os planos de saúde privados cobraram “despesas gerais e lucros exorbitantes” ao estender uma cobertura subsidiada pelo governo aos americanos de baixa e média renda com a assinatura da lei de saúde do ex-presidente Barack Obama, o Obamacare, segundo o relatório.

“Ainda estamos em um buraco muito profundo. Temos 30 milhões de pessoas sem seguro. Temos dezenas de milhões de pessoas com seguro insuficiente ”, disse Woolhandler.

 

 

G1

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