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A importância da Epidemiologia na gestão da saúde


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São muito os elementos que podem prejudicar nossa saúde: gênero, genética, grau de educação, miséria, um grande leque de doenças, ociosidade, falta de informação entre outros. Sendo um ramo da medicina, a Epidemiologia estuda os diferentes fatores que intervêm na difusão e propagação de doenças, sua frequência, seu modo de distribuição, sua evolução e a colocação dos meios necessários para sua prevenção. Podemos, portanto, dizer que a Epidemiologia se presta a modificar os potenciais prejuízos à saúde através da geração de conhecimento. “O conhecimento é o maior inimigo da doença (Muir Gray).

A assimetria de informações entre a necessidade de saúde e o sistema de atenção praticado constitui o maior problema do gestor que necessita intervir de forma eficiente.

Ainda mais, a Organização Mundial de Saúde adverte que “os sistemas de saúde em todo o mundo estão falhando, pois não estão conseguindo acompanhar a tendência de declínio dos problemas agudos e de ascensão das condições crônicas. Quando os problemas de saúde são crônicos, o modelo de tratamento agudo não funciona”.

Artigo recente da Folha de São Paulo de 25 de agosto de 2018, intitulado E agora, Brasil? enaltece que temos aumento na taxa de mortes prematuras por doenças crônicas após levantamento inédito do Ministério da Saúde a respeito dos óbitos entre pessoas de 30 a 69 anos. Possivelmente o aperto das contas públicas em alguns estados, por conta da crise, piorou o nível de assistência. Não bastasse a perda humana, esse dado epidemiológico aponta a necessidade imediata de programas para doenças crônicas como forma de diminuir o alto custo da saúde nos dias atuais sem conseguir aumentar a qualidade da assistência proporcionalmente.

É justamente pelo uso consciente, explícito e criterioso das melhores evidências científicas disponíveis na literatura médica, aliado ao conhecimento da distribuição das doenças, que a gestão da saúde será eficaz.

As empresas hoje, no mundo globalizado, vivem paradoxos: A China provou que capitalismo não requer democracia; a globalização requer integração econômica mas não cria economias iguais; a globalização cria uma cultura diversificada e não uniforme. Graças à tecnologia, esses paradoxos da globalização, em especial o sociocultural, influenciam não apenas nos países, mas também nas pessoas. Indivíduos ansiosos e sobrecarregados por valores conflitantes deturpam seu estilo de vida e é este o principal fator que influencia o processo saúde-doença.

Podemos dizer também que a Epidemiologia favorece o empoderamento das pessoas, uma vez que guia o gestor da saúde e seus stakeholders ao verdadeiro fortalecimento do indivíduo por engajamento no seu processo de saúde e enfrentamento causal da doença (prevenção).

Entretanto, para que tudo isso ocorra com impacto social positivo, faz-se necessário que os sistemas de informação epidemiológica e os sistemas de gerenciamento dos serviços de saúde estejam unificados e sem dicotomias. Salientamos sem dicotomias, isto porque, as lógicas dos sistemas de informações gerenciais e epidemiológicas são distintas historicamente: a base da coleta de dados para a epidemiologia é a população enquanto que a base de coleta de dados gerenciais são os serviços de saúde.

A prática mais comum e imperfeita no momento de alocação de recursos, por exemplo, observa apenas a relação entre o programado e o produzido; não integrando a riqueza das informações epidemiológicas no processo decisório. Felizmente, já é realidade para alguns setores, a utilização de plataforma digital que integra as métricas gerenciais e epidemiológicas de maneira amigável e eficiente.

Somente com estas informações integradas pode-se obter uma melhor compreensão do modelo assistencial, seus custos e, principalmente, sua qualidade. O olhar epidemiológico nas avaliações de estruturas organizacionais e dos processos de elaboração e implantação de programas é fundamental pois padroniza o conjunto de variáveis cujos resultados (esperados ou não) responderão pelo desfecho final.

Irineu F.D.S. Massaia é Professor Adjunto da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo  e Diretor de Operações na eZVida. Contato: [email protected]fcmsantacasasp.edu.br

Referências Bibliográficas

  1. Massaia, I.F.D.S.; Pereira Junior, N. Saúde coletiva e atenção primária à saúde. 1. ed.-Rio de Janeiro: Atheneu, 2018.
  2. Gray, J.A.M; How to get better value healthcare. Offox Press,2007.
  3. André, A.M. Gestão estratégica de clínicas e hospitais. Atheneu,2010.
  4. Topol, E.J. The creative destruction of medicine: how the digital revolution will create better health care. Philadelphia:Basic Books, 2013.
  5. Kotler, P. Marketing 3.0: as forças que estão definindo o novo marketing centrado no ser humano. -Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.