Estudos mostram que dores musculoesqueléticas são comuns após o nascimento e podem se agravar sem acompanhamento adequado
Durante a gravidez, o acompanhamento pré-natal concentra grande parte da atenção médica. No pós-parto, porém, alguns pontos importantes costumam ficar em segundo plano. Entre eles está o impacto ortopédico devido às mudanças físicas da gestação e pela sobrecarga da maternidade nos primeiros meses.
Estudos recentes mostram que dores musculoesqueléticas são frequentes logo após o nascimento do bebê e podem se agravar caso não haja acompanhamento adequado. Por isso, identificar sinais persistentes de desconforto serve como sinal de alerta e ajuda a entender quando consultar um ortopedista.
Uma pesquisa publicada na Revista Médica de Minas Gerais, desenvolvido pela Faculdade de Medicina de Barbacena, avaliou a ocorrência de dor em gestantes e puérperas hospitalizadas na Santa Casa de Misericórdia de Barbacena. A prevalência de quadros dolorosos foi superior a 43%, principalmente nas regiões perineal, abdominal e lombar.
Outro levantamento, realizado na maternidade do Hospital Universitário do Oeste do Paraná, avaliou a incidência de dor no puerpério, incluindo incômodos nas regiões lombar, abdominal, perineal e mamária. Entre as queixas mais relatadas pelas mães estavam lombalgia e edema em membros inferiores.
Mudanças na gravidez impactam a saúde musculoesquelética
A gravidez é um período de transformações no organismo da mulher. Ao longo da gestação, o corpo passa por alterações hormonais, mudanças no centro de gravidade e aumento progressivo de peso, fatores que influenciam diretamente a saúde musculoesquelética.
Essas mudanças aumentam a sobrecarga sobre as articulações, especialmente na coluna vertebral, quadril, joelhos e tornozelos. Como consequência, muitas gestantes e puérperas apresentam problemas posturais, dores lombares e instabilidade ao caminhar.
Além disso, hormônios liberados na gestação, principalmente aqueles relacionados à preparação do corpo para o parto, acabam reduzindo a estabilidade das articulações, aumentando o risco de lesões.
Por isso, é importante que as mulheres estejam atentas aos sinais do corpo no pós-parto e procurem ajuda profissional ao identificar sintomas. Saber o que faz o obstetra e a importância do acompanhamento na gravidez ajuda a reforçar a necessidade de cuidados contínuos no pós-parto.
Problemas ortopédicos comuns no pós-parto
1. Dor lombar
A dor lombar está entre as queixas mais frequentes na gravidez. Durante a gestação, a coluna passa por mudanças para compensar o aumento do peso e a mudança no centro de gravidade. Isso pode provocar maior curvatura lombar e sobrecarga. Como consequência, muitas mulheres desenvolvem tensão na região, desconforto e até dores crônicas.
- Dor pélvica
As alterações na região da pelve ao longo da gestação e do parto também provocam dor e sensação de instabilidade. O quadro dificulta a locomoção, limita movimentos e interfere nas atividades diárias da mulher no pós-parto.
- Alterações nos pés
O aumento do peso e a retenção de líquidos podem provocar inchaços nos pés e tornozelos. Além da sensação de peso e desconforto, essa mudança potencializa o risco de entorses e lesões.
- Dor no quadril
A estrutura pélvica sofre alterações durante a gravidez para se preparar para o parto. Devido à influência dos hormônios, as articulações ficam mais flexíveis e a pélvis se expande. Mesmo após o parto, é necessário tempo para que a região retorne à sua forma original. Nesse processo, dores e desconfortos são comuns.
- Neuropatia periférica
Formigamento, fraqueza, dormência, queimação ou dor, principalmente nas mãos e pés, indicam neuropatia periférica. Essa condição é causada pela alteração ou compressão dos nervos localizados fora do cérebro e da medula espinhal.
Esses nervos controlam a sensibilidade, o movimento e a coordenação motora. A neuropatia periférica pode surgir devido à pressão sobre os nervos no trabalho de parto, complicações durante a cesariana ou pelas alterações hormonais e físicas.
Entre os tratamentos indicados para aliviar dores musculoesqueléticas no pós-parto estão fisioterapia, exercícios de baixo impacto e terapia complementares, como acupuntura, massoterapia e quiropraxia.


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