Com apoio do Sebrae, empreendedora de Guarantã do Norte passou a olhar para gestão, finanças e planejamento e hoje conduz um estúdio de estética e podologia.
Por Assessoria de Imprensa do Sebrae/MT
A vontade de cuidar de pessoas acompanhou Gisele Santana mesmo quando ela deixou a enfermagem para ajudar o marido a empreender. O que começou como uma pequena atividade para complementar a renda, fazendo unhas na casa das clientes, ganhou novos caminhos e se transformou no Studio Gi, espaço de estética e podologia em Guarantã do Norte, no norte de Mato Grosso.
A história começou por volta de 2012, quando Gisele decidiu deixar o trabalho como técnica de enfermagem para ajudar o marido, que atua como eletricista. Sem experiência anterior com negócios, os dois aprenderam na prática os primeiros passos do empreendedorismo. “A gente começou do jeito que deu”, lembra.
Anos depois, uma conversa com uma amiga fez Gisele perceber que poderia continuar cuidando de pessoas de outra maneira. Ela já fazia unhas e decidiu abrir uma pequena sala. Vieram a depilação, a estética e, posteriormente, a podologia, área que identificou como uma oportunidade em Guarantã do Norte, onde havia pouca oferta do serviço. Para se preparar, buscou formação e fez uma imersão de dez dias no Rio de Janeiro antes de começar a atender.
O crescimento, porém, também trouxe aprendizados. Um deles veio de uma decisão que custou caro. Quando uma máquina apresentou problema, Gisele, com a agenda cheia, comprou outro equipamento por R$ 40 mil sem antes investigar o defeito. Depois descobriu que o problema da máquina antiga era apenas um fio, cujo conserto custou R$ 100.
“Eu não coloquei o risco. Não me planejei”, reconhece. A experiência ensinou uma lição que mais tarde se tornaria fundamental para a empresária: antes de investir, era preciso parar, analisar e fazer as contas.
Foi justamente nesse processo de amadurecimento que o Sebrae passou a fazer parte da trajetória de Gisele. A primeira consultoria ocorreu em 2020 e ajudou a empreendedora a perceber que manter dois pequenos salões, com despesas duplicadas, nem sempre significava ganhar mais. A orientação abriu espaço para uma mudança de estratégia e para o sonho de construir um negócio maior e mais estruturado.
A principal mudança, no entanto, aconteceu na forma de enxergar as finanças. Gisele conta que, antes da consultoria, acreditava que todo o dinheiro que entrava no caixa era ganho. Com o apoio recebido, passou a separar despesas, organizar as contas e entender, de fato, o que representava lucro. “Eu tinha veia empreendedora, mas não entendia de gestão”, resume.
Em 2024, ela também participou do Empretec. A capacitação ajudou a colocar no papel um sonho que já existia: ter um espaço maior, com várias salas, recepção e estrutura de clínica. A oportunidade surgiu quando encontrou um imóvel antigo no centro da cidade. Gisele reformou o espaço e transformou o local no estúdio que havia imaginado.
Hoje, a empreendedora conta com dois colaboradores, equipamentos de estética e laser e faturamento que permite realizar sonhos. Também está concluindo Biomedicina, buscando ampliar sua atuação na podologia. Segundo ela, o patrimônio dos negócios da família triplicou, mas agora os investimentos são feitos com mais cautela e planejamento.
A mudança também ultrapassou as paredes do estúdio. Em agosto, Gisele viajou ao Chile com o marido e os três filhos, realizando um desejo antigo. “O meu estúdio está proporcionando meus sonhos”, conta.
Depois de tantos passos, ela ainda pensa em crescer, mas com uma diferença importante em relação ao início da trajetória. O sonho de ter uma clínica própria continua, porém já não existe a pressa de assumir uma grande dívida para realizá-lo. Hoje, Gisele prefere analisar se o investimento realmente faz sentido para o negócio.
“Hoje eu tenho essa clareza, esse direcionamento de que, para mim, o aluguel está bem viável. Não preciso fazer uma dívida sem necessidade”, afirma.
A trajetória do Studio Gi mostra que empreender pode começar com uma habilidade, uma oportunidade ou até mesmo uma necessidade. Mas, para transformar esse começo em um negócio sustentável, Gisele descobriu que também é preciso aprender a administrar, planejar e tomar decisões com os pés no chão.
“Às vezes eu olho para tudo que aconteceu e penso: como é que eu cheguei até aqui? Eu comecei em uma salinha pequena, sem saber de gestão, cometendo erros e aprendendo no caminho. Eu aprendi que sonho sozinho não basta: a gente precisa buscar conhecimento, se planejar e colocar a mão na massa. Foi assim que eu fui construindo o meu sonho, um passo de cada vez”, finaliza.

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