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Especialista responde seis perguntas sobre HIV


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Em todo o mundo, cerca de 38 milhões de pessoas são HIV positivo, segundo a UNAIDS. No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 920 mil cidadãos convivem com a doença. Entre estigmas sociais e riscos de morte, muito se avançou no combate a enfermidade nos últimos anos.

 Neste ano, na campanha do Ministério da Saúde, lançada no dia 1 de dezembro, o dia Mundial de Luta contra a Aids, a pasta destacou que o número de HIVs positivos vem diminuindo desde 2012 e a quantidade de pessoas com acesso ao retroviral, distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), subiu de 44% em 2019, para 77% em 2020.

A infectologista do Hospital Águas Claras Ana Helena Germoglio responde seis perguntas sobre a doença. Confira:

Como o HIV é transmitido?

A transmissão acontece, principalmente, por meio de relações sexuais, independentemente do tipo de relação sexual. Ela também ocorre por meio de objetos perfurocortantes contaminados com sangue infectado e (raramente) por transfusão de sangue. A transmissão também pode ocorrer de forma vertical, ou seja, da mãe para o filho, durante a gestação, no trabalho de parto ou na amamentação, por isso que é recomendando que a mãe com HIV não amamente.

Por que os jovens são os maiores transmissores e receptores da doença?

De acordo com relatórios do Ministério da Saúde, pessoas entre 20 e 34 anos são as que mais se infectam com o HIV, e existem vários motivos. Entre eles, além dos jovens terem maior vida sexual ativa, têm maior exposição e menor receio de contrair qualquer tipo de infecção sexualmente transmissível, seja o HIV ou qualquer outra. Essa faixa etária também tem uma menor aceitação do uso de preservativo, que é simples, mas eficaz contra uma porção de infecções diferentes, além de ser contraceptivo.

Quais são os riscos que o HIV acarreta para a saúde de quem tem a doença?

Os pacientes devem estar atentos à doença renal, alteração óssea, alteração de triglicerídeos, entre outros. Por isso, é importante não só tomar os medicamentos corretamente, como também fazer o acompanhamento regular com o infectologista. Às vezes é necessária a atuação de equipe multidisciplinar (outras especialidades em conjunto). Portanto, não é simplesmente zerar a carga viral e aumentar o CD4 (células sanguíneas de imunidade).

Quem tem a doença e toma os retrovirais pode infectar outras pessoas?

O paciente com carga viral indetectável há mais de seis meses e que faz uso regular dos medicamentos, consideramos que são sexualmente não transmissíveis. Porém, isso não significa que ele não possa contrair ou transmitir outras infecções sexualmente transmissíveis.

Quem tem HIV pode viver uma vida normal?

Hoje em dia nós temos a disponibilidade de tratamento é mais acessível, com menos efeitos colaterais e comodidade de posologia (quantidade de comprimido) bem menor que antes. Pacientes com HIV que fazem o tratamento e acompanhamento correto com o infectologista podem ter tanto qualidade quanto expectativa de vida semelhantes a quem não tem a doença. É importante destacar que eles devem seguir corretamente as recomendações do infectologista.

Na campanha contra a Aids deste ano, o Ministério da Saúde apontou redução gradativa no número de infectados desde 2012. A que a senhora atribui isso?

Antes de tudo é importante dizer que a Aids é uma forma avançada do HIV. A Aids é a síndrome clínica em que o paciente apresenta sintomas variados e tem o CD4 baixo. Quanto mais cedo o diagnóstico, mais rápido o tratamento e menor a probabilidade de evoluir para a síndrome clínica, que é a Aids. O fácil acesso aos medicamentos e testagem em massa, que era realizada gratuitamente pelo SUS, independentemente de o paciente ter plano de saúde ou não, foram as razões da Aids ter diminuído no Brasil.

Entretanto, a quantidade de pacientes detectados com a sorologia do HIV, infelizmente vem aumentando. Apesar da Aids ter diminuído e a mortalidade ter reduzido, há incidência de casos de HIV no Brasil. Claro que é importante que a gente tenha esses números reduzindo, e isso significa que esses pacientes estão fazendo o acompanhamento regular, tendo acesso e tomando o medicamento corretamente, mas ainda assim é necessário focar na prevenção da contaminação.

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