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Cuiabá-MT

‘Eu só obedecia ordens’, diz namorada de médico que fez procedimento estético que matou bancária

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Presa por participação no procedimento estético que causou a morte da bancária Lilian Quézia Calixto de Lima, 46 anos, sábado, Renata Fernandes Cirne, de 20 anos, disse que só obedecia ordens do namorado, o médico Denis Cesar Barros Furtado, conhecido como Doutor Bumbum. Entretanto, a polícia afirma que ela se passava por técnica em enfermagem, profissão na qual ela não tinha formação. Denis, a mãe, Maria de Fátima Barros Furtado (que teve o registro médico cassado), e Rosilane Pereira da Silva (que trabalha como doméstica na residência onde foi feita a intervenção médica e cedeu o nome para a abertura de um salão de beleza que era uma “clínica fictícia”) estão foragidos.

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“Desde o início, ele falou que os procedimentos eram ambulatorial e que não precisava de sala de cirurgia. Estou surpresa, como todo mundo. Eu não sabia que era uma prática irregular. Eu só obedecia ordens dele, marcava consulta e ligava para os pacientes. Ele dizia que era tudo registrado, que estava tudo certo. Eu não sou da área da saúde, não tenho formação acadêmica de técnica de enfermagem. Eu só era secretária”, disse Renata.

“Pedimos a prisão temporária dessas quatro pessoas por homicídio qualificado e associação criminosa. Todos têm participação, inclusive a Rosilane, que também fingia ser técnica de enfermagem”, disse a delegada. Renata nega e alega que usava a roupa de técnica em enfermagem porque Denis dizia “que a área tinha que estar esterilizada.” Ela disse que foi abandonada pelo companheiro, com quem morava em Brasília, e que era comum o procedimento estético ser feito em apartamento que fica na cobertura do condomínio Santa Mônica, na Barra da Tijuca.

“Era comum ele fazer o procedimento na cobertura. Eu não tive participação nesse procedimento, apenas marquei (a polícia diz que é mentira, que ela participou). Eu quis falar, ninguém aqui me obrigou. Estou presa há quase 4 dias e ele não teve consideração, não mandou nem um advogado. Eu não sabia que a mãe dele tinha o CRM cassado, sabia que o dele era do Distrito Federal e Goiás”, falou. “Graças a ele minha vida está destruída. Estou me sentindo abandonada, sem nenhuma assistência”, desabafou, aos prantos. Ela chegou a passar mal e recebeu atendimento médico.

Bancária fez procedimento horas após desembarcar

Lilian chegou de Cuiabá, onde morava, ao Rio através do Aeroporto Internacional Tom Jobim, e o procedimento seria realizado no mesmo dia, com previsão de retornar para o Mato Grosso no dia seguinte. Segundo a polícia, a bancária foi avisada em cima da hora que a intervenção seria realizada na cobertura da Barra, seguindo para lá de táxi. Inclusive combinou com o mesmo taxista a viagem de volta para o Galeão.

O valor cobrado pelo procedimento estético era de R$ 20 mil. No período da tarde, ela começou a realizar a intervenção para aplicar silicone nas nádegas. A substância usada era Biosimetric, um implante para plástica reparadora. Lilian passou mal, e Denis e Renata a levaram para o Barra D’Or, onde ela chegou com quadro de embolia pulmonar, no fim da noite.

No início da madrugada, ela morreu, mas tanto o médico quanto a sua namorada não estavam mais no hospital. A diretora da unidade procurou a polícia, assim como o taxista que levaria a bancária de volta para o aeroporto. Segundo Adriana Belém, os dois acusados o procuraram para entregar os pertences da vítima, o que o motorista achou estranho.

“A gente ficou sabendo da morte, e ele (Denis) decidiu ligar para os familiares (da Lilian). Ele ligou e pediu para falar com Osmar (marido da Lilian), mas falou com outro homem. Eu só deixei ela lá sozinha porque ele mandou, eu só obedeci ordens”, defendeu-se Renata.

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