A obesidade é uma condição complexa, que exige acolhimento e tratamento baseado em evidências
Em 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou que 2,3 bilhões de adultos no mundo estavam acima do peso. Entre eles, cerca de 700 milhões apresentavam obesidade, definida por um Índice de Massa Corporal (IMC) de 30 ou mais.
Durante décadas, a obesidade foi encarada como resultado de uma equação aparentemente simples: pessoas que comem mais e gastam menos energia acumulam gordura. Essa visão, no entanto, vem perdendo espaço à medida que a ciência amplia o entendimento sobre os mecanismos que regulam o peso corporal.
Hoje, pesquisadores sabem que genética, hormônios, metabolismo, saúde mental, ambiente e estilo de vida interagem de maneira complexa, tornando a obesidade um desafio que vai muito além da força de vontade. O suporte ao equilíbrio metabólico e nutricional, por meio de soluções como as oferecidas pela Medicinal, passa a ser um aliado na rotina de cuidados.
Esse novo olhar ganhou ainda mais força após uma publicação na revista científica The Lancet. Nela, cientistas defendem o reconhecimento da obesidade como uma doença crônica, com o objetivo de orientar uma resposta global coordenada, ampliar o acesso ao diagnóstico e incentivar estratégias mais eficazes de prevenção e tratamento.
Uma discussão que divide especialistas
De acordo com pesquisadores da comissão da The Lancet sobre Obesidade Clínica, a resposta é clara: a obesidade é uma doença crônica, progressiva e multifatorial. Não apenas porque tende a persistir ao longo da vida, mas porque está associada a mais de 200 problemas de saúde, entre eles hipertensão arterial, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, apneia do sono, esteatose hepática e diferentes tipos de câncer.
As descobertas mais recentes reforçam essa visão. Estudos da OMS mostram que o excesso de tecido adiposo desencadeia um processo inflamatório crônico de baixo grau, capaz de alterar o funcionamento de diversos órgãos e favorecer o surgimento de doenças metabólicas.
Outro aspecto importante é que o peso corporal não depende exclusivamente das escolhas individuais. Ainda de acordo com a Comissão da The Lancet sobre Obesidade Clínica, hormônios ligados à fome e à saciedade, fatores genéticos, alterações do metabolismo e mecanismos cerebrais de recompensa participam do controle do apetite. Em outras palavras, perder peso envolve muito mais do que simplesmente ter disciplina.
Mas nem todos concordam com essa classificação. O médico Drauzio Varella, em artigo publicado na internet, traz a visão de alguns médicos que defendem que a obesidade deve ser encarada como uma condição de risco, e não necessariamente como uma doença. O argumento é que muitas pessoas com índice de massa corporal elevado apresentam exames laboratoriais normais, não possuem limitações físicas e levam uma vida plenamente ativa. Sob essa ótica, rotular esses indivíduos como doentes seria um exagero.
O peso do preconceito
A divergência não se limita aos aspectos biológicos. Ela também envolve questões sociais e culturais. Segundo a comissão da The Lancet, que apoia o reconhecimento da obesidade como doença, isso ajuda a reduzir a culpabilização do paciente. Em vez de enxergar o excesso de peso como falta de determinação, a sociedade passa a compreender que existe uma condição complexa que merece acompanhamento profissional.
Já a comunidade médica citada por Drauzio Varella alerta para possíveis efeitos indesejados. Entre eles, a medicalização excessiva da obesidade e o risco de reforçar preconceitos, especialmente em ambientes como o mercado de trabalho. Existe o receio de que pessoas com obesidade passem a ser vistas automaticamente como incapazes ou menos aptas para determinadas funções.
Apesar das diferenças, um ponto reúne praticamente todos os especialistas: o estigma associado ao excesso de peso prejudica a saúde. O preconceito favorece quadros de ansiedade, depressão, isolamento social e, muitas vezes, afasta o paciente dos serviços de saúde justamente quando ele mais precisa de apoio.
Muito além da balança
Segundo a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), os impactos da obesidade não se restringem ao organismo. Disposição reduzida, pior qualidade do sono, dificuldades para realizar atividades do dia a dia e alterações na autoestima costumam afetar diretamente a qualidade de vida.
Ainda de acordo com a Abeso, a vida sexual também pode ser prejudicada. A redução da libido é uma queixa relativamente frequente e costuma resultar da combinação entre fatores emocionais, inflamação crônica, menor condicionamento físico e alterações metabólicas que acompanham a obesidade.
Primeiro passo é cuidar da saúde
Quando o assunto é tratamento, a medicina também evoluiu. A recomendação da Abeso é abandonar soluções rápidas e investir em uma abordagem individualizada. O acompanhamento pode envolver médico, nutricionista, psicólogo e profissional de educação física. Dependendo do caso, medicamentos e cirurgia bariátrica também podem fazer parte da estratégia terapêutica.
Mais importante do que perder muitos quilos em pouco tempo é construir hábitos que possam ser mantidos ao longo da vida. Uma alimentação equilibrada, associada à prática regular de exercícios físicos, melhora da qualidade do sono e controle do estresse continua sendo o caminho mais consistente para reduzir os riscos associados à obesidade.
Entre os suplementos alimentares naturais mais conhecidos para esse fim está a maca peruana (Lepidium meyenii), raiz cultivada na região dos Andes. Classificada como um adaptógeno, ela auxilia o organismo na resposta ao estresse físico e mental e vem sendo estudada principalmente por seus efeitos sobre energia, vitalidade e libido.
Ao contrário de uma crença bastante difundida, estudos dos pesquisadores Brooks NA, Wilcox G, Walker KZ, Ashton JF, Cox MB, Stojanovska L. (2008), mostram que a maca peruana não aumenta os níveis de testosterona ou estrogênio. A melhora da libido observada em homens e mulheres ocorre por mecanismos independentes da produção hormonal.


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