Dados do Panorama do RH 2026 mostram que consultas psicológicas superaram atendimentos de Nutrição e Medicina Geral entre os usuários dos serviços analisados

Seis em cada dez atendimentos de saúde realizados por colaboradores em 2025 foram de Psicologia. O dado faz parte do Panorama do RH 2026, elaborado pela Caju, operadora de benefícios, em parceria com seu braço de inteligência, a Cajuína.

Segundo o levantamento, as consultas psicológicas representaram 63% dos atendimentos analisados, enquanto Nutrição respondeu por 25% e Medicina Geral, por 12%. Ao todo, foram realizadas mais de 45 mil consultas por mais de 15 mil usuários únicos durante o ano.

Os números não significam que 63% de todos os trabalhadores brasileiros procuraram atendimento psicológico. O percentual representa a distribuição por especialidade entre as consultas realizadas nos serviços avaliados. Ainda assim, a predominância da Psicologia coloca a saúde mental no centro da discussão sobre cuidado e bem-estar no ambiente corporativo.

Procura pode orientar decisões das empresas

A demanda por consultas psicológicas pode estar relacionada a diferentes fatores, como maior conhecimento sobre saúde mental, redução do estigma, facilidade de acesso ao atendimento remoto e busca por apoio diante de questões pessoais ou profissionais. 

O dado, para as empresas, funciona como um sinal de que o suporte psicológico precisa ser considerado no planejamento de saúde e bem-estar do colaborador dentro da empresa.

Esse cuidado não deve se limitar à disponibilização de consultas, mas também o estabelecimento de políticas de prevenção, formação de lideranças, canais seguros de escuta e atenção à organização do trabalho também ajudam a construir um ambiente mais saudável. Oferecer atendimento sem analisar sobrecarga, conflitos, assédio ou falta de autonomia pode reduzir o alcance e o objetivo da iniciativa.

Disponibilizar o serviço não garante utilização

Um programa pode existir e, ainda assim, ser pouco utilizado quando os colaboradores não sabem como acessá-lo, têm dúvidas sobre custos ou receiam que informações pessoais sejam compartilhadas com gestores.

Por isso, a comunicação interna deve explicar quais serviços estão disponíveis, como ocorre o agendamento e quais regras se aplicam. Também é importante facilitar o acesso por diferentes canais e, quando possível, permitir que o atendimento seja conciliado com a jornada de trabalho.

A confidencialidade é outro ponto central nesta narrativa. Informações individuais de saúde não devem ser usadas para avaliar desempenho ou fundamentar decisões profissionais. Indicadores agregados podem orientar políticas internas, mas precisam ser tratados com responsabilidade e sem permitir a identificação dos usuários.

Benefícios precisam formar uma jornada de cuidado

A estratégia pode reunir atendimento psicológico, telemedicina, atividades físicas, orientação nutricional e ações preventivas. Essas ferramentas quando disponibilizadas em um cartão corporativo também podem ajudar a organizar diferentes recursos oferecidos pela empresa, desde que cada verba seja administrada conforme sua finalidade e as regras aplicáveis.

A centralização, entretanto, não resolve sozinha o desafio da adesão. É necessário acompanhar indicadores como procura, recorrência, satisfação e barreiras de acesso, preservando sempre a privacidade. O próprio levantamento indica que parte dos usuários realizou consultas recorrentes, característica especialmente observada nos atendimentos psicológicos.

Mais do que ampliar a lista de benefícios, as empresas precisam criar condições para que os trabalhadores conheçam e utilizem os serviços com segurança. Quando há comunicação clara, acesso simples e confiança, o cuidado com a saúde mental deixa de ser uma ação pontual e passa a integrar a estratégia de gestão de pessoas.