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Mato Grosso

Comandante-geral planeja auxílio psicológico em batalhão da PM e cita estresse da profissão

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Lidar diariamente com situações estressantes, de violência, conflitos, entre outras. Essas são algumas das atribuições de policiais, uma das profissões mais perigosas do mundo. Em 2019, total de 189 policiais militares no Estado de Mato Grosso se afastaram da atividade para tratamento de saúde. Também houve dois casos de suicídio na Instituição. Em entrevista exclusiva ao Olhar Direto, o comandante-geral da PM, coronel José Jonildo de Assis, disse que a PM trabalhou ao longo do ano com um ciclo de palestras em todos comandos regionais para tentar evitar que a doença silenciosa faça mais vítimas.

“A gente buscou fazer essas palestras primeiramente na baixada cuiabana, depois externamos para todos comandos regionais. Em 2020, a ideia é potencializar ainda mais. Buscamos um pouco de conhecimento fora, em Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro. Estamos trazendo todo esse conhecimento para que a gente possa aplicar também. Fizemos parcerias com universidades, com as nossas escolas do Estado”, disse. Conforme dados da assessoria de imprensa da PM, atualmente quatro psicólogos e dois assistentes sociais estão atuando no atendimento dos militares.

Segundo ele, dentro do Plano de Comando, há um eixo de valorização profissional e de boas práticas. “Dentro deste eixo, pegamos o nosso centro de assistência social, que é muito bem conduzido pelo tenente-coronel Diego e promovemos um ciclo de palestras sobre prevenção de suicídio, identificação de sinais de pessoas que estejam em depressão”, acrescentou o comandante.

“Para se ter uma ideia, a profissão de policial, segundo a Organização das Nações Unidas, é uma das estressantes que existem no mundo, mesmo porque diferente do estresse pós-traumático de alguém que vá a uma guerra, nós vivemos nesse estresse um pouco diferenciado, todos os dias”, afirma. Assis pondera também que mesmo que esteja sem a farda, o tirocínio policial acompanha o militar o tempo todo.

O coronel da PM também afirmou que há um projeto para implantação de assistência psicológica na sede do 3º Batalhão, na região do CPA.  “Nós estamos fazendo um projeto piloto conduzido pelo tenente-coronel Fernando, do 3º Batalhão, na região do CPA, que é um gabinete de atendimento psicológico, em um espaço criado dentro do Batalhão para que a gente possa atender em parceria com psicólogas. A ideia é fazer avaliação deste piloto no primeiro semestre de 2020 e tentar levar isso para o interior em parceria com outros órgãos. Teremos grandes resultados daqui para frente”, projeta.

Casos com PM’s

A soldado da Polícia Militar, Silvana Rocha Carvalhais, foi encontrada morta com um tiro na cabeça e outro no braço, na manhã do dia 17 de julho de 2019, dentro de sua casa no município de Juruena (a 912 quilômetros de Cuiabá). De acordo com a PM, Silvana teria pedido a transferência de unidade após relatar ter sido agredida pelo ex-marido.

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Os vizinhos da soldado escutaram o barulho de tiros vinda da casa dela e quando foram verificar já encontraram Silvana caída no chão. Eles acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para prestar socorro a vítima, mas quando a equipe chegou no local a soldado já estava sem vida.

A subtenente Márcia Cristina Motta, de 46 anos, foi encontrada morta no dia 2 de março, de 2019, em Cuiabá. O corpo da policial foi encontrado no apartamento dela com uma perfuração de projétil de arma de fogo no tórax. A militar sofreria de depressão. Há 20 anos no exercício da carreira na PM mato-grossense, Márcia serviu em diversas unidades, entre as quais o quartel do Comando Geral, em Cuiabá, o Regimento Montado (Cavalaria) e o Batalhão Especializado de Trânsito, onde estava lotada.

Luto

Sobre o suicídio

O suicídio é um problema de saúde pública que mata pelo menos um brasileiro a cada 45 minutos, mais do que a Aids e muitos tipos de câncer, porém pode ser prevenido em 9 de cada 10 casos. O movimento Setembro Amarelo, mês mundial de prevenção do suicídio, iniciado em 2015, visa sensibilizar e conscientizar a população sobre a questão – www.setembroamarelo.org.br.

Sobre o CVV

O CVV presta serviço voluntário e gratuito de prevenção do suicídio e apoio emocional para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo. Os cerca de 3 milhões de atendimentos anuais são realizados por 3.000 voluntários em 104 postos de atendimento pelo telefone 188 (sem custo de ligação),  ou pelo www.cvv.org.br via chat ou e-mail. A entidade realiza também ações presenciais, como palestras, cursos e grupos de apoio a sobreviventes do suicídio – GASS (https://www.cvv.org.br/cvv-comunidade/).

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