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Crise do leite: Parceiros, produtores e indústria, vamos juntos buscar margens mais justas!, conclama diretor da Abraleite


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O diretor da associação Alberto Figueiredo detalha dificuldades de unir a cadeia produtiva, elogia atuação da ministra Tereza Cristina e vê com certa preocupação da política de conceder empréstimos aos pecuaristas, que já estão com dificuldade financeira e podem se endividar ainda mais.

“Os segmentos da cadeia produtiva do leite não se entendem, comercialmente falando. O produtor fica fazendo leilão para a indústria, que paga mais naquele momento. Já a indústria não conta com o fornecedor garantido, não sabe se ele estará na sua plataforma no mês seguinte. E a indústria ainda é surpreendida rotineiramente com normas de mercado, com decisões do sistema varejista de ampliar ou diminuir estoques. Com isso, artificialmente, os valores oscilam muito”.

Este foi um resumo feito por Alberto Werneck de Figueiredo, diretor Institucional e de Fomento da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), em entrevista especial aos programas “Agro & Negócios”, da 101 FM de Presidente Prudente (SP), e “Norte Agropecuário no Rádio”, da Jovem FM de Palmas (TO), apresentados pelo jornalista Cristiano Machado, aos domingos, respectivamente, às 7h e às 8h. Na pauta, a crise nacional do setor.

Engenheiro agrônomo e extensionista rural por formação, Figueiredo fez questão de ressaltar o emprenho e disposição da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, em apoiar as demandas da entidade. No entanto, como explicou na entrevista, a solução da crise, que é histórica, está dentro do próprio setor. E ressaltou o empenho da Abraleite em busca de soluções.

Em nome da diretoria, Figueiredo conclama pela união dos segmentos para colocar fim a esta situação crítica, que não é de hoje, mas se agravou nos últimos meses, inclusive com a pandemia, que fez o consumo do produto cair. “Parceiros, produtores e indústria, vamos juntos buscar margens mais justas!”, pediu, em certo momento da entrevista. “Não estamos conseguindo passar para a frente os nossos custos. Muitos produtores, inclusive alguns tecnificados, não conseguem sobreviver diante desse processo”, complementou.

Entre os motivos da crise estão a diminuição do consumo, aumento da produção e dos preços dos insumos básicos como, por exemplo, o milho e a soja, que compõem a ração do gado leiteiro. Ao detalhar números, Alberto Figueiredo ratificou que o custo com alimentação é um dos maiores gargalos do produtor.

A Abraleite tem tentado estabelecer a união, mas há muitos entraves. “Quanto mais fortalecida, melhor, podemos pensar em voos maiores, inclusive exportação”, declarou. Questionado se há uma luz no fim do túnel e se está distante, o diretor da associação informa que o problema é cíclico e que a partir de agora, como haverá melhor remuneração para os produtores, na chamada lei de oferta e da procura. “Isso está começando a acontecer agora.”

Entretanto, com isso, a categoria não se une neste momento de maior produção de leite para evitar que, entre novembro e março ou abril do próximo ano, a situação volte a ficar crítica. “Final do ano e início de 2022, estaremos novamente levantando bandeiras de melhor remuneração”, destacou.

CUIDADO COM EMPRÉSTIMO

O diretor da Abraleite comentou ainda, com toda a experiência que acumulou ao logo da vida profissional na atividade de extensionista rural, que é preciso ter cuidados com empréstimos. O governo federal e o governo do Tocantins, por exemplo, anunciaram linhas de crédito especial para o setor. No caso tocantinense, a disponibilização dos recursos acontece mais de um mês depois do anúncio e no momento que a crise, que é cíclica, está sendo vencida temporariamente pelos produtores. “Qualquer medida dos governos que venha em apoio ao produtor é bem-vinda. Agora, será que o recurso vai ser aplicado no aumento da produção e da renda do produtor?”, questionou.

Para ele, caso não ocorra um acompanhamento da extensão rural, a medida é prejudicial, já que o produtor vai se endividar ainda mais. Há casos em que o produtor, já prejudicado por não conseguir arcar com os custos, não consegue liquidar as contas, sair do empréstimo. “Se por um lado é salutar, por outro, é preciso tomar cuidado para que ele não seja penalizado no futuro com o vencimento do crédito. Esse processo é comum no Brasil. Produtores estão comprometidos com a renovação anual do crédito para continuar na atividade. Não têm sustentabilidade no negócio. Isso precisa ser revisto”, finalizou.

Norteagropecuario.com.br