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Com medidas mais restritivas desde o início da pandemia, cidades isoladas no Acre registram menor nº de mortes por Covid


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Jordão foi a penúltima cidade do estado a registrar morte pela doença e, após um ano, teve apenas um caso de óbito. Porto Walter foi a última cidade acreana a registrar o primeiro óbito e, desde então, teve dois casos.

Um ano após registrarem os primeiros óbitos por Covid-19, as cidades de Jordão e Porto Walter têm os menores números de mortes pela doença. Conforme dados do boletim divulgado diariamente pela Secretaria Estadual de Saúde, Jordão tem somente um caso e Porto Walter dois

As duas cidades estão entre as isoladas no Acre, onde para se chegar só é possível por meio de barco ou avião de pequeno porte.

Com pouco mais de 8 mil habitantes, Jordão foi o penúltimo município acreano a registrar morte pela doença. A primeira e única morte na cidade foi do indígena Roldão Kaxinawá, de 99 anos, no dia 11 de julho do ano passado, após 10 dias de luta contra a Covid-19. Ele estava internado no Instituto de Traumatologia e Ortopedia (Into), em Rio Branco.

A cidade registra ainda o menor número de casos confirmados de Covid-19 do estado, com um total de 351 e tem a quarta menor taxa de incidência da doença no Acre, com 41,4 casos para cada mil habitantes.

Já Porto Walter, com pouco mais de 12 mil habitantes, foi a última cidade do estado a ter o primeiro óbito pela Covid-19. O idoso Francisco Lau, morreu na UTI do Hospital do Juruá, em Cruzeiro do Sul, no dia 20 de julho do ano passado. Conhecido como Chico Lau, o idoso era muito popular e querido na cidade.

Com relação ao número de casos, Porto Walter tem o segundo menor número de infecções pelo novo coronavírus e está sem segundo lugar com menor taxa de incidência da doença, com 36,2 para cada 10 mil habitantes.

Jordão chegou a manter pessoas que chegavam na cidade em quarentena de 14 dias — Foto: Jardy Lopes/Arquivo pessoal

Medidas no Jordão

Em Jordão, antes de registrar o primeiro óbito, a cidade tomou medidas rígidas de prevenção contra a doença, mantendo pessoas que chegavam em embarcações e aviões em quarentena por 14 dias.

Em reportagem publicada em maio do ano passado, a prefeitura informou que pelo menos 100 pessoas que chegaram ao município tiveram que ficar em isolamento em escolas para poder ir para casa. Além disso, na cidade ficaram suspensos os voos e quem chega através do rio vai para o isolamento. As medidas estavam determinadas em um decreto.

Ao G1, o atual prefeito do Jordão, Naudo Ribeiro (PDT), afirmou que atribui o baixo número de óbitos às medidas que foram adotadas desde o início da pandemia e que perduram até agora, após mais de um ano e diz que a população da cidade tem respeitado desde o início todas as orientações.

Caixas d’água em pontos estratégicos

Outro ponto que ele citou é que a grande maioria dos moradores do Jordão são da zona rural e que, naturalmente, já vivem em isolamento social.

“Nós temos tomado todas as medidas que o Ministério da Saúde orienta e a população tem sido bem parceira, atende o que a gente vem falando. Colocamos também caixas d’água distribuídas pela cidade próximo a locais de maior movimento, como lotéricas, com sabão para que as pessoas possam lavar as mãos, além de álcool em gel. Então foi uma série de medidas que tomamos que hoje, graças a Deus, o município teve somente esse óbito. Tem dia que não tem nenhum caso e quando tem, as pessoas se recuperam em casa mesmo”, disse o prefeito.

Sobre a vacinação, o prefeito informou que estão imunizando idosos com idade acima de 60 anos e indígenas que vivem em aldeias e que começaram a vacinar os moradores da zona rural. Segundo portal da transparência do governo, no Jordão foram aplicadas 1.148 doses. Mas, de acordo com dados da prefeitura, a cidade já aplicou 1.227 doses.

Medidas em Porto Walter

Assim como no Jordão, a prefeitura de Porto Walter também tomou medidas duras desde o início da pandemia no estado e chegou a publicar decreto proibindo a entrada de pessoas de outras cidades, estados ou países no município.

No caso de moradores de Porto Walter que estivessem retornando à cidade, estes tinham que passar por uma triagem e monitoramento da equipe de Saúde. Em seguida, ficavam em quarentena em casa, sendo proibidos de sair.

Outra medida tomada na época foi a proibição da entrada de turistas ou pessoas que não façam parte da equipe de Saúde indígena nas aldeias. O decreto recomendava ainda que as comunidades indígenas evitassem a ida até a zona urbana do município para evitar contaminação.

A cidade também fez barreiras sanitárias nos acessos de entrada. Em maio, mesmo ainda sem ter nenhum caso de Covid-19 confirmado, a cidade publicou um decreto proibindo por 15 dias as viagens áreas e fluviais na cidade. Quem descumprisse a determinação poderia ser multado em mais de R$ 2 mil.

G1 tentou contato com o prefeito Cesar Andrade (MDB) para saber quais medidas seguem sendo tomadas pela cidade e a que ele atribui o baixo número de óbitos por Covid-19, mas não obteve sucesso até última atualização desta matéria. A reportagem também entrou em contato com a secretária de Saúde do município, Ana Flávia, mas não conseguiu retorno.

Conforme portal da transparência do governo, Porto Walter aplicou 737 doses da vacina contra a Covid-19, até esta sexta-feira (9). Já segundo a prefeitura, a cidade recebeu 2.512 doses no total e aplicou 812.

Um ano da primeira morte no Acre

Na última terça-feira (6), o Acre completou um ano da primeira morte por Covid-19. A vítima foi Antônia Holanda, de 79 anos, moradora de Rio Branco. Três dias após ter dado entrada na Unidade de Pronto Atendimento do Segundo Distrito, na capital acreana, a idosa não resistiu à doença e faleceu após seguidas paradas cardíacas.

Até essa quinta (8), o estado registrou, no total, 1.325 mortes pela Covid-19, segundo o último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre). São 72.403 infectados desde o início da pandemia. Nos oito primeiros dias de abril já são 63 mortes pela doença. Em todo o mês de abril no ano passado foram 19 óbitos pela doença.

O Acre vive o pior momento da pandemia. Com o sistema de saúde em colapso, o governo precisou transferir pacientes para a cidade de Manaus (AM). O estado também chegou a passar pelo susto de uma possível falta de oxigênio nas unidades de saúde.

Com os leitos de UTIs lotados, os pacientes esperam em filas para conseguir se internar tanto em unidades de saúde públicas quanto particulares. Nessa quinta, a Saúde informou que sete pacientes estão na lista à espera de um leito de UTI.

O mês de março foi o pior em relação a mortes desde quando o estado teve o primeiro caso da doença. Foram, no total, 264 mortes pela Covid-19. Abril iniciou também com o recorde de casos, foram 864 novos casos em apenas 24 horas de infecção pelo novo coronavírus.

G1.globo.com