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Caminhoneiros ignoram acordo e mantém protestos em Mato Grosso

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Em Mato Grosso, foram registrados 29 pontos de manifestação; falta combustíveis e hortifrutigranjeiros; servidor público é liberado

Os caminhoneiros mantiveram o protesto nas rodovias mesmo com o anúncio do governo federal de um acordo com representantes da categoria. Em Mato Grosso, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou, ontem, 29 pontos de manifestação com caminhões e carretas parados ao longo das pistas e nos pátios dos postos de combustíveis. No estado, a greve afeta diversos setores, como o do transporte coletivo, educação e de alimentos.

No país, a paralisação atingia 24 estados e o Distrito Federal. No início da tarde, o governo federal anunciou a autorização do uso de forças federais de segurança para desbloquear as rodovias caso as estradas não sejam liberadas pelo movimento. Além disso diversos órgãos públicos anunciaram a suspensão do expediente.

Antes, logo após a divulgação pelo governo do acordo com oito entidades da categoria, os caminhoneiros autônomos parados afirmaram que não acabarão com a greve e que os “supostos sindicatos” que estão negociando como governo não os representam. “Estive durante à tarde hoje (anteontem) acompanhando as negociações entre o governo, por meio da Casa Civil, com o setor de transportes. Passaram a tarde fazendo discursos, apelando e implorando para o setor ceder e dar uma trégua. O setor não cedeu por que ainda têm itens da pauta que não foram atendidos. Os dois itens mais importantes não foram atendidos que é a redução do preço dos combustíveis por meio da isenção do PIS e do Cofins e o projeto 121, de 2017 (do preço mínimo do frete). Então, não houve nenhum acordo”, afirmou o caminhoneiro Gilson Baitaca, de Lucas do Rio Verde (334 quilômetros, ao norte de Cuiabá).

Por conta do movimento, postos de combustíveis, desde a última quarta-feira, já não tinham mais produto, especialmente o etanol, armazenado. Ontem, vários estabelecimentos só contavam com o diesel e outros estavam fechados. O diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis de Mato Grosso (Sindipetróleo), Nelson Soares Junior, informou que com a sequência da greve dos caminhoneiros os postos da capital deveriam ficar sem combustível ainda ontem (25). “Nós acreditamos que à tarde seca todo mundo e não tem mais combustível para o final de semana”, disse.

No Centro de Abastecimento da capital, a estimativa era de que de 30% a 40% dos estandes já estavam sem produtos ou fechados. Por lá, não havia mais produtos como, batata, banana, laranja e folhas. A coleta de lixo também está comprometida em várias cidades mato-grossenses. Em municípios como Primavera do Leste e Tangará da Serra, a falta do combustível afetou o transporte escolar. Nessas duas cidades, as prefeituras decidiram priorizar o transporte dos alunos da rede rural por conta da distância das casas até a escola.

A Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat) informou que os produtores estão enfrentando dificuldades com a falta de abastecimento e reposição de insumos e liberação de suínos vivos e com isso as granjas do Estado já apresentam mortalidade de animais por inanição. Situação semelhante também é registrada pelos frigoríficos localizados no Estado. Por conta do problema, a Acrismat entrou com uma liminar na justiça pedindo ao Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens do Estado de Mato Grosso (Sindicam/MT) liberação de caminhões com rações para os animais e transporte de suíno vivo.

Já a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) informou que como medida de racionamento foram determinadas as suspensões de viagens e uso de veículos para expediente do órgão, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros Militar, Polícia Militar e Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), sendo que a prioridade é a atividade operacional.

“Os veículos das forças de segurança estão abastecidas e existem tratativas com postos de combustíveis no estado para que reservem cotas para abastecimento de viaturas”, afiançou. O órgão estadual garantiu ainda que o policiamento, investigações, ações, salvamentos e perícias em locais de crime estão mantidos. “A Secretaria de Estado de Segurança Pública fará o monitoramento permanente da execução das atividades”, destacou.

Ainda na capital, a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que o pronto-socorro ainda não tinha problemas de abastecimento. Porém, ontem à tarde seria realizada uma reunião para montar um plano de contingenciamento. O objetivo do hospital é se precaver contra uma possível falta de oxigênio e outros mantimentos caso a greve continue.

Além disso, a concessionária Águas Cuiabá informou que só possui estoque de insumos suficientes para mais 10 dias. Por isso, serão priorizados atendimentos emergenciais, ficando suspensos pequenos reparos no sistema de abastecimento. A orientação é que a população economize água.

Enquanto isso, o movimento dos caminhoneiros voltou a ganhar apoio de motoristas de vans escolares, Uber e taxistas. Os manifestantes novamente também realizaram carretas por vias da cidade, como a Fernando Correa da Costa e do CPA, até o Centro Político Administrativo (CPA), com retorno ao Distrito Industrial, na BR-364.

A paralisação nacional começou na segunda-feira (21). Os caminhoneiros protestam contra o alto custo do diesel, o que, segundo eles, torna inviável o transporte de mercadorias no país. O preço subiu desde que a Petrobrás, empresa brasileira de petróleo, começou a repassar os aumentos do custo do combustível definidos no exterior.

No início da noite da última quinta-feira, o governo federal e representantes de caminhoneiros chegaram a anunciar um acordo e que a paralisação seria suspensa por 15 dias. Porém, das onze entidades do setor de transporte, que participaram do encontro, uma delas, a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), que representa 700 mil caminhoneiros, recusou a proposta.

EXPEDIENTE PÚBLICO – Por conta do movimento dos caminhoneiros, o expediente na maioria dos órgãos públicos de Mato Grosso foi suspenso ontem.

O governador Pedro Taques (PSDB) baixou um decreto suspendendo o expediente em todos órgãos da administração direta e indireta. Cabe aos dirigentes de cada órgão manter os serviços essenciais.

O Poder Judiciário também parou. A portaria foi assinada pelo presidente Rui Ramos Ribeiro, e considera os transtornos causados no transporte público e particular. Conforme o TJ/MT, em razão da escassez de combustível e que estavam dificultando o deslocamento de advogados, jurisdicionados aos fóruns do Estado.

Por motivos semelhantes, a suspensão das atividades, exceto as consideradas essenciais, também foi tomada pela Prefeitura de Cuiabá, Ministério Público (MPE), Tribunal de Contas (TCE) e Defensoria Pública. Pelo decreto assinado pelo prefeito Emanuel Pinheiro e publicado ainda ontem à tarde no Diário Oficial de Contas, a deliberação tinha como efeito exclusivo para a sexta-feira, com as atividades sendo retomadas normalmente na próxima segunda-feira (28). No centro da capital, alguns lojistas também decidiram liberar os funcionários mais cedo.

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