Com estoques mundiais reduzidos e demanda em alta, analista recomenda vendas escalonadas diante da volatilidade cambial e internacional
Variação cambial favorável para o dólar afeta preços e café cai forte em NY
O mercado do café opera em um momento de equilíbrio delicado entre pressões externas e fundamentos internos. Nesta terça-feira (3), o avanço do dólar frente ao real impulsionou os exportadores a voltarem suas atenções para o mercado internacional, enquanto as bolsas externas, como a de Nova York, registraram baixas expressivas. Apesar das quedas pontuais nas cotações globais, os estoques reduzidos e a demanda mundial aquecida continuam oferecendo sustentação aos preços da commodity.
Estoques Críticos e Demanda Aquecida no Cenário Global
A situação dos estoques certificados na Bolsa de Nova York é um dos fatores de maior atenção para o setor. De acordo com o corretor e comerciante de café Fabiano Odebrecht, os volumes estocados estão significativamente abaixo dos padrões históricos, situando-se em torno de 220 mil sacas, enquanto a média dos últimos cinco anos girava próxima a 800 mil sacas.
Em contrapartida, o consumo mundial para este ano tem perspectiva estimada em 178 milhões de sacas de café. Segundo Odebrecht, qualquer problema climático ou produtivo que afete as safras pode desencadear uma reação rápida de alta nos preços. "O que eu observo no mercado de café é que está bem apertado o consumo e a demanda do café, e a gente não tem muito estoque", destacou o especialista, ressaltando que, na faixa de US$ 2,80 por libra-peso, o momento atual segue muito favorável historicamente para os cafeicultores.
Firmeza no Mercado Interno e Quebra de Safra
Mesmo diante das oscilações em Nova York, o mercado físico brasileiro tem se mantido movimentado e firme. O país exportou recentemente cerca de 4,7 milhões de sacas em um único mês — patamar considerado expressivo — e deve manter o ritmo médio anual de exportação na casa de 41 milhões de sacas, aliado a um consumo doméstico estável em 21 milhões de sacas.
No entanto, a safra brasileira enfrentou adversidades climáticas, com chuvas fora de época e fermentação de grãos na lavoura. Odebrecht pontuou que regiões como Piraju e Garça, no interior de São Paulo, além do Paraná, registraram perdas sensíveis. "O pessoal está achando que ficou uma grande quantidade de café no chão que não conseguiram colher", alertou, frisando que os números consolidados da safra ainda dependem de confirmação.
Estratégia Recomendada: Vendas Escalonadas
Diante da incerteza sobre o comportamento das cotações futuras e das decisões econômicas e cambiais, a recomendação para o cafeicultor é adotar cautela e disciplina comercial. O especialista reforça que tentar acertar o teto do mercado costuma ser arriscado.
A orientação é aproveitar os bons patamares de preços — que chegam a R$ 1.800 a R$ 1.850 a saca para cafés finos — para negociar café futuro e realizar vendas em lotes fracionados. "O produtor deve escalonar a venda dele. Ele não vai conseguir acertar o preço mais alto do mercado... O momento tá bom, ele tem que ir escalonando essa venda", orientou Odebrecht, frisando a importância de fechar negócios com parceiros comerciais e tradings de confiança.
Perspectivas para o Setor
A ausência dos antigos grandes estoques governamentais do Instituto Brasileiro do Café (IBC), que no passado mantinham reservas de 20 a 30 milhões de sacas, deixa o mercado sem uma rede de proteção volumosa. Assim, a relação direta e estreita entre oferta restrita e demanda consistente continuará sendo o termômetro para os negócios, exigindo atenção diária dos produtores aos fatores macroeconômicos e ao clima nas regiões cafeeiras.
* Com auxílio de IA

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