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Crise do leite em Rondônia tem haver com pandemia e diminuição do consumo de mussarela nas pizzarias Paulistas


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Garçon, traga uma pizza, por favor!”. Quando você estiver em São Paulo e for a uma pizzaria, das centenas que a cidade têm, a chance de você comer mussarela de Rondônia é de 80 por cento. Ou seja, o derivado do nosso leite é o grande sucesso no rico mercado das pizzas na Capital paulistana, a maior cidade do país. O que isso tem a ver com a crise do leite que assola nossos grandes, médios e pequenos produtores do Estado, que hoje são mais de 27 mil, em atividade? Tudo. Com os Lockdowns constantes, com o fechamento das pizzarias, com a diminuição do consumo (mesmo que o sistema de entrega ainda mantenha a venda de pizzas ao paulistano), caiu drasticamente, também, a venda da nossa produção, a partir do leite produzido no campo e transformado em um dos 30 laticínios, para entrega às centenas de pizzarias da maior cidade do país. Para se ter ideia da importância desse produto no contexto da industrialização do leite, vamos a alguns números: são produzidos todos os dias, em Rondônia, nada menos do que 1 milhão e 600 mil litros de leite. Desse total, 81 por cento é industrializado nos laticínios e transformado em mussarela. Apenas 13 por cento são de leite tipo UHT, aquele leite integral que bebemos todos os dias; 5,8 por cento são para a produção do leite em pó. O restante em outros derivados.

Por que então a enorme crise, que acontece todos os anos, nessa época e que cria verdadeiras guerras entre laticínios e produtores? Não é uma resposta simples, mas neste ano, além de uma grande produção, há escassez de clientes, por causa da pandemia. Há também concorrência externa. O governo do Estado, via Seagri, tenta amenizar essa situação, cobrando mais impostos do leite que vem de outras regiões. O consumidor já pode notar a diferença de preço, ao comprar um leite rondoniense, no supermercado. A criação do Conseleite vai ajudar também, além da decisão do governo de Rondônia de exigir o cumprimento de lei federal que obriga os laticínios a anunciarem, com 30 dias de antecedência, o preço que vai pagar ao produtor no mês seguinte. Quem não o fizer, perderá os incentivos fiscais. O confronto entre produtores e laticínios é também tema constante na Assembleia Legislativa. Tanto o presidente Alex Redano quanto o ex-presidente Laerte Gomes e todos os demais parlamentares, têm exigido imediatas ações do Governo para resolver a crise do leite. Há parte dos produtores que estão sofrendo muito para manterem seus negócios, com os preços que lhe pagam os laticínios. Há reivindicações justas e outras nem tanto, porque para atendê-las, as autoridades teriam que infringir a lei de mercado. E essa, não há quem consiga modificar. Quando o consumo é alto, o preço sobe. Quando o consumo é baixo, ele desce. Mas há sim, ainda, o que fazer para manter nossa produção leiteira e obrigar os laticínios a cumprir toda a legislação.                                                                

PADOVANI PEDE CALMA E ANUNCIA MEDIDAS DE APOIO AO SETOR

O efeito colateral desta situação toda é que os confrontos saíram da mesa de negociação e passaram para as ruas. Um pequeno grupo de produtores – no total temos 27 mil – interrompeu rodovias e fez grandes protestos, ao ponto de ter que haver intervenção da PM. O secretário de Agricultura, Evandro Padovani, pede calma e comenta que as autoridades estão fazendo todo o possível para trabalhar ao lado da categoria, mas que as negociações precisam ser pacíficas. Lamentou, inclusive, que um grupo pequeno, que, segundo ele, não representa a grande maioria dos produtores, abre a torneira de caminhões que vão levar leite aos laticínios, jogando fora a produção dos outros. Até que o leite chegue ao laticínio, ele pertence ao produtor e não à indústria. Padovani pede respeito aos pequenos, principalmente e sugere que, ao invés de jogar o leite fora, quem quiser protestar que faça doações dele às pessoas mais carentes. Disse que em breve as coisas vão melhorar e que o Governo está atento ao que está acontecendo. E buscando alternativas para solucionar o problema.

Tudorondonia.com.br