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Com estradas fechadas, falta combustível em Mato Grosso

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A manifestação dos caminhoneiros entrou, ontem, no quarto dia afetando o abastecimento de produtos nos mais diferentes setores de Mato Grosso, especialmente, os dos postos de combustíveis. Com isso, órgãos públicos estaduais e municipais de Mato Grosso, como o de Segurança Pública do Estado (Sesp) e o de Mobilidade Urbana (Semob), em Cuiabá, começaram a estudar estratégias para garantir à população os serviços de policiamento e transporte coletivo, respectivamente, caso os bloqueios nas rodovias continue.

Reuniões com o objetivo de definir uma espécie de plano “B” e as medidas a serem adotadas ocorreram ontem à tarde. De acordo com a assessoria de imprensa da Sesp, as estratégias na área de segurança seriam apresentadas pelo setor de transporte do órgão estadual ao secretário Gustavo Garcia com o intuito de garantir as viaturas nas ruas do Estado.

Já na Semob, representantes das empresas que operam no transporte coletivo da capital se reuniram com o titular da pasta, Antenor Figueiredo, com um intuito de definir linhas de ônibus prioritárias, consequentemente, a racionalização de operação da frota na cidade.

Para ontem, as concessionárias esperavam chegada de uma carreta com combustível para o abastecimento dos coletivos, mas o veículo com a carga não chegou. Com isso, a frota pode ser reduzida pela metade, ou seja, de 400 para 200 ônibus, assim como ocorre nos fins de semana. Na capital, outra preocupação é com a manutenção da coleta de lixo pelos bairros da cidade.

Na capital e em Várzea Grande, alguns postos de combustíveis informaram que o estoque de etanol já havia esgotado e o mesmo estava para ocorrer com a gasolina. Nas demais cidades do Estado, de acordo com o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis de Mato Grosso (SindiPetróleo), também há falta de produtos.

“Não há como apurar a quantidade de postos paralisados uma vez que existem 1.000 empresas do setor em todo o Estado com capacidades volumétricas (tancagens) diferentes, mas há confirmações de postos sem produtos em Tapurah, Primavera do Leste, Nova Xavantina, Diamantino e Juína”, informou diretor executivo do sindicato, Nelson Soares Júnior.

Por todo o Estado, houve filas nos estabelecimentos e a falta do produto em algumas revendas gerou mais movimento nos postos com combustíveis e, com o aumento da demanda, o estoque pode se esgotar antes do previsto (entre hoje e amanhã). Entre os municípios que tiveram fila estão Tangará da Serra, Cáceres, Juína, Primavera do Leste, Barra do Garças, Diamantino, Rondonópolis e Nova Mutum. “Em muitos estabelecimentos no interior há apenas óleo diesel nos tanques”, reforçou.

De acordo Nelson Soares Júnior, se a situação não for resolvida pelo governo federal o mais breve possível as chances de ocorrer um colapso no país são grandes entre hoje e amanhã. “Todas as atividades econômicas estão afetadas e o país não aguenta mais do que amanhã (hoje)”, disse.

Outro setor de afetado é o de hortifrutigranjeiros. Conforme a presidente da Associação dos Permissionários do Terminal Atacadista de Cuiabá (Apetac), Marilda Giraldelli, o abastecimento do Ceasa-MT está comprometido. “Já não temos mais folhas, batatas e algumas frutas como a laranja”, comentou.

Já o presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Raulino Teixeira, informou que a crise no setor tem sido agravada pela greve dos caminhoneiros. Segundo ele, produtores estão enfrentando dificuldades com a falta de abastecimento e reposição de insumos e liberação de suínos vivos e com isso as granjas do Estado já apresentam mortalidade de animais por inanição. Situação semelhante também é registrada pelos frigoríficos localizados no Estado.

A greve dos caminhoneiros começou na última segunda-feira e ontem

alcançou 431 pontos de manifestação em todo o país, segundo a CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos). De acordo com a Abcam (Associação Brasileira de Caminhoneiros), são 402 pontos de manifestações.

Em seu quarto dia de protestos, os caminhoneiros ampliaram o total de pontos de bloqueio em relação à noite desta quarta (23), quando havia 384 atos no país, de acordo com a CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos).

Em Mato Grosso, a Policia Rodoviária Federal (PRF) contabilizava 25 pontos de bloqueios ao longo de rodovias como a BR-163, 364, 070, 158 e 174.

Por ordem da direção geral da PRF, os PRFs orientavam que os manifestantes retirassem os veículos que estão sobre as pistas a fim de evitar acidentes e garantir a fluidez no trânsito dos veículos de passeio, de emergência, ônibus e os com cargas perecíveis e vivas que tem livre circulação nos pontos de bloqueio.

“Os caminhoneiros, de forma pacífica, têm acatado as orientações dos policiais rodoviários federais e retirando os veículos das faixas de rolamento, passando a ocupar então às margens das BRs. É importante frisar que o Código de Trânsito Brasileiro – CTB prevê uma multa no valor de R$ 3.800 para condutores que usam qualquer veículo para, deliberadamente, interromper, restringir ou perturbar a circulação na via sem autorização do órgão com circunscrição sobre ela”, informou. A infração é gravíssima e prevê também a suspensão do direito de dirigir.

LIMINAR – Por conta dos bloqueios nas rodovias, a Acrimat entrou esta semana, com uma liminar na justiça pedindo ao Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens do Estado de Mato Grosso (Sindicam/MT) liberação de caminhões com rações para os animais e transporte de suíno vivo.

“Com os bloqueios as granjas já estão sofrendo com o baixo estoque de grãos e consequentemente animais estão morrendo. E a continuidade das paralisações reflete em ainda mais riscos para a cadeia produtiva, que há quase um ano sofre com o baixo preço pago pelo quilo do suíno e que tem tornado a atividade inviável para produtores no estado. Atualmente, o quilo do suíno vendido pelo suinocultor tem preço médio de R$ 2,55, sendo que o ideal, só para cobrir os custos de produção este valor deveria estar em torno de R$ 3,30”, pontuou o presidente da associação, Raulino Teixeira.

Segundo a Acrismat, a Nutribras Alimentos de Sorriso, um dos maiores frigoríficos de suínos do Estado, já informou em nota que paralisará suas atividades por três dias por conta da falta de insumos e combustível para manutenção das atividades. A empresa tem um plantel de 17 mil matrizes e capacidade de abate de até 3 mil suínos por dia.

ABATE – Com racionamento de ração em função dos protestos nas rodovias, os animais das indústrias de frango e suínos devem ser sacrificados antes do abate (abate sanitário). É o que relata o diretor-executivo da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), Ricardo Santin.

Segundo ele, as empresas não estão conseguindo levar alimento aos animais, que já começam a morrer e praticar canibalismo. “Trabalhamos com todas as normas de bem-estar para o abate, mas não estamos conseguindo cumprir com as regras porque estão sem comida”, diz.

Segundo Santin, 120 frigoríficos estão fechados no país e o prejuízo nas exportações de aves e suínos já supera os U$ 100 milhões. “Mas o maior problema agora é em relação à sobrevivência dos animais.”

O diretor da ABPA afirma que não há perda de qualidade dos alimentos, que já haviam sido produzidos. Ele também diz que a associação está buscando conversar localmente com os caminhoneiros para fazer o atendimento mínimo dos lugares onde já falta carne.