A rara aparição de Bruce Willis no casamento da filha e a decisão de Rumer Willis de investigar a própria predisposição genética colocam histórico familiar, longevidade e escolhas antecipadas no centro da discussão sobre saúde

A expectativa de vida no Brasil chegou a 76,6 anos em 2024, alta de 2,5 meses em relação ao ano anterior, segundo o IBGE. A população com 60 anos ou mais também cresceu 53,3% entre 2012 e 2024 e alcançou 34,1 milhões de pessoas. Com mais brasileiros chegando à velhice, a medicina preventiva amplia uma discussão que começa décadas antes: como identificar fatores capazes de comprometer a autonomia e a qualidade de vida antes do surgimento de doenças.

Lucas Rezende é médico com atuação em nutrologia e medicina preventiva, está à frente da ARC Health Place, clínica de São Paulo especializada em saúde metabólica, medicina do estilo de vida e envelhecimento saudável. Para o especialista, a mudança está na própria razão que leva uma pessoa ao consultório. “A medicina preventiva começa antes dos sintomas. O objetivo não é procurar uma doença em quem se sente bem, mas conhecer o histórico, avaliar os fatores individuais e atuar sobre aquilo que pode ser modificado ao longo da vida”, explica o médico.

Um episódio recente levou o tema para além dos consultórios. Em 8 de agosto, Bruce Willis, de 71 anos, fez uma rara aparição pública no casamento da filha Tallulah Willis com Justin Acee, em Idaho, nos Estados Unidos. Diagnosticado com demência frontotemporal em 2023 e afastado da atuação, o ator apareceu ao lado da família durante a cerimônia. A divulgação das imagens provocou comoção nas redes sociais, com fãs celebrando a presença dele em um momento importante da vida da filha.

A repercussão também trouxe novamente para o debate uma questão que acompanha o envelhecimento da população: viver mais não significa necessariamente preservar pelo mesmo período a independência física e cognitiva. Segundo Rezende, decisões tomadas muito antes da terceira idade podem influenciar a forma como o organismo envelhece. “Quando se fala em longevidade, não basta contar anos. Alimentação, atividade física, sono, composição corporal, pressão arterial e saúde metabólica acumulam efeitos durante décadas. É por isso que o cuidado precisa começar antes de aparecer uma doença”, afirma o especialista em saúde metabólica e longevidade.

Ausência de sintomas não significa risco zero

A discussão ocorre no momento em que o país atualiza o maior retrato sobre a saúde da população. Em julho de 2026, o IBGE iniciou, em parceria com o Ministério da Saúde, a terceira edição da Pesquisa Nacional de Saúde. Cerca de 140 mil domicílios serão visitados até novembro para levantar informações sobre hábitos, doenças crônicas, acesso aos serviços e fatores associados à qualidade de vida. Parte dos participantes também terá pressão arterial, peso e altura avaliados, e entre 15 mil e 20 mil moradores com 35 anos ou mais participarão da coleta de biomarcadores por exames de sangue e urina.

Na prática, uma consulta preventiva pode avaliar histórico familiar, idade, pressão arterial, glicemia, colesterol, composição corporal, alimentação, atividade física, sono, consumo de álcool e tabagismo. A combinação desses elementos ajuda a definir o que merece acompanhamento e quais mudanças podem ser adotadas antes que uma alteração se transforme em um problema clínico.

O Ministério da Saúde aponta que as doenças crônicas não transmissíveis se desenvolvem ao longo da vida e estão associadas a fatores modificáveis, entre eles tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, alimentação inadequada, obesidade e inatividade física. O grupo inclui condições como diabetes, câncer, doenças cardiovasculares e respiratórias crônicas.

Para o médico com atuação em nutrologia e medicina preventiva, sentir se bem não elimina a necessidade de observar esses indicadores. “Pressão alta, alterações de glicemia e colesterol, aumento de gordura visceral ou perda de massa muscular podem ocorrer sem que a pessoa perceba mudanças importantes no dia a dia. A ausência de sintomas não deve ser confundida com ausência de fatores de risco”, ressalta Rezende.

Mais exames não significam mais prevenção

A própria família de Bruce Willis voltou ao noticiário nesta semana por uma decisão ligada ao cuidado antecipado. Rumer Willis, filha mais velha do ator e de Demi Moore, revelou em 24 de agosto ter realizado um teste genético APOE para conhecer sua predisposição ao Alzheimer. Em entrevista à revista People, ela relatou o receio de receber os resultados diante do histórico de doenças na família e afirmou considerar a informação uma ferramenta para tomar decisões sobre a própria saúde.

O exame realizado por Rumer não diagnostica Alzheimer nem determina que uma pessoa desenvolverá a doença. Também não deve ser confundido com o diagnóstico de demência frontotemporal de Bruce Willis. O episódio, no entanto, ilustra uma pergunta cada vez mais presente quando se fala em medicina preventiva: até onde vale investigar alguém que não apresenta sintomas.

Rezende alerta que cuidado antecipado não pode ser confundido com uma corrida por testes genéticos, exames de imagem ou extensas baterias laboratoriais. “Medicina preventiva não é medir tudo o que a medicina consegue medir. É compreender idade, histórico familiar, hábitos e fatores de risco para decidir o que realmente precisa ser investigado. Fazer mais exames não significa necessariamente cuidar melhor da saúde”, aponta o médico e especialista em medicina preventiva.

Na ARC Health Place, o acompanhamento integra avaliação médica, exames quando indicados, orientação nutricional e mudanças no estilo de vida, com atenção a fatores relacionados ao metabolismo, obesidade, composição corporal, equilíbrio hormonal e envelhecimento saudável. A proposta, segundo o especialista, é acompanhar a trajetória do paciente ao invés de concentrar o cuidado apenas no aparecimento de uma doença.

Para Rezende, a principal transformação ocorre quando a pergunta feita dentro do consultório deixa de ser apenas como tratar um problema e passa a incluir o que pode ser feito hoje para reduzir riscos nas próximas décadas. “A medicina preventiva não promete impedir o envelhecimento ou eliminar todas as doenças. Ela permite agir sobre aquilo que pode ser modificado e aumentar a possibilidade de chegar aos próximos anos com independência, capacidade física e qualidade de vida”, conclui o médico.

Sobre Lucas Rezende

Lucas Rezende é médico (CRMSP 181835), com atuação em nutrologia, medicina preventiva, saúde metabólica e longevidade. Desenvolveu sua prática clínica voltada à identificação precoce de fatores de risco para doenças crônicas, defendendo uma medicina que prioriza a prevenção, o diagnóstico antecipado e a promoção da saúde antes do surgimento dos sintomas.

Sua atuação integra medicina baseada em evidências, avaliação clínica aprofundada, exames laboratoriais e mudanças no estilo de vida para construir estratégias individualizadas de cuidado. Ao longo da carreira, consolidou seu trabalho em temas como envelhecimento saudável, saúde metabólica, obesidade, composição corporal, saúde hormonal e medicina do estilo de vida, defendendo uma mudança de paradigma no cuidado com a saúde, com foco em preservar a qualidade de vida e ampliar a longevidade da população.

Para mais informações, acesse o site, Instagram, youtube ou Linkedln.

Sobre a ARC Health Place

A ARC Health Place é uma clínica médica de São Paulo especializada em medicina preventiva, saúde metabólica e longevidade. Seu modelo de atendimento reúne médicos, nutricionistas e outros profissionais em uma abordagem integrada, que combina avaliação clínica, exames laboratoriais, tecnologia e acompanhamento contínuo para construir estratégias de cuidado personalizadas.

A clínica tem como diferencial a investigação aprofundada dos fatores que influenciam a saúde ao longo da vida, permitindo identificar riscos antes do aparecimento de doenças e acompanhar o paciente de forma contínua. Com foco na prevenção e na medicina baseada em evidências, a ARC Health Place desenvolve protocolos individualizados voltados à promoção da saúde, ao envelhecimento saudável e à melhoria da qualidade de vida.

Para mais informações, acesse o Instagram: @arc.healthplace

Fontes de Pesquisa

 Expectativa de vida chega a 76,6 anos em 2024
https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/45275-expectativa-de-vida-chega-a-76-6-anos-em-2024

IBGE inicia coleta em todo o país da Pesquisa Nacional de Saúde 2026
https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/47518-ibge-inicia-coleta-em-todo-o-pais-da-pesquisa-nacional-de-saude-2026

Vigilância de Doenças Crônicas Não Transmissíveis
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/vigilancia-de-doencas-cronicas-nao-transmissiveis

Com demência Bruce Willis faz aparição rara no casamento da filha
https://www.cnnbrasil.com.br/pop/celebridades/com-demencia-bruce-willis-faz-apariacao-rara-no-casamento-da-filha/

Rumer Willis Says Information Is Power as She Opens Up About Genetic Testing Amid Bruce Willis’ Dementia
https://people.com/rumer-willis-information-is-power-bruce-willis-dementia-function-exclusive-12066402


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