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Em dois anos, 66 mil cirurgias oftalmológicas em Mato Grosso


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Em 14 edições, o projeto atendeu pacientes de todas as regiões de Mato Grosso.

Na semana em que o programa Fantástico, da Rede Globo, mostrou suposta fraude e erro médico na Caravana da Transformação, a reportagem do DIÁRIO, procurou traduzir em números o que é uma das principais iniciativas sociais do atual governo de Mato Grosso.

Após percorrer aproximadamente 13 mil quilômetros e atender a população dos 141 municípios de Mato Grosso, a Caravana da Transformação registrou 66.337 cirurgias, sendo 52.270 de catarata, 8.240 de pterígio e 5.827 de yag laser, além de 88.174 consultas. Os números representam um marco na história da saúde oftalmológica do Estado. Apesar de aberto a qualquer paciente do SUS, o público do projeto foi formado principalmente por cidadãos simples, de baixo poder aquisitivo. Pessoas, que na maioria dos casos, já viviam há tempos na escuridão e não acreditavam mais na oportunidade de voltar a enxergar.

O projeto foi idealizado pelo governador Pedro Taques, que foi até ao Estado vizinho de Mato Grosso do Sul conhecer programa semelhante já executado por lá. Com a ideia na cabeça, adaptou o modelo para Mato Grosso e o colocou em prática em 2016. A última edição realizada foi em Sinop, em junho deste ano.

A infraestrutura logística foi um dos desafios para a concretização do projeto que tem o caráter de ser itinerante, indo até o cidadão. Mas a distância entre as cidades, ausência de sinal de internet e a chuva não impediram que a Caravana seguisse adiante, conforme destacou o coordenador-Geral da Caravana, José Arlindo de Oliveira.

“Atingimos os resultados esperados e encerramos este formato da Caravana com a certeza de dever cumprido. Foi um trabalho diferenciado, gratificante, e que contribuiu para melhorar não só a saúde do cidadão de Mato Grosso, mas o nosso pensar no ser humano. Com um trabalho sério e coordenado, num curto espaço de tempo, conseguimos fazer milhares de pessoas voltarem a enxergar”.

Neste período de dois anos foram realizadas quase 90 mil consultas. O público alvo era de pacientes com mais de 55 anos, mas também foram atendidos jovens com catarata congênita (má formação do cristalino do olho que se desenvolve durante a gestação), população indígena e rural dos municípios.

A Caravana da Transformação passou pelos municípios de Barra do Bugres, Peixoto de Azevedo, Canarana, Jaciara, São José dos Quatro Marcos, Porto Alegre do Norte, Alta Floresta, Barra do Garças, Juína, Tangará da serra, Rondonópolis, Cáceres e Cuiabá e Sinop, atendendo pessoas de diferentes comportamentos, feições e sotaques.

HISTÓRIAS DE VIDA – A Caravana foi cenário de histórias marcantes, como a de dona Jane Paz, moradora de Peixoto de Azevedo, que conseguiu ver a neta de quatro anos pela primeira vez após fazer a cirurgia de catarata. Também mudou a rotina e a vida de Jurema dos Santos Reis, de 30 anos, paciente diagnosticada com catarata congênita aos 14 anos. Ela foi operada em abril de 2017, na Caravana de Porto Alegre do Norte.

“Durante a cirurgia, eu via as luzes do aparelho piscando. A sensação de enxergar normalmente é boa demais e daqui uns dias vou voltar a estudar, se Deus quiser. Quero ser médica para ajudar as pessoas, e se não fosse pelos médicos que me atenderam aqui, eu não estaria vendo tudo agora”, relatou na oportunidade.

Na rede privada, a cirurgia de catarata custa entre R$ 4 mil e R$ 8 mil por olho. Na Caravana, o Governo pagou o valor previsto na tabela SUS, de R$ 771 por olho.

Ao deixar a carreta cirúrgica o sorriso no rosto de cada paciente era unânime. Um destes foi emitido por João Gomes Batista, 66. O aposentado mora em Sorriso e foi atendido na edição de Sinop.

“Há três anos eu não enxergava mais e parei de trabalhar como carreteiro. Estou feliz demais e só quero dizer muito obrigado. Poder ver nitidamente é maravilhoso, vocês não sabem o bem que estão fazendo as pessoas”, relatou emocionado.

A edição de Cáceres registrou o encontro emocionante dos irmãos João Evangelista Filho, 69 e Jandir Evangelista da Silva, 59. Eles não se viam há 27 anos e se encontraram durante a consulta realizada na Cidade Universitária da Unemat em fevereiro deste ano.

Jandir Evangelista mora no Pará e veio até Mato Grosso para tentar uma consulta. Ele conseguiu chegar até Cáceres após regulação e foi atendido junto ao grupo de pacientes do município de Jauru, um dos municípios beneficiados na edição. Fomos bem atendidos, é tudo moderno, a gente já sai da sala de cirurgia enxergando e sem nenhuma preocupação. É um trabalho excepcional que precisa ser valorizado e recomendo à população”, afirmou João.

ATENDIMENTO ESPECIALIZADO – No atendimento ao paciente eram utilizadas duas unidades cirúrgicas equipadas com tecnologia de ponta (microscópio cirúrgico com dois sistemas de vídeo completo, facoemulsificador, laser de argônio, vitreófago, autoclave, cárdio-desfibrilador, oxímetro, aspirador, ambú, cilindro de oxigênio, entre outros. Cada unidade móvel possui capacidade para atender simultaneamente quatro pacientes, dentro dos padrões exigidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A equipe médica era formada por médicos cirurgiões, entre oftalmologistas e retinólogos, e um anestesista.

Todas as pessoas que passaram por cirurgia já saiam com três consultas pós-operatórias agendadas: um dia depois à cirurgia, uma semana depois e 30 dias após o procedimento.

Caso o paciente não recebesse alta depois das três consultas de pós-operatório, ele era encaminhado para a Unidade Fixa, na cidade de Várzea Grande, para continuar o acompanhamento médico. Também foi disponibilizado um número de telefone gratuito para o paciente esclarecer dúvidas e registrar intercorrências.

CIDADANIA – Os serviços de Cidadania ofertados nos dias “D” também fizeram a diferença em cada cidade que a Caravana passou. Ao todo foram feitos 411.788 mil atendimentos nesta área e mais de 353.323 mil pessoas passaram pela estrutura, geralmente distribuída em 10 mil metros quadrados, equipada com carretas ambulatoriais e cirúrgicas, cadeiras, sanitários, praça de alimentação e acessibilidade para cadeirantes e deficientes visuais.

O mutirão de serviços realizado em parceria com as secretarias estaduais e autarquias atraiu e contribuiu para que o cidadão pudesse emitir a segunda via de documentos simples como RG, CPF, Carteira de Trabalho, Carteira de Reservista, Carteira de Pescador e também atualização de benefícios como o Bolsa Família e CadÚnico.