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Erva-Baleeira: Benefícios e como usá-la


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Erva-baleeira: benefícios e como usá-la

O nome científico da erva-baleeira é Cordia verbenacea ou Varronia verbenacea – sinonímia botânica. É uma planta brasileira que tem muitos nomes, porque se desenvolve desde o Nordeste até a região Sudeste e o Paraná, nas regiões litorâneas. Pode ser encontrada em beiras de praia, nas restingas e nascendo na areia.

erva-baleeira
Erva-baleeira (Cordia verbenacea ou Varronia verbenacea).

Quando ela cresce a sol a pino, atinge 1 a 2 metros de altura e apresenta folhas pequenas, de 5 a 7 centímetros de comprimento, coriáceas, rígidas e ásperas.

Quando ela cresce à sombra (embaixo de uma árvore, arbusto, etc.), atinge até 3 metros de altura, às vezes mais, e suas folhas ficam maiores – com 10, 12, às vezes 15 centímetros de comprimento – e muito mais macias e suaves.

Usos populares da erva-baleeira

A erva-baleeira tem uso secular no Brasil. Os povos indígenas que habitavam o litoral brasileiro já utilizavam-na por conta das suas capacidades medicinais, principalmente anti-inflamatórias.

Pessoas que usam diclofenaco, betametasona, dexametasona e outros anti-inflamatórios comerciais podem utilizar a erva-baleeira.

Há muito tempo comunidades caiçaras brasileiras – que tradicionalmente vivem à beira do mar e são pescadoras – costumam utilizar a erva-baleeira para tratar dores musculares, contusões, luxações, estiramento muscular e para inibir inflamações – até mesmo as causadas por ferroadas de peixe (por exemplo, pelo espinho do bagre ou pelo ouriço).

Segundo as populações caiçaras, urinar sobre a ferroada do peixe ajuda a desinflamar a área e amenizar a dor. Uma alternativa é fazer chá com a erva-baleeira e colocar o pé dentro dele. Ela desinflama e desintoxica o ferimento, e alivia a dor.

Outro importante uso popular da erva-baleeira é para tratar gastrite, refluxo, azia, queimação e úlcera gástrica. Ela regenera a mucosa estomacal e exerce ação antiácida. Para quem está com queimação, mastigar uma folha de erva-baleeira é tão eficiente quanto tomar sal de frutas ou mastigar uma pastilha de pepsamar.

A erva-baleeira também facilita a cicatrização, por isso é muito utilizada para auxiliar na cicatrização de feridas e queimaduras, lavando ou fazendo compressas sobre a área.

Toxidade da erva-baleeira

Várias pesquisas indicam que a erva-baleeira tem baixa toxidade,e somente em consumo muito elevado causa algum tipo de problema no estômago, no intestino, etc. De modo geral, o consumo dela é saudável e seguro.

O diclofenaco (ou Cataflam) é talvez o anti-inflamatório mais utilizado no Brasil. Em uma comparação, na mesma dosagem e proporção que se utiliza o diclofenaco, os extratos da erva-baleeira não apresentaram efeitos colaterais.

Já o diclofenaco, em alguns casos, causou dor de cabeça, dores estomacais, vermelhidão na área da aplicação (quando na forma de gel de uso tópico) e bolhas na pele.

Em estudos feitos com cobaias, os extratos de erva-baleeira não demonstraram nenhuma toxidade fetal, ou seja, ela não induz ao aborto nem deformações do feto.

Benefícios da erva-baleeira

Consumo de erva-baleeira antes do parto

Em alguns casos, recomenda-se que mulheres comecem a tomar o chá da erva-baleeira diariamente cerca de dez dias antes do parto, para melhorar a recuperação pós-parto, não causar inflamações na área da cirurgia e melhorar a cicatrização (na cesariana) e evitar a mastite (inflamações das glândulas mamárias quando da amamentação).

No ramo agropecuário, quando os bezerros nascem, também se alimenta as vacas com erva-baleeira, obtendo, segundo pesquisa da EMBRAPA, uma redução expressiva em todos os casos inflamatórios, inclusive mastite, com gado leiteiro e não leiteiro.

Em uma gestação de risco, deve-se procurar um obstetra para que ele faça as observações necessárias. Se não haver nenhum impedimento, pode-se usar a erva-baleeira com tranquilidade.

Ação antioxidante

A erva-baleeira tem expressiva atividade antioxidante, o que explica sua ação anti-inflamatória e analgésica. Os radicais livres iniciam e pioram inflamações, e intensificam dores inflamatórias. Antioxidantes reduzem os radicais livres no organismo e, com isso, as inflamações se curam mais rápido e as dores são menores.

Ação antibiótica

Combatendo bactérias, a erva-baleeira teve ação similar a de muitos antibióticos comerciais. Se a pessoa tem bactérias de difícil eliminação e toma um antibiótico convencional (como amoxicilina), pode tomar a erva-baleeira para potencializar a ação antibiótica do tratamento.

Com o uso desenfreado de antibióticos, estão surgindo bactérias resistentes a eles, as chamadas superbactérias, que nas infecções hospitalares matam muitas pessoas. Assim, antibióticos cada vez mais fortes não são capazes de eliminá-las, porém, a erva-baleeira exerce importante ação contra elas.

Ação anti-inflamatória

A ação anti-inflamatória da erva-baleeira é tão reconhecida pela ciência que o laboratório Aché, um dos maiores no Brasil, desenvolveu o Acheflan, um spray tópico para inflamações musculares e articulares à base de erva-baleeira, que pode ser encontrado em qualquer farmácia.

Os extratos da erva-baleeira combatem diversos modelos de inflamação. Uma inflamação em um músculo é diferente de uma em um osso, que é diferente de uma em um tecido conjuntivo (como o olho).

A erva-baleeira é eficiente para tratar inflamações musculares, como entorses, contusões, luxações, lesões ligamentares, dores musculares (principalmente após atividades físicas), dores articulares (em problemas de articulações, como artrose e artrite), tendinites, fibromialgias e inflamações da garganta.

Nesses casos, é possível tomar o chá, fazer compressas ou pomadas de erva-baleeira.

Para inflamações da garganta, como laringite e faringite, pode-se tomar chá de erva-baleeira com gengibre.Antes de dormir, pegue uma rodela de gengibre e duas folhas de erva-baleeira, faça um chá e tome. De manhã, faça novamente o chá. Após tomar a terceira xícara de chá, é provável que não haja mais inflamação na garganta. Também é possível utilizar uma colherada de folhas de erva-baleeira seca para fazer o chá.

Uso da erva-baleeira na alimentação

No caso de inflamações do estômago, como gastrite, quem tem acesso a erva-baleeira fresca pode incluí-la na alimentação, cozinhando-a junto com o feijão (utilizando meia dúzia de folhas de erva-baleeira para uma panela de feijão). É possível picá-la e come-la junto com o feijão, ou cozinhar o ramo dela inteiro junto com o feijão e retirar o ramo antes de comer. O feijão ficará enriquecido com os princípios ativos da erva-baleeira, que são anti-inflamatórios, antioxidantes e fazem bem para o estômago.

Quem só tem acesso a erva-baleeira seca pode triturá-la o máximo que puder, peneira-la e colocar duas colheradas dela na panela de feijão, no cozimento de carnes ou usar de tempero para sopas. Também é possível simplesmente tomar o chá.

Ação anti-inflamatória

Para inflamações, tanto o uso interno da erva-baleeira (como chá ou incluída na alimentação), como o tópico (na forma de compressas, pomadas, cataplasmas, etc.), é eficaz.

Alguns dos princípios ativos da erva-baleeira demonstraram capacidade anti-inflamatória comparável à da nimesulida e à da dexametasona. Isso foi comprovado em pesquisas científicas.

É possível utilizar a erva-baleeira complementarmente ou, em inflamações suaves, ao invés de apelar diretamente para medicamentos comerciais, experimentar o chá de erva-baleeira.

Para tratar inflamações e dores articulares e musculares, muitos utilizam naproxeno – medicamento mais forte que o diclofenaco –, porém, a erva-baleeira tem ação mais eficiente que a dele.

Em um estudo, o ácido rosmarínico, um dos princípios ativos mais presentes na erva-baleeira, inibiu, em cobaias, o efeito inflamatório do veneno da jaracuçu (serpente venenosa brasileira) e protegeu a musculatura delas. O veneno da jaracuçu causa danos severos à musculatura, e o extrato de erva-baleeira evitou a necrose muscular e os processos inflamatórios nas cobaias.

Quem sofre de inflamação crônica ou aguda deve utilizar a erva-baleeira.

Tratamento de tendinite e dor miofascial

O extrato de erva-baleeira foi transformado em pomada, testado em casos de tendinite e dor miofascial, e teve resultados excelentes, inclusive em comparação com o diclofenaco.

É possível fazer uma associação de erva-baleeira com erva-de-são-joão e chapéu-de-couro, tomar o chá três vezes ao dia e fazer o escalda-pés.

Tratamento do esporão do calcâneo

Se a pessoa tem esporão do calcâneo, uma protuberância óssea no calcanhar, pode tomar o chá e fazer o escalda-pés dessas três plantas. Isso não dissolve o esporão, mas alivia as dores. Há relatos de pessoas que, tratando o esporão com esse composto de ervas, voltaram a caminhar sozinhas, pois as dores e a inflamação foram reduzidas expressivamente.

Tratamento da sinusite

Se começar a sentir os sintomas clássicos da sinusite, como dor de cabeça, nos dentes, nos olhos e no nariz, ao longo do dia tome 0,5l de chá de erva de baleeira. Antes de dormir, faça um chá forte de erva-baleeira (uma mão cheia de erva-baleeira em uma bacia de água). Deixe ferver e faça uma compressa com esse chá sobre a testa, as maçãs do rosto e as têmporas, até que a água esfrie. Isso reduzirá os sintomas da sinusite.

Tratamento da periodontite

O bochecho com a erva-baleeira e tomar o chá dela reduz a perda óssea da boca e a proliferação das bactérias causadoras da periodontite – inflamação da raiz dos dentes e da estrutura óssea bucal que causa perda óssea, e até os dentes acabam caindo.

Ação cicatrizante

Em dois grupos de cobaias feridas, no primeiro foi utilizada uma pomada cicatrizante convencional, no outro foi borrifado Acheflan – fitoterápico feito com extratos de erva-baleeira –, cujo efeito foi muito melhor do que o da pomada.

Não é necessário usar o Acheflan. É possível utilizar chá de erva-baleeira para lavar as feridas, fazer compressas, ou fazer uma pomada ou um óleo medicinal à base de erva-baleeira, que são muito eficientes como cicatrizante.

Proteção gástrica

A erva-baleeira reduz a acidez estomacal e as gastrites, acelera a cicatrização das úlceras, e tem capacidade de regenerar as lesões na mucosa estomacal.

Há relatos de uma senhora que tinha uma úlcera causada pelo medicamento para o coração que ela tomava. Durante quase 30 anos, ela sentiu dores no estômago todos os dias. Para o tratamento, foram utilizadas três plantas: erva-baleeira, carqueja e trançagem. Ela fazia uma jarra de chá dessas plantas secas todos os dias e tomava. Depois de cerca de 10 dias de tratamento, a dor passou completamente.

Toda vez que ela interrompia o tratamento durante certo período, as dores retornavam, porque ela não podia parar de tomar o remédio para o coração. Então, para evitar esse problema, ela tinha que fazer tratamento constante.

Quem sofre de úlcera medicamentosa pode fazer esse tratamento. Essas três plantas são fáceis de encontrar, tanto em casas de ervas medicinais como na natureza.

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