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900 procedimentos deixam de ser realizados na Santa Casa de Misericórdia

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A suspensão dos atendimentos decorre do não repasse de recursos da ordem de R$ 18 milhões, que o hospital afirma ter com o Estado e a Prefeitura, sendo que ambos negam a dívida

Após 24 dias, as cirurgias nas mais diferentes especialidades para novos pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS) permanecem suspensas na Santa Casa de Misericórdia, em Cuiabá. Desde então, aproximadamente 900 atendimentos hospitalares e cirúrgicos pelo SUS deixaram de ser realizados pela instituição filantrópica. Tal situação sobrecarrega outras unidades, a exemplo dos prontos-socorros da capital e de Várzea Grande e tende a se agravar com a possível paralisação de serviços pelo Hospital Geral a partir de próxima segunda-feira (27).

Somente ambulatoriamente (não exige internação), a Santa Casa respondia pela assistência de pelo menos 300 pessoas por dia nas mais diversas áreas, como oncologia, nefrologia e cardiologia, que também estão interrompidas. Ainda assim, sem previsão de uma solução para o problema.

A suspensão decorre do não repasse de recursos da ordem de R$ 18 milhões, que a direção do hospital afirma ter com o governo do Estado e a Prefeitura da capital. Porém, os gestores estadual e municipal não reconhecem a dívida e afirmam que estão em dia com os repasses à unidade hospitalar.

Diante do impasse, o Ministério Público do Estado (MPE) há pouco mais de semana instaurou um inquérito civil para apurar se há ou não irregularidade nos repasses por parte da Prefeitura à Santa Casa. Enquanto isso, o anseio dos pacientes aumenta diante da iminente possibilidade fechamento das unidades de tratamento intensivo (UTIs) pediátrica e neonatal da Santa Casa.

Além disso, os funcionários de todos os setores da instituição seguem sem receber. Os enfermeiros, médicos e funcionários em geral estariam há quase três meses sem receber. Diante da situação, os trabalhadores da enfermagem entraram em greve. Alguns também já começaram a pedir demissão.

Apesar da situação, conforme o diretor de Marketing do Hospital, Dario Scherner, o quadro continua o mesmo. “Governador ficou de nos dar essa saída junto com prefeito e bancada, mas até agora não temos resposta definitiva”, disse.

HOSPITAL GERAL – O Hospital Geral e Maternidade de Cuiabá decidiu suspender novos atendimento a partir da próxima segunda-feira (27). Em nota, a direção da instituição filantrópica informou que em reuniões realizadas o prefeito Emanuel Pinheiro e o secretário municipal de Saúde reconheceram os débitos em aberto apresentados e formalizaram acordo de que os valores seriam repassados até sexta-feira da semana passada.

Contudo, segundo o hospital, o acordo não foi cumprido por nenhuma das secretarias. “A SMS, detentora da nossa contratualização, havia se comprometido a repassar as emendas parlamentares até segunda-feira (13) e os incentivos municipais ainda pendentes até sexta-feira (17), bem como a Ses/MT também se comprometeu a transferir os valores em atrasos dos procedimentos cardiológicos (cirurgia cardíaca e angioplastia com stents farmacológicos) até 17 deste mês”, afirmou.

Porém, não foi cumprido. “Assim não temos outra alternativa a não ser paralisar novamente nossos atendimentos ambulatoriais e hospitalares a partir da próxima segunda-feira (27). O hospital buscou todas as alternativas e agiu incansavelmente para solucionar este problema sem causar prejuízos aos pacientes, mas infelizmente não encontramos a mesma disposição dos outros envolvidos”.

Já por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que repassou para o Hospital Geral na data de anteontem (21) o valor de R$ 1,7 milhão referente a emendas parlamentares. Na nota, a SMS reconheceu que alguns débitos com o HG.

Um deles de incentivo municipal de UTI, no valor de R$ 564 mil, para isso, SMS está aguardando empenho e recursos. Outro é referente a angioplastia coronariana, no valor de R$ 300 mil, que também aguarda recurso da Secretaria Estadual de Saúde (Ses/MT). Há ainda um referente a toracotomia, no valor de R$ 335 mil. “A SMS está aguardando recurso da Secretaria Estadual de Saúde”, frisou.