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É verdade que servidor público recebe um salário melhor?


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Já ouviu de alguma pessoa na sua vida que precisava virar servidor público para ter a chance de “crescer na vida”? Algum parente que veio te avisar sobre concursos abertos? Ou mesmo alguém que já tenha dito que concursados ganham mais dinheiro?

Bom, em certos casos, isso pode ser verdade: existem áreas em que os servidores públicos ganham, sim, um salário mais elevado do que no setor privado, além do pacote de benefícios. No entanto, ser concursado não é garantia de receber bons salários. Há áreas que, às vezes, valem mais a pena em empresas privadas, não apenas pelo valor do salário em si, mas também pelo plano de carreira.

Mesmo assim, há uma verdade absoluta e comprovada no papel sobre o Brasil: o nosso país é um dos países que mais têm despesas com servidores públicos em todo o mundo.

Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) comparou, em proporção com o Produto Interno Bruto (PIB) de cada país, os gastos com atividades funcionais públicas entre mais de 70 países. Nesse índice, o Brasil ficou ranqueado como o 7º que mais gasta com servidores públicos.

Os seis primeiros colocados são, respectivamente, Arábia Saudita, Dinamarca, Jordânia, África do Sul, Noruega e Islândia.

De acordo com o levantamento, as despesas com funcionários da União (somados municipais e estaduais) equivaleram, em 2018, a 13,4% do PIB brasileiro, o que classifica o Brasil à frente de países desenvolvidos de outros continentes, como França, Suécia, Alemanha e Itália. Dentro da América Latina, o Brasil lidera o ranking.

Despesa desigual

Apesar de ser um alto investimento no setor público, é importante lembrar que esses gastos são compostos por todos os salários de servidores – inclusive, aqueles que trabalham com envolvimento político. Ou seja, dentro dos 13,4% do PIB, estão inseridos, além do investimento com todos os funcionários públicos do país, os salários de prefeitos, governadores, deputados estaduais e outros políticos.

A princípio, parece que o valor desses salários não tem tanto peso no montante, mas a verdade é que é justamente esse valor que gera um peso desigual na balança de investimentos públicos. Para se ter ideia, segundo o artigo 27 da Constituição Federal, os deputados estaduais recebem o valor de 75% do salário de um deputado federal, o que hoje equivale a cerca de R$ 25,3 mil ao mês – apenas o valor líquido, sem adição dos benefícios. Um governador chega a receber um salário semelhante, dependendo do estado em que atua. Além disso, há muitos estados brasileiros que inclusive pagam uma pensão vitalícia a ex-governadores no valor de R$ 20 mil. E esses são apenas alguns dos gastos, que se somam a outros no envolvimento político.

Sendo assim, a pesquisa abriu o debate para atualização e diminuição dos salários dos políticos, sobretudo dos benefícios, que incluem auxílio-moradia, funções em mesa diretora, comissões ou liderança partidária, décimo quarto (às vezes, até mesmo décimo quinto) salário, verba de gabinete e verba indenizatória, por exemplo. A discussão já é antiga, mas tem ganhado maior repercussão nos últimos anos.

Assessoria

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