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CPI da Covid -Teatro político pode desviar atenção do povo, mas não extingue o vírus – Por  Luis Claudio da Agricultura


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    Dia 12 de março de 2020, em São Paulo, o Ministério da Saúde confirmou que a morte de uma senhora de 57 foi causada pelo novo coronavírus, a Covid-19. Os gestores públicos e as autoridades sanitárias que o vírus recém descoberto estaria sob controle em poucos dias.

      Mas naquele março a Covid-19 matou 201 pessoas Brasil afora. Enquanto especialistas alertavam sobre o imenso potencial destrutivo do vírus, o Governo Federal minimizava (e até debochava) a doença.

               Um ano, trinta e três dias se passaram. Ontem, 13 de abril, 3.687 brasileiros e brasileiras morreram. O vírus, subestimado matou, até agora, 358.718 pessoas, de todas as idades, todas as raças, todas as classe sociais, todos os credos e de todas as ideologias políticas.

               Inútil, agora, apontar erros e quem errou. Desnecessário considerar que se ações corretas tivessem sido executadas no tempo e na hora recomendada pelos especialistas que se baseiam na ciência e não no “achismo”, talvez milhares de vidas tivessem sido poupadas.

               O Brasil sempre conseguiu lidar bem com crises, com situações de extrema gravidade, mas só depois que o copo transborda. Sempre foi assim, mas agora estamos vendo o copo de cabeça para baixo e em vez de enxugar a mesa, a classe política prefere factóides como a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito cujo propósito é investigar o destino que estados e municípios deram aos recursos destinados a combater a pandemia, além de apurar responsabilidades do Governo Federal.

               Ontem todos os veículos de comunicação direcionaram seus noticiários para a CPI. A Covid-19, depois de muito tempo como protagonista, virou coadjuvante. Por algumas horas o Brasil mergulhou num cenário de “normalidade”, onde os movimentos políticos fazem o espetáculo.

               A CPI, nesse caso, serviu como cortina de fumaça. Mas desviar atenção da população não extermina o vírus, não salva milhares e milhares de pessoas em estado grave nas UTIs e nem cura os que, nos estertores finais, esperam por um milagre.

               Nada mais inadequado, em tempos desesperadores, do que exercer política eleitoreira, construindo palanques sobre mais de 350 mil brasileiros mortos. Nada mais desrespeitoso, nada mais inútil que concentrar forças numa CPI que provavelmente findará sem nada de proveitoso.

               É lamentável, é vergonhoso, é trágico constatar que os representantes políticos do povo se movimentam tardiamente e pelo caminho errado. Correto seria acompanhar a destinação dos recursos a partir do momento que fossem creditados aos estados e municípios. Seria essa a obrigação dos parlamentares, cada um em sua região, no tempo devido. Bastaria ao parlamentar oficializar pedido à Controladoria Geral da União a fiscalização na aplicação dos recursos e, existindo dúvidas, ações previstas em Lei poderiam ser imediatamente executadas.

               Agora, quando enfrentamos, queira Deus, os dias mais sombrios desde o inicio da pandemia, correto seria a junção de forças para garantir vacinas em quantidade necessária e com a urgência percebida, assegurar o abastecimento dos hospitais com insumos e medicamentos vitais para recuperação e sobrevivência de pacientes, criar ferramentas de auxilio às empresas e produtores rurais de pequeno e médio porte e, principalmente, configurar planos a médio e longo prazo para recuperar um país que estará, sem dúvida, destroçado quando a pandemia retroceder.

               Não é hora de procurar quem errou. É hora de não cometer os mesmos erros, porque o coronavírus não será extinto com discursos, muito menos que ações teatrais, porque distrair o povo também não afeta o vírus.

               Não é possível que 358 mil mortes não sejam o bastante para convencer tanto os gestores quanto o povo brasileiro que o vírus é poderoso e letal. É importante que todos façam sua parte, que se protejam,  cumpram protocolos de prevenção recomendados pelas autoridades sanitárias

Asseguro que o coronavírus é um predador. E não afirmo isso por “achismo.” Minha afirmação vem da experiência de enfrentar vírus durante longas, sofridas e extenuantes semanas. Graças a Deus e ao conhecimento cientifico dos médicos, venci a batalha.

 Luis Claudio da Agricultura