Serviço de escuta também é forma de cuidado emocional após pesquisa do IBGE apontar que 28,9% dos estudantes de 13 a 17 anos sentem tristeza frequente

Faltam poucos dias para o Enem e, junto com a revisão dos conteúdos, a ansiedade também pode começar a ganhar espaço na rotina dos estudantes. Entre livros, simulados e horas de estudo, muitos jovens enfrentam noites mal dormidas, mudanças na alimentação, insegurança e medo de não alcançar o resultado esperado. Para quem sonha com uma vaga em uma universidade pública, a pressão pode ser ainda maior, especialmente diante da concorrência e das expectativas pessoais e familiares.

O período coincide com uma fase importante de transição. A adolescência e o início da vida adulta são marcados por mudanças, escolhas e questionamentos sobre o futuro. Nesse cenário, a preparação para o vestibular representa mais do que uma avaliação acadêmica e pode se tornar uma fonte adicional de tensão para quem ainda está aprendendo a lidar com as próprias emoções.

Os indicadores de saúde mental entre adolescentes reforçam a importância do tema. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 28,9% dos estudantes de 13 a 17 anos sentem tristeza na maior parte do tempo. O levantamento também aponta que 42,9% relatam irritação, nervosismo ou mau humor frequentes.

Embora os dados não sejam específicos dos candidatos ao Enem, os resultados chamam a atenção para a necessidade de ampliar o cuidado com o bem-estar emocional dos jovens, especialmente em períodos de maior cobrança. A preparação para uma prova importante envolve dedicação e planejamento, mas também requer atenção aos limites do corpo e da mente.

É nesse cenário que o SOS Preces, instituição que oferece escuta telefônica gratuita, sigilosa e disponível 24 horas por dia, reforça a importância de ampliar as possibilidades de acolhimento emocional aos jovens. Com cerca de 400 voluntários, a organização oferece um espaço para quem precisa conversar, expressar suas angústias e encontrar alguém disposto a ouvir, sem julgamentos. O serviço não substitui o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, mas pode atuar como um recurso complementar de apoio em momentos de maior pressão.

Para Kátia Moraes Varella Alves, presidente do SOS Preces, ter um espaço para expressar os próprios sentimentos pode fazer diferença durante períodos de cobrança intensa. “Muitas vezes, o jovem sente que precisa dar conta de tudo sozinho, corresponder às expectativas e demonstrar que está preparado. Mas ele também precisa de espaço para falar sobre seus medos e suas inseguranças. Ser ouvido com atenção, sem julgamentos e sem a cobrança por encontrar uma solução imediata, pode ajudar a aliviar a tensão e a compreender melhor o que está sentindo”, afirma.

A possibilidade de conversar com alguém que não faz parte do círculo familiar ou de amizades também pode facilitar esse processo. Sem a preocupação com a reação de pessoas próximas ou com a necessidade de corresponder a determinadas expectativas, alguns jovens encontram na escuta um ambiente em que conseguem falar mais abertamente sobre o que os preocupa. Em determinados momentos, colocar em palavras aquilo que causa medo, insegurança ou ansiedade pode ser uma forma de organizar os próprios sentimentos e buscar novas perspectivas.


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