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Empreiteiro confirma delação e entrega ex-deputado do PT por esquema na Seduc


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Sem entrar em detalhes, Ricardo Sguarezzi informou juíza que delatou Ságuas Moraes em depoimentos à PGR.

Ricardo Sguarezi, dono da Construtora Aroeira e testemunha no âmbito da Operação Rêmora, firmou acordo de colaboração premiada na Procuradoria Geral da República (PGR). A revelação foi feita a uma fonte pelo próprio antes do início da audiência realizada na manhã desta terça-feira (3), quando ele confirmou o ato à juíza Ana Cristina Silva Mendes, na Sétima Vara Criminal de Cuiabá.

Disse, porém, que não entraria em detalhes sobre os fatos narrados no acordo porque este envolve fatos inerentes à gestão do então governador Silval Barbosa, que manteve a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) sob o “monopólio” exclusivo do Partido dos Trabalhadores.

Porém, pelo mínimo narrado pelo empresário, a operação podem tomar novo rumo a partir dessa informação porque esse novo acerto de delação firmado envolve diretamente o ex-deputado federal Ságuas Moraes Souza (PT). Ságuas foi titular da Seduc por aqueles tempos e só deixou o cargo no Executivo estadual quando assumiu uma cadeira da Câmara dos Deputados, o que só ocorreu com a morte do deputado federal Homero Pereira, em 2013.

Informações apuradas, ainda não confirmadas de maneira oficial, apontam que Sguarezzi seria o operador das fraudes na pasta na época. Ele era o responsável por “recolher” a propina junto a empresários que executavam obras de reformas e construção de escolas estaduais.

Juntamente com Sguarezi, foi ouvido outro empresário da construção civil, Giovani Belatto Guizardi, proprietário da Construtora Dínamo um dos cinco réus do processo nascido das investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco). Os dois foram ouvidos como testemunhas de acusação e detalharam como o processo era desenvolvido para encaminhar e possibilitar a liberação das verbas destinadas ao pagamento de obras de construção e reforma de unidades escolares em Mato Grosso por meio de fraudes nesses processos licitatórios direcionados aos empreiteiros.

A próxima audiência foi agendada para o dia 1º de agosto. Na ocasião, será ouvido Luís Fernando da Costa Rondon, empresário da Construtora Panamericana que prestará depoimento  como colaborador. Na mesma data também serão ouvidas as testemunhas de defesa.

O depoimento dos réus Alan Ayoub Malouf, Permínio Pinto Filho, Fábio Frigeri, Wander Luiz dos Reis e Giovani Belatto Guizardi foi marcado para o dia 19 de agosto. Todos são acusados de participação no esquema de pagamento e recebimento de propinas para garantir a liberação de verbas na Seduc entre 2015 e 2016.

RÊMORA

A Operação Rêmora foi deflagrada em 2016 pelo Gaeco com o objetivo de desbaratar um esquema de corrupção implantado nas entranhas da Seduc. Segundo as investigações, os desvios se davam por meio de contratos de obras em escolas superfaturados. Permínio chegou a ser preso preventivamente em julho de 2016, mas foi solto em dezembro do mesmo ano após confessar seus crimes.

A delação dele ainda está sob segredo de Justiça e é de conhecimento apenas das autoridades envolvidas na investigação e ação. Praticamente nada foi revelado por ele em seu último depoimento, no último dia 11 de março, na mesma Sétima Vara Criminal, já sob a condição de colaborador premiado.

As investigações apuraram que o esquema foi montado para recuperar recursos investidos na campanha do ex-governador Pedro Taques. Além do ex-secretário, são réus na ação o empresário Giovani Guizardi, que acusou Permínio de ficar com 25% de toda a propina arrecadada com os empresários, donos das empresas contratadas pelo Estado para realizar obras de reforma e construção de escolas em Mato Grosso. Giovani é apontado por ser operador do esquema.

Outra pessoa com papel destaque no esquema é o empresário Alan Malouf. Em seus depoimentos, Permínio acusou Pedro Taques e o ex-deputado federal Nilson Leitão (PSDB) de integrarem o esquema. Este último, segundo Permínio, ainda praticava o crime de lavagem de dinheiro.