Com 77,9 mil novos casos estimados por ano no Brasil, doença pode não apresentar sintomas nas fases iniciais e exige avaliação individualizada

O câncer de próstata deve responder por 30,5% dos novos casos de câncer entre homens no Brasil em 2026, desconsiderando os tumores de pele não melanoma. São estimados 77.920 diagnósticos por ano entre 2026 e 2028, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). 

Próximo ao Novembro Azul, os números reforçam um ponto que ainda gera confusão: esperar dificuldade para urinar, dor ou outras alterações para procurar avaliação médica pode atrasar a identificação da doença, que frequentemente não provoca sintomas nas fases iniciais.

Para o Dr. Ricardo Brandina, urologista, coordenador do Programa de Cirurgia Robótica do Hospital Evangélico de Londrina, a ausência de queixas não deve ser interpretada como garantia de que está tudo bem. A avaliação da saúde da próstata precisa considerar idade, histórico familiar, condições clínicas e características individuais de cada homem. 

“Um dos equívocos mais comuns é associar câncer de próstata necessariamente a algum problema para urinar. O paciente pode estar sem qualquer alteração perceptível e ainda assim precisar de investigação. Por isso, a conversa sobre prevenção não deve começar apenas quando aparece um sintoma”, afirma o urologista.

A confusão ocorre porque alterações urinárias podem ter diferentes origens. Jato fraco, demora para começar a urinar, necessidade de ir ao banheiro várias vezes durante o dia ou à noite e dificuldade para esvaziar a bexiga também podem ocorrer na hiperplasia prostática benigna, conhecida como HPB. A condição corresponde ao crescimento não canceroso da próstata e, segundo o Ministério da Saúde, afeta mais da metade dos homens com mais de 50 anos.

Isso significa que ter sintomas urinários não é sinônimo de câncer, assim como não apresentá-los não exclui a possibilidade da doença. “O sintoma isolado não permite ao paciente saber o que está acontecendo. O papel da avaliação médica é justamente diferenciar essas situações e verificar quando existe necessidade de aprofundar a investigação”, explica Brandina.

O próprio INCA classifica o câncer de próstata como uma doença silenciosa na maioria das vezes. Quando o tumor provoca obstrução da uretra, as manifestações podem ser semelhantes às observadas no crescimento benigno da glândula, como jato urinário fraco, hesitação e interrupções durante a micção. Em casos avançados, podem surgir manifestações relacionadas à disseminação da doença, incluindo dor óssea.

Quem precisa ter mais atenção

A idade permanece entre os principais fatores associados à doença, segundo o INCA, tanto a incidência quanto a mortalidade aumentam significativamente após os 60 anos. Ter pai ou irmão que apresentou câncer de próstata antes dessa idade também merece atenção por causa da possível participação de fatores hereditários. O excesso de gordura corporal está associado a maior risco de doença avançada, enquanto o tabagismo está relacionado a pior prognóstico entre aqueles que desenvolvem o tumor.

Brandina ressalta que esses fatores ajudam a mostrar por que a avaliação deve ser individualizada. “Dois homens da mesma idade podem ter históricos e riscos diferentes. A decisão sobre quais exames realizar e quando investigar precisa considerar esse conjunto de informações, e não apenas a presença ou ausência de sintomas”, destaca.

A avaliação pode envolver histórico clínico, exame físico e exames complementares definidos pelo médico de acordo com cada caso. Em homens sem sintomas, a realização de exames para detecção do câncer de próstata deve ser discutida de forma individual, considerando possíveis benefícios e riscos. 

O Ministério da Saúde e o INCA não recomendam o rastreamento populacional indiscriminado da doença, mas destacam a importância da investigação diante de sinais suspeitos e da decisão compartilhada sobre a detecção precoce.

O diagnóstico em fases iniciais também interfere nas possibilidades terapêuticas. Quanto mais localizada estiver a doença, maior tende a ser o leque de estratégias que podem ser consideradas de acordo com as características do tumor e do paciente. “Descobrir cedo não significa que todos receberão o mesmo tratamento. Significa ter informação para definir a conduta mais adequada no momento certo, considerando controle da doença e qualidade de vida”, ressalta o urologista.

Para Brandina, esse é um dos pontos que precisam ganhar espaço antes mesmo do início oficial das campanhas de Novembro Azul. “O mês de novembro ajuda a colocar a saúde masculina em evidência, mas o acompanhamento não pode depender do calendário nem do aparecimento de um problema. Procurar orientação antes de sentir alguma coisa permite que médico e paciente discutam risco, prevenção e necessidade de investigação com mais tranquilidade”, conclui.

Sobre o Dr. Ricardo Brandina

Dr. Ricardo Brandina é urologista e cirurgião robótico com mais de 20 anos de experiência em urologia e mais de 10 anos de atuação em cirurgia robótica. Possui doutorado em Urologia pela Universidade de São Paulo (USP) e mestrado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Realizou formação avançada em cirurgia laparoscópica e robótica na University of Southern California (USC), em Los Angeles, nos Estados Unidos, onde teve contato com um dos principais centros mundiais da especialidade, além de treinamento internacional na área.

Foi pioneiro na cirurgia robótica no Paraná, atua na formação e treinamento de cirurgiões e atualmente coordena o Programa de Cirurgia Robótica em Londrina.

Ao longo de sua trajetória, já participou do tratamento de mais de 2 mil pacientes por cirurgia robótica e atualmente concentra sua prática no tratamento do câncer de próstata e dos tumores renais, recebendo pacientes de diferentes regiões do Brasil.

Para mais informações, acesse o site, instagram, facebook ou linkedin.

Fonte de pesquisa

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/cancer-de-prostata

https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tipos/prostata/versao-para-profissionais-de-saude

https://www.gov.br/inca/pt-br/canais-de-atendimento/imprensa/releases/2026/inca-estima-781-mil-novos-casos-de-cancer-por-ano-no-brasil-entre-2026-e-2028


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