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Confiança no Facebook: Big Data é o novo petróleo

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O recente escândalo do Facebook–Cambridge Analytica reforça um temor que as pessoas sempre tiveram: o risco de confiar os dados a redes sociais e outras companhias de tecnologia. Segundo o professor de Direito Constitucional da Escola de Direito da Universidade de Yale, fundador e diretor do Information Society Project, Jack Balkin, é preciso repensar a proposta de fazer das empresas online “depositários da informação” e, principalmente, avaliar os riscos dessa nova realidade.

O capitalismo e as inovações tecnológicas do sistema cada vez mais se retroalimentam por meio da monetização dos dados pessoais. “Esta é uma maneira educada de dizer que ele se alimenta de vigilância, manipulação e controle de seus usuários. Há um ditado famoso no Vale do Silício que diz que o big data é o novo petróleo – uma fonte fácil de ser extraída e à espera de ser controlada para comandar os motores da economia digital”, afirma Balkin.

Não há somente risco para os consumidores, mas também para os cidadãos. O escândalo da Cambridge Analytica mostrou que os dados não são apenas usados para o enriquecimento das empresas, mas do mesmo modo em governos e fatores políticos. A ideia era influenciar os eleitores em 2016, da maneira como o governo russo fez. Não se sabe da real eficiência da Cambridge com os eleitores, mas é inegável que as consultorias que fazem trabalhos como esse estão ficando cada dia melhores na manipulação de pessoas. Basta observar o crescente talento dos anunciantes que usam esses serviços em mandar mensagens para os potenciais consumidores.

O professor de Yale constata que os governos querem acessar dados pessoais não somente para manipular, mas para vigiar. “O uso de dados os auxilia a observar a população — cidadãos de seu próprio país e do resto do mundo.” 

Desastre — O evento certamente foi um desastre nas relações públicas para o Facebook, que tenta minimizar os danos por meio de anúncios sobre novas reformas e programas. Apesar da boa vontade expressa de criar uma comunidade e conectar pessoas às informações significativas para elas, é preciso lembrar que, no seu núcleo, o Facebook é um negócio que ganha dinheiro com dados pessoais, por meio do controle das propagandas. Portanto, não deveríamos esperar que, sem a pressão dos governos, houvesse mudança significativa na sua maneira de fazer negócios.

“Eu não acredito que haverá movimentos nesse âmbito até que haja uma mudança no Governo dos Estados Unidos,  e que grandes partidos políticos encontrem no campo da privacidade dos dados  uma questão essencial para vencer as eleições”, diz o especialista.

As pessoas hoje dependem das empresas digitais para realizar muitas tarefas diferentes. E elas sabem muito sobre nós, ao passo que nós não sabemos sobre elas. Somos especialmente vulneráveis e confiando que não irão nos trair ou manipular para atingir seus fins.

E sobre o dever à lealdade? “O dever mais básico do Facebook não é atuar como trapaceiro. O seu dever é de não se manter como uma organização confiável que cuidará dos interesses dos seus usuários finais, para induzi-los a confiar nele, e depois virar as costas e traí-los, manipulando e causando danos a esses usuários para seu próprio benefício”, ressalta o professor.

Nessa situação, também, o Facebook não conseguiu alcançar seu objetivo. Por enquanto, as pessoas já esperam que a empresa mostre propagandas baseadas em dados coletados sobre os clientes. O simples fato de gerar dinheiro por meio de anúncios segmentados não significa que ele viola o dever de lealdade. Mas uma coisa é entregar anúncios sobre shampoo, por exemplo, no seu feed, e outra completamente diferente é dar acesso a informações pessoais a negócios como a Cambridge Analytica, que está deliberadamente tentando manipular os usuários ao mostrar anúncios políticos. A objeção não está no conteúdo político dos anúncios, mas no uso inesperado dos dados pessoais, que muitos pensariam ser ofensivo e uma quebra de confiança.

Para Jack Balkin, algumas características do modelo de negócios do Facebook estão totalmente corretas no que se refere à lealdade. No entanto, com muita frequência, a empresa tem abusado da confiança de seus usuários. “A questão discutida aqui é sobre elevar o padrão de confiança precisamente por causa do poder que o Facebook mantém sobre os clientes”.