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Estudantes que atuam na linha de frente da pandemia ficam sem vacina em Marabá, no PA


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Estudantes de medicina e biomedicina da Universidade do Estado do pará (Uepa), que atuam na linha de frente da pandemia em Marabá, sudeste do estado, estão reivindicando a vacinação contra a Covid-19. Desde abril, o grupo espera por respostas da Secretaria Municipal de Saúde.

Um documento protocolado nesta terça (1º) na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) pede que a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) tome providências para assegurar a vacinação de estudantes de medicina e biomedicina, que atuam em atividades de estágio em hospitais, clínicas e ambulatórios da Uepa no município.

G1 solicitou nota da Sespa e da prefeitura, mas ainda não havia obtido resposta até a última atualização da reportagem.

Segundo o Centro Acadêmico de Medicina de Marabá (CAMMAB), que representa o grupo, mesmo após reuniões, a prefeitura da cidade resiste à vacinação dos estudantes.

São 80 estudantes de medicina do ciclo clínico e internato, divididos em quatro turmas, e duas turmas de biomedicina, com cerca de 30 alunos, totalizando 110 sem imunização. Eles atuam no Hospital Municipal, no Hospital Materno Infantil, no Centro de Especialidades Integradas, no Centro de Referências de Saúde da Mulher e no Hospital Regional do Sudeste do Pará, além de Unidades básicas de saúde e ambulatórios. Já os alunos de biomedicina atuam em laboratórios.

A vacina para acadêmicos em saúde e estudantes da área técnica em saúde em estágio hospitalar, atenção básica, clínicas e laboratórios, é prevista no Plano Paraense de Vacinação, definido pelo governo estadual a partir de recomendações do Ministério da Saúde.

Na atual etapa de imunização, a prefeitura está vacinando professores da educação infantil e especial; professores do ensino fundamental com 59 anos; e pessoas com comorbidades a partir de 48 anos, deficientes permanentes a partir de 18 anos e idosos.

Atuação sem vacina

O estudante Lucas Lima, presidente do Cammab, relata que alguns estudantes mantém contato direto com pessoas com síndromes gripais.

“Com o hospital de campanha dentro do hospital municipal o risco é ainda maior, por isso esses estudantes precisam ser vacinados e foram incluídos nos grupos prioritários no plano nacional e no estadual, mas a prefeitura resiste em aplicar as doses”.

Ainda segundo Lucas, o campus já enviou diversos ofícios, mas sem respostas. Do governo, os estudantes receberam a informação que somente as prefeituras, por meio de suas secretarias municipais de Saúde, podem resolver o problema.

Mas os estudantes relatam, ainda, que há pressão de uma universidade particular na cidade, mesmo que não tenha alunos atuando na pandemia. “Tem a pressão na prefeitura de uma outra universidade, privada, que possui muitos alunos por ano. Então eles não querem liberar para ninguém, enquanto isso, os estudantes da Uepa estão correndo riscos, quando já se tem vacina“, afirma Lucas. O centro acadêmico, então, divulgou uma nota sobre assunto nas redes sociais, confira na íntegra:

“O CAMMAB vem a público prestar esclarecimentos acerca de sua busca ativa pela vacinação dos alunos de Medicina da UEPA Marabá.

Em 14 de abril deste ano, estivemos em uma reunião via Google Meet com o Secretário de Saúde de Marabá, a fim de informar a situação emergente dos internos (a turma 2016), e demais alunos do curso de Medicina. Na ocasião, deixamos explícito que os estudantes do internato (turma que contém apenas 18 alunos) estavam em contato diário com pacientes com suspeita de Covid-19, visto que os campos para estágio são os principais hospitais e centros de atenção à saúde em Marabá. Em todo o estado do Pará, a 2016 é a única turma de internato que não recebeu a imunização. Ademais, falamos também a respeito das demais turmas, uma vez que todas mantêm atividades práticas nos campos de estágio (Unidades Básicas de Saúde e afins), e com olhar especial para a 2017, pois é a proxima a ingressar no internato. A resposta que obtivemos, é que o caso está em análise na Coordenação de Atenção Básica do município desde então.

Infelizmente, a Covid-19 não espera. O perigo é iminente! Diante do exposto, chamamos a atenção da SMS à nossa situação e pedimos que inclua com urgência os nossos estudantes no grupo para vacinação, de forma a assegurar nossos direitos, conforme prevêem os Planos de Imunização Nacional e Estadual. Atentamos para que essa ação se desenvolva de maneira organizada e hierárquica, com a formulação de calendários bem planejados, de modo a conceder prioridade aos semestres mais avançados, e garantir doses a todos os discentes. É necessário que as autoridades olhem com a devida atenção aos nossos estudantes, para que consigamos prosseguir em nossa graduação, e logo logo alargar as fileiras de profissionais dispostos a lutar pela saúde do Brasil.”

Marabá recebeu, até então, 62.168 doses de vacinas contra Covid-19. No total, 41.596 doses foram aplicadas. A cidade registra, nesta terça, 16.555 casos de Covid-19 e 388 mortes provocadas pela doença.

G1.globo.com