Relatório do Tribunal de Contas se baseia em documentos oficiais apresentados pelo Governo do Estado e alerta candidatos para “dificuldades enormes em 2027, um ano que será extremamente desafiador”
O presidente do Tribunal de Contas do Estado,
Wilber Coimbra, promoveu na sexta-feira (7) uma audiência pública com os
candidatos ao Governo do Estado para apresentar um relatório detalhado sobre a
situação fiscal do Estado. O objetivo do encontro foi fornecer dados para que
as propostas dos candidatos estejam “ajustadas à severa realidade orçamentária
rondoniense”.
O documento do tribunal se baseia nas
informações oficiais do governo e mostra uma situação financeira “extremamente
preocupante”. “Quero alertar os candidatos para o desafio que será administrar
Rondônia a partir de 2027”, disse Coimbra. O estudo do
Tribunal de Contas aponta para a necessidade urgente de reformas na gestão
pública e expõe gargalos estruturais na
educação, infraestrutura e segurança pública.
Na área
educacional, os dados indicam uma severa perda de aprendizagem dos estudantes
rondonienses, em especial na matemática, onde 95 de cada 100 jovens concluem o
ensino médio em nível abaixo do esperado. Além disso, cerca de 4 mil professores
foram retirados da sala de aula para exercerem funções administrativas. Para
agravar, 10% do quadro docente se encontra em processo de aposentadoria. Além
disso, 60% das escolas estaduais necessitam de reformas e ampliações.
Na infraestrutura,
76% da malha rodoviária do Estado não é pavimentada. É o pior índice entre 19
estados avaliados, gerando um custo logístico estimado em R$ 3,7 bilhões por
ano. O diagnóstico também apontou que 31% da frota pesada do Departamento de
Estradas de Rodagem (DER) está inoperante por problemas de gestão ineficiente.
Crescimento
das despesas
A verdade é que o crescimento das despesas aumentou
progressivamente nos últimos anos, resultando em uma margem extremamente
limitada para novos investimentos. Mais de 90% dos recursos estaduais já estão
comprometidos com as chamadas “despesas correntes”, que são os gastos
obrigatórios do Estado, como pagamento de pessoal e manutenção da máquina. Para
2027, a margem para novas despesas obrigatórias foi fixada em zero, impedindo a
criação de novos gastos contínuos sem cortes compensatórios.
O levantamento do TCE-RO também expôs graves
deficiências sociais na área da saúde pública. Rondônia registra a segunda pior
taxa de mortalidade infantil do país e a terceira pior expectativa de vida.
Unidades hospitalares vitais, como o João Paulo II e o Cosme e Damião, operam
sob desgaste extremo, agravados pela ausência de mais da metade dos servidores
efetivos da Secretaria de Saúde.
A sustentabilidade financeira de longo prazo
surge como outro grande desafio. Houve um salto gigantesco do déficit da
previdência do Estado, que passou de R$ 10 bilhões para R$ 15 bilhões em apenas
cinco anos, além do crescimento de 165% nos custos com a proteção social dos
militares. Ao final, o Tribunal reforçou o convite para que as equipes técnicas
das candidaturas consultem o acervo do órgão, ressaltando que promessas
eleitorais devem respeitar os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal.
AI


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