Alterações na glicose, no colesterol e na massa muscular reforçam a importância de cuidados que vão além dos sintomas mais conhecidos dessa fase
Ondas de calor, alterações menstruais e dificuldades para dormir estão entre os sintomas mais conhecidos da menopausa, mas as mudanças hormonais também podem afetar o colesterol, o controle da glicose no sangue, a força muscular e a saúde do coração. Um estudo publicado em maio de 2026 no Journal of the American Heart Association identificou que mulheres na transição para a menopausa apresentavam o dobro da probabilidade de ter indicadores cardiovasculares desfavoráveis em comparação àquelas com ciclos menstruais regulares.
No Dia Mundial da Menopausa, celebrado em 18 de outubro, Alexandre Duarte, médico, professor, referência em fisiologia metabólica e hormonal e fundador do Instituto Avantgarde, centro especializado em medicina metabólica e hormonal voltado à prevenção, chama a atenção para a importância de acompanhar essas transformações, inclusive quando os sintomas são discretos.
“A menopausa não muda apenas a produção de hormônios. Ela também pode interferir na maneira como o organismo utiliza o açúcar do sangue, controla o colesterol e preserva a musculatura. Por isso, não basta perguntar se a mulher está tendo ondas de calor ou dormindo bem. É importante entender como está a saúde metabólica dela”, explica Duarte.
O que acontece com o metabolismo durante a menopausa
A redução do estrogênio, um dos principais hormônios femininos, está associada a mudanças na forma como o organismo processa a glicose. Nessa fase, algumas mulheres podem apresentar menor sensibilidade à insulina, hormônio responsável por ajudar o açúcar do sangue a entrar nas células e ser utilizado como energia.
Quando esse mecanismo perde eficiência, a glicemia pode aumentar, favorecendo alterações metabólicas que, ao longo do tempo, contribuem para o desenvolvimento do diabetes tipo 2. Isso não significa que a doença seja uma consequência inevitável da menopausa, mas reforça a importância do acompanhamento individual.
O perfil lipídico, conjunto de indicadores que inclui colesterol e triglicerídeos, também merece atenção. A queda do estrogênio pode contribuir para o aumento do colesterol LDL, e modificar fatores relacionados à proteção cardiovascular.
Uma publicação científica da Sociedade de Cardiologia de São Paulo, de 2025, destaca que essas alterações podem ocorrer junto ao aumento da gordura visceral, localizada ao redor dos órgãos internos, e a mudanças na pressão arterial.
“Uma mulher pode não sentir nada diferente e, ainda assim, apresentar alterações na glicose ou no colesterol. São condições que nem sempre provocam sintomas no início. Por isso, acompanhar esses indicadores permite identificar situações que merecem atenção antes que se transformem em problemas maiores”, observa o médico.
Músculos e sono também influenciam a saúde metabólica
Outro aspecto importante é a preservação da massa muscular, já que, com o envelhecimento, ocorre uma redução progressiva dos músculos e da força física, processo que pode ser influenciado pelas alterações hormonais dessa fase.
Além de garantir mobilidade e autonomia, a musculatura participa diretamente da utilização da glicose. Sua preservação contribui para o controle metabólico e para a manutenção da capacidade física ao longo dos anos.
A atividade física, especialmente os exercícios de força, como a musculação, é uma das medidas recomendadas para minimizar essa perda. A alimentação também desempenha papel importante, principalmente quando há consumo adequado de proteínas e outros nutrientes essenciais.
O sono é outro fator que merece atenção. Uma pesquisa publicada em novembro de 2025 pela The Menopause Society, com mais de 3.500 mulheres na pós-menopausa, encontrou associação entre dificuldades para dormir, apneia obstrutiva do sono e maior probabilidade de hipertensão.
Para Duarte, essas questões precisam ser avaliadas em conjunto, já que a qualidade do descanso pode interferir na disposição para praticar exercícios e manter hábitos saudáveis.
“Não adianta olhar apenas para um exame ou tentar resolver tudo com uma única estratégia. Alimentação, musculatura, sono e metabolismo estão relacionados. Quando esses fatores são acompanhados de forma integrada, conseguimos entender melhor as necessidades de cada mulher”, ressalta.
Quais cuidados merecem atenção nessa fase
O acompanhamento médico durante a menopausa deve considerar o histórico familiar, os sintomas e os fatores de risco individuais. Dependendo de cada caso, a avaliação pode incluir glicemia, colesterol, triglicerídeos, pressão arterial e composição corporal.
Entre os cuidados estão a prática regular de exercícios físicos, uma alimentação equilibrada, a preservação da massa muscular e a atenção à qualidade do sono. A terapia hormonal pode ser indicada para determinadas manifestações da menopausa, mas sua utilização depende de avaliação médica e não substitui essas medidas.
Segundo Alexandre Duarte, reconhecer a menopausa como uma fase natural da vida não significa ignorar os efeitos que as mudanças hormonais podem provocar no organismo.
“A mulher não precisa esperar surgir uma doença para começar a cuidar do metabolismo. A menopausa pode ser um momento importante para rever hábitos, avaliar indicadores de saúde e fazer os ajustes necessários. O objetivo não é apenas atravessar essa fase com menos sintomas, mas preservar a qualidade de vida para os próximos anos”, conclui o especialista.
O que conversar com o médico durante a menopausa
A consulta médica durante a menopausa não precisa se limitar às ondas de calor, ao sono ou à reposição hormonal. Também é uma oportunidade para avaliar como estão a glicose, o colesterol, a pressão arterial e a saúde muscular, mesmo quando a mulher não apresenta queixas importantes.
Entre os assuntos que merecem atenção estão mudanças na disposição física, perda de força, aumento da gordura abdominal, dificuldades para dormir e histórico familiar de diabetes ou doenças cardiovasculares. A partir dessas informações, o profissional pode avaliar quais exames são necessários e se há indicação de mudanças na alimentação, na atividade física ou de algum tratamento específico.
Para Alexandre Duarte, o acompanhamento deve considerar tanto os sintomas quanto os fatores que podem comprometer a saúde nos próximos anos.
“A mulher não precisa esperar surgir uma doença para começar a cuidar do metabolismo. A menopausa pode ser um momento importante para rever hábitos, avaliar indicadores de saúde e fazer os ajustes necessários. O objetivo não é apenas atravessar essa fase com menos sintomas, mas preservar a qualidade de vida para os próximos anos”, conclui o especialista.
Sobre Alexandre Duarte
Dr. Alexandre Duarte é médico, professor e palestrante, referência em fisiologia metabólica e hormonal no Brasil. Graduado em Medicina pela Universidade Regional de Blumenau (FURB), aprofundou sua formação durante 12 anos nos Estados Unidos, onde concluiu o Fellowship in Metabolic and Nutritional Medicine pela MMI/USA.
Fundador do Grupo Avantgarde, Alexandre Duarte acumula mais de duas décadas de atuação clínica e acadêmica. Ao longo de sua trajetória, contribuiu para a recuperação da saúde de aproximadamente 20 mil pacientes e para a formação de mais de 3 mil médicos em áreas ligadas à fisiologia metabólica, modulação hormonal e medicina personalizada.
Defensor da chamada medicina da saúde, baseada na investigação das causas dos desequilíbrios metabólicos e hormonais, atua na difusão de uma abordagem voltada à prevenção, personalização do tratamento e reversão de doenças crônicas associadas ao metabolismo, consolidando-se como uma das principais vozes do segmento no país.
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Sobre o Instituto Avantgarde
Fundado em 2007 pelo Dr. Alexandre Duarte, o Instituto Avantgarde é referência em medicina metabólica e hormonal, com unidades em São Paulo e Florianópolis. A instituição nasceu a partir da busca por uma abordagem que investigasse as causas dos desequilíbrios metabólicos e hormonais, indo além do tratamento isolado dos sintomas e priorizando a prevenção, a personalização do cuidado e a recuperação da saúde.
Integrante do Grupo Avantgarde, o instituto atua ao lado da Avantgarde College, escola de capacitação médica com cursos reconhecidos pelo MEC, e de outras iniciativas voltadas à saúde, longevidade e bem-estar. Ao longo de sua trajetória, o grupo já contribuiu para a recuperação da saúde de aproximadamente 40 mil pacientes e para a formação de mais de 3 mil médicos em áreas como fisiologia metabólica, modulação hormonal e medicina personalizada.
Com uma equipe multidisciplinar e uma abordagem baseada em ciência, investigação clínica e acompanhamento individualizado, o Instituto Avantgarde consolidou-se como um dos principais centros brasileiros dedicados ao tratamento das doenças metabólicas e hormonais, promovendo um modelo de medicina voltado à identificação das causas dos problemas de saúde e à construção de resultados sustentáveis para os pacientes.
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Fonte de Pesquisa
https://www.imsociety.org/2026/03/25/ims-recommendations-and-key-messages-on-menopause/


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