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Campanha Copa Sem Trabalho Infantil chega ao fim com resultados positivos entre donos de bares, que sentem maior conscientização dos clientes


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·   2,7 milhões de crianças e adolescentes entre cinco e 17 anos trabalham no Brasil, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2015.

·   Entre 2007 e 2017, 40.849 meninas e meninos se acidentaram enquanto trabalhavam, sendo 24.654 de forma grave, e 236 perderam a vida.

·   Entre os acidentes graves estão ferimentos de membros, traumatismo superficial, fraturas e até amputações de membros. Somente no ano passado, foram registrados 1.645 acidentes desse tipo. Entre 2016 e 2018 (dados parciais), houve 3.681 acidentes graves a membros superiores ou inferiores e sete crianças e adolescentes perderam de maneira traumática a própria mão. 

·   A maioria das crianças e adolescentes vítimas de acidentes de trabalho realizam atividades definidas pelo Decreto 6.481/2008 como piores formas de trabalho infantil, que são proibidas para pessoas com menos de 18 anos. Eles trabalham como empregados domésticos, no comércio, na agricultura, na construção civil e como açougueiros, entre outras atividades.

·   Entre as notificações graves estão amputações, traumatismos, fraturas e ferimentos nos membros, principalmente nos superiores. 

   ·   Os dados do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan/ MS) denunciam um dos riscos do trabalho infantil, que é a exposição a agravos na saúde e no desenvolvimento físico. 

·    Trabalhar antes da idade permitida acarreta prejuízos psicológicos, sociais, além de comprometer a frequência e a permanência escolar.

Fonte:  Rede Peteca – Chega de Trabalho Infantil

Desde o dia 12 de junho, dois dias antes do início da Copa do Mundo, orientadores socioeducativos da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social distribuíram 960 cartazes e 15 mil flyers em toda a cidade de São Paulo, especialmente nas regiões com concentração de bares da capital.

Os materiais enfatizam as consequências do trabalho infantil e a melhor forma de combatê-lo: acionando a assistência social por meio da central de atendimento 156 ou do site SP 156, em vez de comprar produtos ou dar dinheiro. Após a sensibilização promovida pela campanha durante a Copa, cuja final será neste domingo (15), serão distribuídas ainda cartilhas esclarecendo os principais mitos relacionados ao trabalho infantil, com o intuito de manter a mobilização de clientes e proprietários de bares para que notifiquem os casos de crianças trabalhando.

A campanha “Copa Sem Trabalho Infantil” foi desenvolvida pela ONG Cidade Escola Aprendiz, por meio da plataforma de comunicação Rede Peteca – Chega de Trabalho Infantil, especializada no enfrentamento ao trabalho infantil e na defesa dos direitos humanos. Participam da campanha a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo (Smads), a Cabify e a Sociedade Amigos de Vila Madalena (Savima).

A decisão de iniciar a campanha nesta época do ano se deu em virtude do início dos jogos da Copa, que começou no dia 14 de junho. O movimento para assistir as partidas acaba atraindo também o uso de mão de obra infantil no comércio ambulante, principalmente em regiões boêmias, como afirma Humberto, responsável pelo Bar Pasquim, na região de Pinheiros. “Tem muitas crianças trabalhando. Mais do que nunca. Antigamente, nós pedíamos para as crianças não venderem balas aqui e os clientes achavam ruim, achavam que estariam deixando de ajudar a criança ao não comprar seu produto. Hoje, com a campanha, os clientes estão conscientes de que se deixar a criança trabalhar aí sim a estará prejudicando”.

No distrito do Jardim Ângela, que tem um dos piores índices de trabalho infantil da cidade, a campanha também está ajudando na conscientização sobre trabalho infantil.  Frequentador dos bares da região, o marceneiro Franscisco Alves, de 53 anos, contou que ele mesmo não sabia como agir ao presenciar casos de trabalho infantil, mas depois de receber um flyer informativo de orientadores, quer mudar seus hábitos e fazer a denúncia no156. “A gente vê direto os meninos mais novos pegando ônibus para vender bala, vender paninho em outros bairros. Eu mesmo já dei dinheiro. Vou tentar ligar para Prefeitura da próxima vez”.

Nesse período da Copa, a campanha vem dando prioridade a três públicos: potenciais clientes que costumam visitar regiões da cidade onde existe grande incidência de trabalho infantil (ações online); frequentadores de bares e restaurantes de toda a cidade durante os jogos da Copa (abordagem presencial); e donos de bares e seus funcionários, já que eles têm contato direto com essa realidade (ação presencial).

“Culturalmente, o trabalho infantil ainda é bem aceito por grande parte dos brasileiros. Campanhas de comunicação como a Copa Sem Trabalho Infantil são de fundamental importância para esclarecermos a gravidade do problema e, assim, fortalecer o processo de erradicação”, conta Roberta Tasselli, gestora de Comunicação para o Desenvolvimento da Cidade Escola Aprendiz. 

Segundo ela, o intuito da ação não é punir as crianças e suas famílias, mas permitir que sejam identificadas e atendidas pelos programas sociais, interrompendo a prática do trabalho infantil. Tasselli observa ainda que a campanha adotou a estratégia de identificar as crianças e adolescentes vítimas do trabalho infantil no local em que elas efetivamente trabalham, uma vez que a venda de produtos, em geral, não ocorre no mesmo bairro em que elas residem. “As regiões boêmias da cidade atraem crianças e adolescentes das áreas mais socialmente vulneráveis da capital e até de cidades vizinhas”, explica.

A campanha se encerra neste domingo (15), na final da Copa do Mundo, dois dias depois do aniversário de 28 anos do ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente. Para celebrar a data, a Rede Peteca mantém uma edição especial sobre o tema em seu site – http://www.chegadetrabalhoinfantil.org.br

Consequências

O trabalho infantil aumenta os riscos de abuso sexual, consumo de drogas, aliciamento pelo tráfico, má formação física, traumas psicológicos e acidentes, como atropelamentos. Além disso, trabalhadores mirins têm maior risco de tornarem-se trabalhadores escravos na vida adulta ou moradores de rua.

Ações desenvolvidas na Campanha Copa Sem Trabalho Infantil

○ Distribuição de cartilhas em bares das regiões boêmias da cidade desfazendo mitos sobre o trabalho infantil 

○  Disseminação da informação sobre o trabalho infantil e como ajudar a combatê-lo. O canal telefônico 156 da Prefeitura, assim como o site SP 156, que recebem informações que auxiliam na identificação das crianças em situação de trabalho, estamparam flyers e cartazes distribuídos pelos orientadores da assistência social nas mesas dos bares da cidade.

○ Uso de QR Code nos flyers e cartazes, com direcionamento para o campo de notificação de trabalho Infantil no SP 156.

  ○  Distribuição de cartazes para donos e funcionários de bares, a fim de sensibilizá-los para a causa e instruí-los sobre o que fazer diante de casos de trabalho infantil;

  ○  Parceria com a empresa de transportes Cabify para aumentar a disseminação da ideia da campanha; a #chegadetrabalhoinfantil foi usada no aplicativo da empresa entre os dias 12 e 30 de junho.

○  Consolidação da presença online do tema, por meio de postagem de peças específicas, como vídeos, no Facebook e Instagram da plataforma Rede Peteca;

○  Busca de envolvimento de atletas, visando garantir apoiadores da causa no universo do esporte, em especial, do futebol, para ampliar a disseminação da temática permanentemente após a campanha.

○ Reforço na busca ativa:  As equipes de orientadores sociais da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, responsáveis pela identificação das crianças em situação de trabalho infantil, irão priorizar as ações de busca nas regiões boêmias da cidade durante os jogos da Copa, para que possam responder de maneira mais rápida às ligações para o canal 156.

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