IA, ECA Digital, geopolítica e meio ambiente estão entre os assuntos; comentários preliminares também abordam os testlets e a redação sobre o SUS

Inteligência artificial, impacto ambiental dos data centers, proteção de crianças e adolescentes na internet e excesso de uso de telas estão entre os temas relatados pelos estudantes que começaram a deixar os locais de aplicação do Enem 2026. A partir dessas primeiras informações, professores da Filadd comentam as conexões dos assuntos com os conteúdos escolares e com a preparação dos candidatos.
 
Em Ciências Humanas, os comentários abordam geopolítica, recursos minerais, agricultura e meio ambiente. Na redação, o tema foi “A valorização do Sistema Único de Saúde (SUS) como direito universal”.
 
As considerações são preliminares e se concentram nos assuntos e formatos relatados. A avaliação das questões, do nível de dificuldade e do conjunto da prova será feita após o acesso ao caderno.
 
Inteligência artificial: plágio e impacto ambiental
 
Ana Carolina Ferreira, professora de Língua Portuguesa e Linguagens da Filadd, destaca a presença de diferentes dilemas associados à inteligência artificial.
 
“Outro ponto muito esperado por nossos estudantes caiu em mais de um exercício: os dilemas éticos em torno dos usos da inteligência artificial (IA), como a possibilidade facilitada de plágio e o custo ambiental que os data centers exigem para manter essas ferramentas on-line.”
 
O excesso de uso de telas por jovens também aparece nos primeiros relatos sobre os assuntos de Linguagens.
 
“Ainda, outra expectativa confirmada dos grandes debates do ano é o excesso de uso de telas por jovens, abordado em outra questão.”
 
Para Ana Carolina, a presença de assuntos familiares aos estudantes pode contribuir para que eles se sintam mais confiantes e concentrados durante a prova de interpretação.
 
ECA Digital e o debate sobre adultização
 
Ana Carolina também comenta a presença do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente. A professora relaciona a familiaridade dos estudantes com o assunto à repercussão do vídeo Adultização, publicado pelo youtuber Felca em 2025, e às discussões sobre proteção de crianças e adolescentes na internet.
 
Segundo ela, o tema chegou a ser considerado por cursos e professores como uma possibilidade para a redação. O reconhecimento do assunto, em sua avaliação, favorece a compreensão do trecho normativo e de sua finalidade legislativa e social.
 
Direitos humanos e representatividade
 
A professora ressalta ainda a continuidade de temas ligados aos direitos humanos e às experiências de diferentes grupos sociais.
 
“Nesse sentido, destaca-se a base voltada aos direitos humanos e às minorias sociais, algo que o nosso cursinho sempre valorizou justamente por entender que essa é a essência da prova do ENEM, especialmente em Linguagens e Humanidades.”
 
Ana Carolina menciona assuntos relacionados a pessoas com deficiência, mulheres, povos indígenas, pessoas negras e cultura afro-brasileira. Em seu comentário, destaca a importância do acompanhamento desses debates para a compreensão dos contextos e do vocabulário presentes nos textos.
 
Irã e Estreito de Ormuz: atualidades trabalhadas durante a preparação
 
Matheus Lemos, professor de Geografia e Atualidades da Filadd, destaca, entre os assuntos apontados, a guerra envolvendo o Irã e o Estreito de Ormuz. Segundo o professor, esses temas foram acompanhados semanalmente com os alunos, com discussões sobre os desdobramentos do conflito, suas estratégias e as estruturas de poder envolvidas.
 
O assunto também esteve no aulão de atualidades da plataforma, conectando o acompanhamento dos acontecimentos internacionais aos conteúdos de Geografia.
 
Terras raras: recursos naturais e poder econômico
 
Os primeiros relatos também apontam uma questão sobre a distribuição de terras raras entre países. Para Matheus Lemos, o assunto permite relacionar território, indústria e tecnologia.
 
“Um país pode ter reservas importantes e depender de outros para transformar esses recursos em produtos de maior valor. Essa diferença ajuda a compreender por que os minerais estratégicos ocupam espaço nas disputas internacionais. Para resolver uma questão desse tipo, o estudante precisa interpretar os dados e identificar qual relação entre recursos e poder está sendo solicitada.”
 
Meio ambiente, agricultura e transição energética
 
Lemos também comenta as temáticas ambientais, recorrentes na preparação para o Enem, e os assuntos relacionados à agricultura. O professor destaca tanto a dimensão ambiental, ligada ao manejo sustentável, quanto a econômica, relacionada à estrutura agrícola brasileira.
 
Em sua avaliação, a transição energética e seus desafios vêm ganhando relevância no exame. O tema permite discutir suas conexões com as relações internacionais e a participação do Brasil nos debates sobre energia e meio ambiente.
 
Testlets: formato já trabalhado na preparação
 
Entre os formatos relatados estão os testlets, blocos de perguntas que compartilham um mesmo texto, gráfico, tabela ou situação-problema. A Filadd já havia incorporado essa estrutura ao banco de questões e aos simulados.
 
Ana Carolina comenta a continuidade de textos-base extensos, comandos de leitura e gêneros recorrentes, como a resenha. A professora também menciona um bloco de cinco questões associado a um trecho de Menino de engenho, de José Lins do Rego.
 
“Isso auxilia no processo de leitura ao tornar a prova menos ‘cansativa’, porém exige atenção redobrada aos enunciados e seus comandos, sabendo em que pontos retornar ao texto base em busca da resposta.”
 
Embora compartilhem um material de apoio, as perguntas apresentam tarefas próprias: a resposta de uma não é pré-requisito para resolver a seguinte.
 
Para Bruno Ferrari, coordenador pedagógico da Filadd Brasil, o formato reforça uma orientação que fazia parte da preparação.
 
“Já vínhamos trabalhando com os estudantes a necessidade de sustentar a leitura ao longo de um bloco. Conhecer o conteúdo continua sendo fundamental, mas também é preciso praticar a mudança de foco entre perguntas que compartilham o mesmo material. O treino ajuda o candidato a organizar as retomadas e a perceber que cada comando exige uma tarefa específica.”
 
Ferrari ressalta que a extensão do material precisa ser considerada junto às exigências dos itens.
 
“Um texto longo pode permitir que a leitura inicial seja aproveitada em várias respostas. O esforço depende também da complexidade dos comandos, das alternativas e das relações que precisam ser estabelecidas. Por isso, o volume de texto, sozinho, não permite concluir que a prova ficou mais difícil.”
 
SUS: universalidade como eixo da redação
 
O tema da redação permite discutir a valorização do SUS a partir do direito universal à saúde. Para Michele Marcelino, professora de Redação da Filadd, esse recorte oferece caminhos para mobilizar conhecimentos históricos, desde que estejam a serviço de uma tese.
 
“Um caminho produtivo é discutir o significado da universalidade: o direito ao cuidado independentemente da renda ou da situação de trabalho. O contexto histórico da criação do SUS pode ajudar o candidato a explicar a importância dessa conquista. Mas o repertório precisa estar conectado ao argumento: citar a história do sistema ganha sentido quando ajuda a mostrar o que sua existência representa e quais obstáculos ainda precisam ser enfrentados para garantir o acesso de todos.”
 
Segundo a professora, reconhecer a importância do sistema e discutir suas dificuldades são caminhos complementares para desenvolver a proposta.
 
“Valorizar o SUS também significa levar a sério a experiência de quem depende de uma consulta, de um exame ou de um tratamento. Reconhecer sua relevância e cobrar melhorias são compromissos que caminham juntos. Uma argumentação consistente explica quais obstáculos precisam ser enfrentados e como as medidas propostas contribuem para tornar o direito universal uma realidade.”