• Lua Blanco — Foto: Reprodução / Instagram

Atriz morreu aos 39 anos em decorrência da doença, que pode evoluir silenciosamente; SUS incorporou teste não invasivo para auxiliar na detecção precoce do câncer colorretal.

A morte da atriz Lua Blanco, em 18 de outubro de 2026, em decorrência de câncer de intestino, chama atenção para uma doença que pode evoluir sem apresentar sintomas nas fases iniciais. O diagnóstico precoce é um dos principais fatores para aumentar as chances de cura, o que reforça a importância de reconhecer sinais de alerta e buscar avaliação médica diante de alterações persistentes.

O câncer colorretal pode se manifestar por meio de sintomas como sangramento nas fezes, dor abdominal, perda de peso involuntária, anemia e mudanças nos hábitos intestinais. Em alguns casos, porém, a doença permanece silenciosa no início, dificultando a identificação sem exames específicos.

Nesse cenário, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer um teste não invasivo para auxiliar na detecção de alterações relacionadas ao câncer colorretal antes do aparecimento dos sintomas. O FIT, sigla em inglês para Teste Imunoquímico Fecal, identifica a presença de sangue nas fezes que pode estar relacionado a pólipos, lesões pré-cancerígenas e ao próprio tumor.

O exame utiliza anticorpos específicos e tem capacidade de detecção do tumor que chega a 92%. Segundo o Ministério da Saúde, a incorporação do teste pode ampliar o acesso ao diagnóstico para mais de 40 milhões de brasileiros. O novo protocolo prevê que o FIT seja o exame de referência para pessoas de 50 a 75 anos assintomáticas.

A doença também preocupa pelo aumento de diagnósticos entre adultos jovens. Estudos apontam que, em comparação com a década de 1950, essa população enfrenta um risco duas vezes maior de desenvolver câncer no intestino grosso e quatro vezes maior de receber um diagnóstico de câncer no reto.

Câncer de intestino pode evoluir sem sintomas

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) destaca que muitos tumores, incluindo o colorretal, apresentam poucos sintomas nas fases iniciais. Por isso, alterações que parecem passageiras não devem ser ignoradas quando persistem ou aparecem acompanhadas de outros sinais.

Entre os sintomas de alerta estão sangramento nas fezes, dor abdominal, perda de peso involuntária, anemia e mudanças nos hábitos intestinais. A prisão de ventre persistente, por exemplo, pode estar relacionada a fatores como alimentação com baixa ingestão de fibras, sedentarismo e hidratação insuficiente. No entanto, quando a alteração se prolonga, especialmente após os 50 anos ou acompanhada de outros sintomas, é importante buscar avaliação médica.

De acordo com estudo publicado nos Arquivos de Gastroenterologia, a prisão de ventre está entre as queixas digestivas mais comuns nos consultórios. Alterações no funcionamento intestinal também podem indicar doenças do intestino grosso, como pólipos intestinais, doenças diverticulares, doenças inflamatórias intestinais e câncer colorretal.

A recomendação é evitar o uso de laxantes sem orientação médica e procurar atendimento profissional para investigar a causa do problema. Em alguns casos, pode ser necessário consultar um cirurgião geral, profissional habilitado para diagnosticar e tratar doenças do aparelho digestivo que exigem abordagem cirúrgica, como obstrução intestinal, diverticulite e tumores.

Sangue nas fezes é sinal de alerta

A presença de sangue nas fezes não deve ser considerada normal. Embora muitas pessoas associem o sintoma às hemorroidas, o sangramento também pode indicar pólipos, doença inflamatória intestinal, diverticulose e câncer colorretal.

O Ministério da Saúde recomenda que episódios de sangramento intestinal sejam investigados por um gastroenterologista, especialmente quando ocorrem repetidamente ou estão associados a alterações do hábito intestinal, perda de peso ou anemia.

Mesmo quando o sangue não é visível, exames laboratoriais podem identificar o chamado sangue oculto nas fezes, ferramenta utilizada no rastreamento do câncer colorretal em indivíduos de maior risco.

O INCA ressalta que muitos casos da doença se desenvolvem a partir de pólipos intestinais benignos, que podem ser removidos durante exames endoscópicos antes de evoluírem para câncer. Essa possibilidade reforça a importância do rastreamento e da investigação médica.

Câncer colorretal está entre os mais frequentes no Brasil

Estimativas do INCA apontam que o câncer de cólon e reto está entre os tipos mais frequentes no país, tanto em homens quanto em mulheres.

O cenário reforça a importância de reconhecer os sintomas e investigar alterações persistentes, sem atribuí-las automaticamente a problemas digestivos comuns. A Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) destaca que o reconhecimento precoce dos sinais e a investigação médica são fundamentais para reduzir complicações e aumentar as chances de sucesso terapêutico.

O diagnóstico precoce pode aumentar as chances de cura, reduzir a necessidade de tratamentos agressivos e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Por isso, a prevenção e a realização de exames conforme a indicação médica são importantes, inclusive para pessoas que ainda não apresentam sintomas.

Colonoscopia continua sendo o principal exame preventivo

Entre os procedimentos utilizados para investigar doenças intestinais, a colonoscopia permanece como o método mais completo. Realizado com sedação, o exame permite avaliar toda a extensão do cólon por meio de um aparelho com câmera introduzido pelo reto.

Durante o procedimento, o médico pode identificar inflamações, úlceras, pólipos e outras alterações. Quando encontra áreas suspeitas, pode realizar uma biópsia, retirando pequenos fragmentos de tecido para análise em laboratório.

A biópsia é uma etapa importante para confirmar ou descartar doenças como câncer, colites e outras alterações intestinais. O paciente pode conversar previamente com o gastroenterologista para entender como é feito o exame de colonoscopia com biópsia e quando ele é indicado.

Sociedades médicas nacionais e internacionais recomendam programas de rastreamento para pessoas acima de 45 ou 50 anos, dependendo dos fatores de risco individuais e do histórico familiar.

Outros sintomas digestivos também exigem atenção

Embora o câncer colorretal seja o foco, sintomas digestivos persistentes podem estar associados a diferentes doenças e precisam ser avaliados. A dor abdominal, por exemplo, pode ter relação com distúrbios simples, mas sua persistência e intensidade também podem indicar condições que exigem diagnóstico rápido.

De acordo com a Federação Brasileira de Gastroenterologia, entre as doenças relacionadas à dor abdominal estão gastrite, úlcera péptica, colelitíase (pedra na vesícula), pancreatite, apendicite, doença inflamatória intestinal, diverticulite e câncer gastrointestinal.

Ainda segundo a entidade, dores recorrentes acompanhadas de febre, vômitos, emagrecimento involuntário ou alterações intestinais exigem avaliação médica o mais rápido possível.

A azia frequente também deve ser investigada. O sintoma costuma ser associado ao refluxo gastroesofágico, caracterizado pelo retorno do conteúdo ácido do estômago para o esôfago. Episódios que ocorrem mais de duas vezes por semana exigem avaliação médica.

A Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED) explica que sintomas persistentes podem indicar inflamação do esôfago, estenoses, úlceras ou alterações pré-cancerígenas, como o esôfago de Barrett. Gastrite, úlceras gástricas e algumas infecções bacterianas também podem provocar sintomas semelhantes.

Diante da gravidade do câncer colorretal e da possibilidade de evolução silenciosa, o reconhecimento dos sinais de alerta, a realização dos exames indicados e o acompanhamento médico são medidas importantes para identificar a doença e iniciar o tratamento adequado.

press manager