
Cigarros eletrônicos podem causar cáries, doenças gengivais e lesões na boca, alerta especialista
Apesar de proibidos pela Anvisa no Brasil desde 2009, os cigarros eletrônicos, também conhecidos como vapes, continuam presentes no cotidiano de muitos brasileiros, especialmente entre o público jovem. Além dos impactos já conhecidos sobre o sistema respiratório, o hábito também pode provocar alterações importantes na cavidade bucal.
Segundo a Dra. Juliana Búrigo, a boca é uma das primeiras regiões do organismo a entrar em contato com as substâncias liberadas pelos dispositivos.
“A cavidade bucal é a porta de entrada do vapor e, consequentemente, fica diretamente exposta às substâncias presentes nos cigarros eletrônicos. Essa exposição frequente pode interferir no equilíbrio da microbiota oral, na saliva, nos dentes, na gengiva e nas mucosas”, explica a especialista.
Entre as possíveis consequências estão o aumento do risco de cáries, doenças gengivais e periodontais, alterações na coloração dos dentes e lesões na mucosa oral.
Sabores adocicados podem contribuir para o aparecimento de cáries
Um dos fatores de atenção está nos líquidos utilizados nos cigarros eletrônicos, especialmente aqueles com sabores doces. A composição e as características desses líquidos podem favorecer a aderência de microrganismos à superfície dos dentes e contribuir para a formação de um ambiente mais propício ao desenvolvimento de cáries.
“Alguns líquidos utilizados nos vapes apresentam características que favorecem o acúmulo de placa bacteriana sobre os dentes. Quando esse processo é associado a alterações no ambiente da boca, pode haver maior desmineralização do esmalte e, consequentemente, maior risco de desenvolvimento da doença cárie”, afirma a Dra. Juliana Búrigo.
Gengiva também pode ser afetada
O uso de cigarros eletrônicos também pode interferir no
equilíbrio da microbiota bucal, processo conhecido como disbiose. Nesse cenário, ocorre uma alteração na proporção entre os microrganismos considerados benéficos e aqueles relacionados ao desenvolvimento de doenças.
De acordo com a especialista, essa mudança pode favorecer problemas como gengivite e periodontite.
“O vapor dos cigarros eletrônicos pode alterar o equilíbrio da microbiota oral e comprometer mecanismos naturais de proteção da saliva. Com isso, cria-se um ambiente mais
favorável à inflamação e à proliferação de bactérias associadas às doenças gengivais e periodontais”, destaca.
Outro mecanismo envolvido é o estresse oxidativo, provocado quando há um desequilíbrio entre a produção de radicais livres e a capacidade do organismo de neutralizá-los. Esse processo pode contribuir para inflamações e danos celulares.
Substâncias tóxicas também preocupam
Durante o funcionamento do cigarro eletrônico, o líquido presente no dispositivo é submetido a altas temperaturas e transforma-se em um aerossol que pode conter diferentes compostos químicos.
A exposição repetida dessas substâncias aos tecidos da boca é motivo de preocupação, principalmente por seu potencial de provocar inflamação e danos às células.
“É importante desconstruir a ideia de que o cigarro eletrônico produz apenas um ‘vapor de água’. O aerossol inalado pode carregar nicotina e diferentes substâncias tóxicas, que entram em contato repetidamente com a mucosa oral e podem desencadear processos inflamatórios e alterações celulares”, alerta a Dra. Juliana.
Quais são os principais sinais de atenção?
Entre as alterações que podem estar relacionadas ao uso frequente dos dispositivos estão mudanças na coloração dos dentes, maior incidência de cáries, inflamação ou sangramento gengival, doenças periodontais e alterações ou lesões na mucosa da boca.
A especialista reforça que usuários de cigarros eletrônicos devem manter acompanhamento odontológico periódico e procurar avaliação profissional diante de qualquer alteração persistente.
"Feridas que não cicatrizam, mudanças de coloração, sangramentos frequentes, dor, ardência ou qualquer lesão persistente na boca não devem ser ignorados. O acompanhamento odontológico permite identificar alterações precocemente e orientar o paciente sobre os riscos associados ao hábito”, finaliza a Dra. Juliana Búrigo.
Sobre a especialista
A Dra. Juliana Búrigo é cirurgiã-dentista especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, com mais de 25 anos de experiência. Atua em Criciúma (SC), oferecendo tratamentos avançados com foco em segurança, precisão técnica e atendimento humanizado, sempre baseada em evidências científicas.
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