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Acordo sobre desmatamento na Amazônia, entre EUA e Brasil, emperra a uma semana da Cúpula da Terra


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As negociações entre Brasil e Estados Unidos para um acordo de redução do desmatamento da Amazônia chegaram a um impasse, disseram à Reuters duas fontes que acompanham o tema. O pacto, que deveria ser anunciado antes da Cúpula do Dia da Terra na próxima semana, encontra dificuldades em relação às decisões financeiras.

O presidente Jair Bolsonaro é esperado no encontro, organizado pelo presidente norte-americano Joe Biden com 40 chefes de Estado para discutir a preservação ambiental. Até agora, entretanto, não há sinais de que um acerto pode ser alcançado antes do dia 22, com os dois países longe de um acordo.

Segundo fontes ouvidas pela Reuters, o governo brasileiro pede a liberação de recursos antecipadamente para ser capaz de melhorar a proteção da floresta e desenvolver projetos sustentáveis na região. No entanto, os norte-americanos insistem em ver resultados do compromisso brasileiro com a queda do desmatamento antes de entregar qualquer verba.

As negociações começaram em fevereiro, com uma videoconferência entre o emissário especial dos Estados Unidos para o clima, John Kerry, e o ministros do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo – substituído por Carlos Alberto França.

Desde então, Brasil e Estados Unidos tiveram encontros regulares em nível técnico para tentar chegar a um acordo. As negociações terminaram por se concentrar em desmatamento, um tema vital nas discussões contra mudanças climáticas, com a possibilidade do governo norte-americano financiar ações no Brasil, que enfrenta sérios problemas econômicos.

O desmatamento na Amazônia explodiu em 2019, depois da eleição de Bolsonaro e atingiu, em 2020, o maior índice desde 2012, com 11.088 km² de mata desmatada entre agosto de 2019 e julho de 2020, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Procurado, o Ministério do Meio Ambiente não respondeu a pedidos de comentário sobre as negociações.

O Departamento de Estado norte-americano, em uma declaração enviada à Reuters, disse que espera ver um compromisso claro do governo brasileiro em acabar com o desmatamento ilegal, adotando passos claros para aumentar a efetividade da aplicação da lei, e um sinal político de que essas ações não serão mais toleradas.

“Nós acreditamos que é realista para o Brasil atingir uma queda real no desmatamento até o final do período de queimadas de 2021”, diz a declaração enviada por e-mail. Em nota enviada à Reuters, o Itamaraty informou que está em negociações com os Estados Unidos sobre mudanças climáticas e maneiras de aumentar a proteção da Amazônia, mas que as conversas são “exercícios exploratórios” e não discussões formais. De acordo com a instituição, os esforços para combater o desmatamento desde 2006 evitaram a emissão de bilhões de toneladas de dióxido de carbono que, se fossem adequadamente compensadas, chegariam a algo entre US$ 30 e US$ 40 bilhões.

Para efetivamente combater o desmatamento “são necessários recursos vultosos, sobretudo oriundos de cooperação internacional, com os quais o governo brasileiro espera poder contar”, diz a nota no ministério. O impasse se concentra em quando e se os Estados Unidos pagariam ao governo brasileiro para a proteção da Amazônia.

Forbes Brasil