Ingredientes como fibras e probióticos ganham espaço em produtos funcionais à medida que o avanço do conhecimento sobre a conexão entre intestino e cérebro abre novas possibilidades para o desenvolvimento de alimentos, bebidas e suplementos alimentares

São Paulo, September 2026 – Sono, estresse, nutrição e saúde intestinal estão ganhando cada vez mais espaço nas conversas sobre bem-estar. Durante o Setembro Amarelo, campanha brasileira de conscientização sobre saúde mental, a nutrição especializada ganha maior atenção à medida que os consumidores buscam cada vez mais funcionalidade e personalização nas prateleiras, incluindo soluções integradas desenvolvidas para contribuir para estados equilibrados de bem-estar.

De acordo com o estudo global Sleep, Stress & Mood Report, da ADM, 90% dos consumidores na América Latina consideram o bem-estar emocional tão importante quanto a saúde física. Entre os consumidores da Geração Z na região, 75% afirmam estar abertos a experimentar novos sabores e ingredientes voltados à redução do estresse.

“Saúde mental e bem-estar são temas multifatoriais que envolvem diferentes aspectos da rotina e do estilo de vida das pessoas. Do ponto de vista da nutrição, temos observado um avanço das pesquisas sobre a relação entre alimentação, microbiota intestinal, sono e bem-estar emocional. Isso amplia a abordagem da indústria de alimentos e bebidas no desenvolvimento de formulações que combinam conveniência, diferentes ingredientes funcionais e respaldo científico”, afirma Lívia Queirós, especialista Técnica e de Desenvolvimento de Saúde & Bem-estar da ADM para a América Latina.

Da saúde intestinal ao bem-estar emocional

Uma das áreas que vem ganhando atenção tanto na pesquisa científica quanto no desenvolvimento de produtos alimentícios é o eixo intestino-cérebro, sistema de comunicação que conecta o trato gastrointestinal ao sistema nervoso central. Os avanços nas pesquisas sobre a microbiota intestinal ampliaram a compreensão sobre as associações entre a saúde digestiva e diferentes aspectos da saúde humana, incluindo sono, estresse e bem-estar emocional.

Nesse contexto, ingredientes como fibras, prebióticos, probióticos e pós-bióticos vêm sendo estudados e incorporados a diferentes categorias de alimentos, bebidas e suplementos alimentares. Em 2026, o probiótico DE111®, da ADM, recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso em suplementos alimentares no Brasil. O ingrediente pode ser incorporado a diferentes formatos, incluindo cápsulas, comprimidos, sachês, misturas em pó, gomas e bebidas.

“Estamos observando uma integração crescente entre saúde intestinal e outras dimensões do bem-estar, acompanhada de uma demanda maior por respaldo científico. Fibras e bióticos podem ser incorporados a diferentes ocasiões de consumo e formatos de alimentos e bebidas. Para a indústria, o desafio é entender as necessidades dos consumidores e desenvolver soluções adequadas a diferentes rotinas, sempre considerando segurança, requisitos regulatórios e as evidências disponíveis para cada ingrediente”, explica Lívia.

Ingredientes associados a momentos de calma e relaxamento

Paralelamente às pesquisas sobre a conexão entre intestino e cérebro, ingredientes tradicionalmente associados a momentos de relaxamento continuam presentes no desenvolvimento de produtos voltados a sono, estresse e humor. Extratos botânicos são amplamente reconhecidos pelos consumidores nesse contexto, enquanto vitaminas, minerais e outros ingredientes funcionais ampliam as possibilidades de formulação ao apoiar o equilíbrio geral do organismo e contribuir para estados de calma e foco.

“Não se trata sobre atribuir a um único alimento ou ingrediente a capacidade de lidar com questões complexas de saúde mental. A contribuição da nutrição precisa ser entendida como parte de uma abordagem mais ampla de bem-estar, que inclui alimentação equilibrada, sono adequado, atividade física e conexões sociais. Os avanços da ciência, no entanto, permitem investigar com maior precisão a contribuição de ingredientes específicos, como extratos botânicos, e desenvolver produtos que sejam atrativos, agradáveis e ofereçam benefícios que os consumidores possam perceber diante de suas diferentes necessidades”, acrescenta Lívia.

Bem-estar ganha espaço nas escolhas dos consumidores

O interesse por produtos associados à saúde e ao bem-estar também se reflete na indústria. O mercado global de alimentos funcionais, que inclui categorias associadas à saúde digestiva e ingredientes como fibras, prebióticos e probióticos, é estimado em US$ 421,3 bilhões em 2026 e deve atingir US$ 586,1 bilhões até 2030, o que representa uma taxa composta de crescimento anual projetada de 8,6%, segundo a Grand View Research.

A tendência também aparece no comportamento de compra. Uma pesquisa da NielsenIQ realizada em 19 países apontou que 53% dos consumidores planejavam comprar mais alimentos ricos em fibras em 2025, enquanto aproximadamente 40% pretendiam aumentar as compras de superalimentos, alimentos de origem vegetal com alto teor de proteínas ou produtos probióticos.

Esse cenário reflete uma mudança mais ampla na forma como os consumidores relacionam nutrição e bem-estar, avançando em direção a uma visão cada vez mais integrada da saúde.

“Os consumidores, de forma geral, estão mais informados e buscam ativamente compreender o impacto da nutrição para além do bem-estar físico e do mercado fitness, que anteriormente concentrava grande parte da demanda por produtos como suplementos alimentares. À medida que o conhecimento científico sobre a relação entre ingredientes e diferentes dimensões da saúde e do bem-estar continua avançando, a indústria tem uma oportunidade significativa de inovar”, conclui Lívia.


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