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EUA e Israel querem petróleo da Palestina; riqueza tem que ser do povo palestino

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A colonização israelense em terras palestinas acontece desde 1948 e, além dos impactos sociais, também traz impactos culturais muito graves. Desde então, o mundo todo tem observado o conflito entre Israel e Palestina, que ganhou um novo capítulo no fim de janeiro (27), quando o presidente estadunidense, Donald Trump anunciou o “Acordo do Século”.

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Para propagandear o projeto, Trump recebeu em Washington o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e Benny Gantz, seu rival nas próximas eleições para tratar dos detalhes iniciativa que supostamente estabeleceria a paz no Oriente Médio, com um acordo entre árabes e israelenses.

“Não é só mercado, é controle. Controle hídrico, controle energético, controle alimentar. Há um jogo político por trás da combinação agropecuária, petróleo e água. E essa combinação precisa ser entendida como uma política geoeconômica”, diz.

Política geoeconômica que na visão de Amyra, também ocorre no processo de Acordo de Paz. “Israel é um Estado caro para o povo judeu. E quando levanta o muro, acaba se isolando também do mundo e de todas as possibilidades econômicas e financeiras que o próprio Israel poderia se beneficiar e faz o movimento ao contrário.”

Como já noticiado, a proposta de Trump favorece apenas um lado, o de Israel, já que autoriza o país a avançar mais ainda sobre as terras árabes palestinas. Para ilustrar melhor os interesses por trás desse acordo, a TV Diálogos do Sul convidou a beduína palestino-brasileira, economista e ativista ambiental Amyra El Khalili para falar sobre o atual sofrimento do mundo árabe com as agressões imperialistas dos EUA e de Israel acerca do petróleo palestino.

Amyra El Khalili explica que toda a Faixa de Gaza, território disputado pelos dois povos, é rica em petróleo. “Temos ali um problema não só de conflito pela posse da terra, mas também de cultura e adaptação aquela região, que é árida e difícil. Petróleo é uma riqueza que tem que ser administrada pelos palestinos, porque é do povo palestino”, defende a economista.

“O vale do Jordão é onde nascem as águas da região. Então Israel ocupa esse lugar, justamente porque é ali que nascem os mananciais de água”, diz ao explicar a escassez de água na região.

“Em todo o Oriente Médio, tem petróleo, mas não tem água. […] Onde não há água, não é possível desenvolver a produção agropecuária e agrícola”, esclarece Amyra ao apontar outro problema: “por isso, o Oriente Médio é altamente comprador de carne do Brasil e também de agricultura e material industrializado na Europa”.

“O que acontece é uma questão geopolítica. Israel é considerado enclave militar por conta do Oriente Médio, por conta do petróleo. O petróleo é a matriz energética dos países do norte, da Europa, e o petróleo dele custa caro pra todos nós. Além do problema ambiental, o petróleo custa vidas para o povo árabe, custa vidas para o povo africano, custa vidas pro povo brasileiro e vai custar vidas indígenas na região Amazônica”, destaca.

Ela aponta ainda que, “institucionalmente, o que Trump está fazendo com esse acordo é legitimar o que ele já vem fazendo na ilegalidade todos esses anos”. “Ele está querendo dar legalidade para algo que é imoral, que são assassinatos e crimes que eles [Israel] vêm cometendo todos esses anos contra o povo palestino”.

América Latina

A economista ressalta que é preciso quebrar a “barreira de exportação” existente entre Oriente Médio e América Latina, para que não ocorra intermediação por parte dos EUA ou Europa.

“Não interessa nem para a Europa e nem para os Estados Unidos essa aproximação entre o mundo árabe e mundo latino-americano”, afirma, ao lembrar que a aproximação diplomática já ocorreu em governos anteriores.

Confira a íntegra da entrevista: https://www.youtube.com/watch?v=L59MIwxzvVI

Fonte: Assessoria