A simplificação do sistema tributário pode aumentar a eficiência das empresas e, no longo prazo, favorecer preços mais competitivos para o consumidor
O segundo semestre marca o período em que muitas empresas começam a definir investimentos, expansões e estratégias para o ano seguinte. Em 2026, esse planejamento acontece sob uma nova realidade. A Reforma Tributária inicia uma mudança gradual na forma como as empresas escolhem onde instalar operações, ampliar fábricas ou abrir centros de distribuição. A tendência é que os benefícios fiscais deixem de ser o principal diferencial e deem espaço a critérios como infraestrutura, logística, disponibilidade de mão de obra e ambiente de negócios.
Para André Fantoni, especialista em ICMS e Reforma Tributária e CEO da Fantoni Assessoria Tributária e da EcoFiscal, a mudança representa uma transformação estrutural na relação entre empresas e estados. Segundo ele, a disputa por investimentos continuará existindo, mas será baseada em fatores capazes de gerar competitividade de longo prazo.
"A guerra fiscal pode chegar ao fim, mas a concorrência entre os estados permanece. A diferença é que a decisão das empresas passará a considerar muito mais a eficiência logística, a segurança jurídica, a qualidade da infraestrutura e a facilidade para operar do que apenas a concessão de incentivos tributários", afirma.
A transição para o novo sistema tributário será gradual. A partir de 2027, entram em vigor a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que substituirá PIS e Cofins, e a fase inicial de implementação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). O processo seguirá até 2033, quando o novo modelo deverá estar plenamente implantado. Apesar desse cronograma, especialistas avaliam que as decisões estratégicas precisam começar agora, já que investimentos e projetos de expansão costumam ser planejados com antecedência.
Na avaliação de Fantoni, as empresas que anteciparem esse processo terão melhores condições de adaptar suas operações e reduzir riscos durante a transição. "Esperar as mudanças acontecerem para só depois revisar processos pode significar perda de competitividade. O momento de avaliar estruturas, operações e planejamento tributário é agora."
A mudança também altera a forma como os estados deverão atrair novos empreendimentos. Em vez de depender principalmente de incentivos fiscais, a tendência é que a competitividade passe a estar mais ligada à qualidade da infraestrutura, à eficiência logística, à segurança jurídica, à agilidade dos serviços públicos e à qualificação da mão de obra.
Para o empresário, o segundo semestre representa uma oportunidade para iniciar essa adaptação. Entre as principais medidas estão revisar o planejamento tributário, reavaliar a localização de unidades operacionais e centros de distribuição, atualizar sistemas fiscais e de gestão, revisar contratos e preparar as equipes das áreas fiscal, financeira e contábil para as novas regras.
"A Reforma Tributária não muda apenas a forma de recolher impostos. Ela influencia decisões sobre investimento, expansão e organização das empresas. Quem começar esse trabalho desde já terá mais previsibilidade para crescer durante a transição", explica.
Os efeitos também tendem a alcançar o consumidor ao longo dos próximos anos. A simplificação do sistema tributário reduz a cumulatividade de impostos e diminui a complexidade das obrigações acessórias, o que pode tornar a operação das empresas mais eficiente.
Em mercados com maior concorrência, parte desses ganhos poderá ser refletida em preços mais competitivos, além de ampliar a oferta de produtos e estimular novos investimentos. A velocidade desse movimento, no entanto, dependerá de fatores como custos de produção, juros, câmbio e condições econômicas.
Para Fantoni, a Reforma Tributária inaugura uma nova etapa para a economia brasileira. "A competitividade deixará de estar concentrada no benefício fiscal e passará a depender da eficiência das empresas e da capacidade dos estados de oferecer um ambiente favorável aos negócios. Essa é uma mudança que começa a influenciar o planejamento das empresas desde agora e continuará moldando o ambiente de investimentos nos próximos anos", conclui.
Sobre André Fantoni
André Fantoni é estrategista tributário, auditor, consultor e um dos principais especialistas em ICMS e Reforma Tributária do Brasil. Ex-oficial da Marinha e ex-Fiscal de Tributos da Secretaria de Fazenda de Mato Grosso (SEFAZ/MT), atuou por 14 anos na fiscalização tributária, experiência que lhe proporcionou amplo conhecimento sobre a interpretação e aplicação da legislação fiscal brasileira.
CEO da Fantoni Assessoria Tributária e da EcoFiscal, possui formação em Ciências Navais, Direito, Contabilidade e Comércio Exterior, além de especializações e MBAs nas áreas de Direito Tributário, Economia do Setor Público, Comércio Exterior, Contabilidade e Tributação no Agronegócio. Professor, palestrante e conferencista, é autor de dez livros sobre tributação, processo administrativo tributário e Reforma Tributária.
Idealizador do podcast Entre Alíquotas, da imersão ICMS360º e das mentorias MTE e Tributo 6D+, já orientou mais de 5 mil profissionais em todo o Brasil. Sua atuação é reconhecida por traduzir temas tributários complexos em estratégias práticas voltadas à geração de resultados, segurança jurídica e desenvolvimento empresarial.
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Sobre a Fantoni Assessoria Tributária
A Fantoni Assessoria Tributária é uma empresa especializada em planejamento tributário, auditoria de ICMS, compliance fiscal e recuperação de créditos tributários, com atuação voltada à proteção patrimonial, geração de caixa e segurança jurídica para empresas. Liderada por André Fantoni, ex-auditor fiscal e um dos principais especialistas em ICMS do país, a consultoria combina conhecimento técnico, experiência prática e visão estratégica para auxiliar organizações na tomada de decisões tributárias mais eficientes.
Com metodologia focada em resultados, a empresa atua de forma preventiva na identificação de riscos fiscais, na otimização da carga tributária e na construção de estratégias alinhadas à legislação vigente. Seu diferencial está na visão de quem conhece o sistema tributário tanto do lado do Fisco quanto do contribuinte, oferecendo soluções que unem conformidade, competitividade e sustentabilidade financeira.
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Fontes de pesquisa
Lei Complementar nº 214/2025
https://www.planalto.gov.br/
Receita Federal
https://www.gov.br/
Senado Federal
https://www12.senado.leg.br/


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