Adaptações fisiológicas começam nas primeiras semanas e reforçam a importância do acompanhamento pré-natal para a saúde física e emocional da mãe
Muito antes do crescimento visível da barriga, o organismo feminino passa por profundas alterações hormonais e metabólicas. Trata-se de um conjunto de adaptações que afetam não apenas o corpo, mas também a mente da gestante, com taxas de transtornos emocionais atingindo cerca de 1 em cada 5 mulheres no período perinatal, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Para amenizar esses impactos físicos e identificar precocemente sinais de ansiedade ou depressão, especialistas reforçam que o acompanhamento pré-natal contínuo é o principal aliado durante toda a gestação e no pós-parto.
Segundo a Dra. Claudia Ribeiro, gerente médica da maternidade do Hospital Maternidade Paulino Werneck, do Rio de Janeiro, as alterações começam logo nas primeiras semanas de gravidez, muitas vezes antes mesmo de a gestante perceber mudanças visíveis no corpo.
"Os hormônios da gestação promovem uma verdadeira reorganização do organismo feminino. Essas adaptações permitem que o bebê se desenvolva adequadamente e que o corpo da mulher esteja preparado para o parto e o período pós-parto. Cada gestação é única, mas compreender essas mudanças ajuda a reduzir a ansiedade e fortalece o vínculo da gestante com esse momento tão importante", explica.
As adaptações que acompanham os nove meses
Entre as principais alterações estão o aumento do volume sanguíneo e da frequência cardíaca, fundamentais para suprir as necessidades do bebê. Também é comum que a gestante apresente maior cansaço, retenção de líquidos, inchaço nas pernas e pés, além de mudanças na postura devido ao crescimento do útero e ao deslocamento do centro de gravidade do corpo.
As mamas também passam por importantes transformações, tornando-se maiores e mais sensíveis em preparação para a amamentação. Na pele, alterações hormonais provocam o surgimento de manchas, escurecimento da linha abdominal e estrias, especialmente conforme a barriga cresce.
Outro aspecto frequente é o relaxamento das articulações e dos ligamentos, provocado pela ação hormonal, o que facilita o parto, mas também causam dores lombares e desconforto na região pélvica. Além disso, o sistema digestivo tende a funcionar mais lentamente, favorecendo sintomas como azia, refluxo e prisão de ventre.
"É importante que a gestante compreenda que muitas das mudanças durante a gestação fazem parte de um processo fisiológico de adaptação do organismo, mas alguns sinais exigem atenção. Sintomas como sangramento, dor intensa ou persistente, febre, falta de ar, inchaço súbito, alterações na visão, dor de cabeça frequente ou intensa, redução dos movimentos do bebê, devem ser comunicados à equipe de saúde. O cuidado também deve ser individualizado para gestantes que já possuem doenças pré-existentes, como hipertensão, diabetes, alterações da tireoide ou condições de saúde mental, pois a gravidez pode influenciar a evolução desses quadros. O pré-natal é o principal aliado para garantir segurança durante toda a gestação", destaca Dra. Claudia.
Saúde emocional merece atenção
Além das transformações físicas, a gestação também envolve mudanças emocionais que precisam ser acompanhadas. Oscilações hormonais, expectativas em relação à maternidade, inseguranças, alterações na rotina e o próprio processo de adaptação à chegada de um bebê influenciam o bem-estar da gestante.
Estudos indicam que transtornos como ansiedade e depressão podem surgir durante a gestação. O acompanhamento é ainda mais importante para as que possuem histórico de sofrimento emocional ou diagnóstico de transtornos mentais, já que as mudanças hormonais, físicas e sociais desse período influenciam a evolução do quadro.
Segundo a especialista, sintomas como tristeza persistente, ansiedade intensa, irritabilidade frequente, dificuldade para dormir mesmo quando há oportunidade de descanso, perda de interesse por atividades antes prazerosas, sensação de culpa excessiva ou dificuldade de criar vínculo com o bebê demandam um olhar mais atento.
Dra. Claudia ainda enfatiza que buscar ajuda não significa falha no processo de maternidade, mas sim uma forma de cuidado com a saúde da mãe e do bebê. O suporte da rede de apoio e o acompanhamento especializado são fundamentais para identificar sinais de alerta e garantir uma gestação segura, com mais tranquilidade, confiança e preparo.
Sobre o Hospital Maternidade Paulino Werneck
O Hospital Maternidade Paulino Werneck, localizado na Ilha do Governador do Rio de Janeiro, é um complexo materno infantil gerenciado pelo CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.
Sobre o CEJAM
O CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos. Fundada em 1991, a Instituição atua em parceria com o poder público no gerenciamento de serviços e programas de saúde em São Paulo, Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes, Osasco, Campinas, Carapicuíba, Barueri, Franco da Rocha, Guarulhos, Santos, São Roque, Lins, Assis, Ferraz de Vasconcelos, Pariquera-Açu, Itapevi, Peruíbe e São José dos Campos.
A organização faz parte do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS), e tem a missão de ser instrumento transformador da vida das pessoas por meio de ações de promoção, prevenção e assistência à saúde.
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