Especialista do isaac explica como calcular o custo real da educação dos filhos e por que o segundo semestre é o momento mais estratégico para organizar as finanças e evitar o endividamento
Embora a mensalidade seja o gasto mais lembrado pelas famílias, ela está longe de representar todo o custo da educação. Material escolar, uniformes, livros, transporte, alimentação, atividades extracurriculares, viagens pedagógicas e os reajustes anuais também fazem parte do orçamento e costumam ganhar força justamente no período de rematrículas.
Em um cenário em que o Brasil registra 83,7 milhões de inadimplentes, o equivalente a 50,95% dos lares, segundo dados do Serasa, o segundo semestre se torna o momento mais estratégico para reorganizar as finanças e evitar que despesas previsíveis se transformem em dívidas no próximo ano letivo.
Além de permitir um planejamento mais eficiente, esse período costuma coincidir com o início das campanhas de pré-rematrícula das escolas, que frequentemente oferecem descontos, melhores condições de pagamento e parcelamentos mais longos para quem se antecipa.
Para Leônidas Cristino, diretor financeiro do isaac, a falta de planejamento continua sendo um dos principais fatores por trás da inadimplência. "Normalmente, a pessoa se torna inadimplente por manter um padrão de consumo acima da sua capacidade financeira. É claro que existem situações inesperadas, como problemas de saúde ou questões familiares, mas, em qualquer cenário, acompanhar de perto as despesas e honrar os compromissos financeiros é essencial."
Segundo o executivo, um erro comum das famílias é considerar apenas o valor da mensalidade ao planejar os gastos com educação. "Na prática, a educação envolve uma série de despesas adicionais que também precisam entrar no orçamento, como material escolar, uniformes, livros, transporte e atividades extracurriculares. Uma forma simples de calcular esse custo real é utilizar a mensalidade como referência e acrescentar entre 10% e 20% ao valor mensal para estimar essas despesas extras."
Outro erro recorrente é deixar para pensar na rematrícula apenas quando o prazo está próximo do fim. "Quem acompanha o cronograma da escola consegue avaliar melhor as condições de pré-rematrícula, aproveitar descontos e parcelamentos mais longos. Mas antecipar nem sempre será a melhor decisão. O importante é alinhar o calendário da escola com a realidade financeira da família para evitar endividamento."
Leônidas destaca ainda que a educação deve ocupar um espaço planejado dentro do orçamento familiar. "Como referência, os gastos com educação podem representar entre 25% e 30% da renda familiar, sempre respeitando a realidade de cada família. Mais importante do que seguir um percentual exato é conhecer o custo anual da educação e garantir que ele esteja previsto no planejamento financeiro."
Outro fator que costuma comprometer o orçamento é o uso do cartão de crédito para cobrir despesas recorrentes. "O cartão de crédito acabou se tornando uma saída para suprir necessidades básicas de muitas famílias. Hoje, 75% dos brasileiros parcelam suas compras, mas a inadimplência com cartão supera 50%. Com juros elevados, esse acaba sendo um dos caminhos mais rápidos para ampliar o endividamento."
Outro ponto frequentemente negligenciado são os reajustes anuais das mensalidades escolares. "Os aumentos acontecem todos os anos e costumam variar entre 8% e 10%. Quando a família já considera esse reajuste no orçamento, evita surpresas e consegue preservar outras metas financeiras."
O segundo semestre é o melhor momento para se organizar
Na avaliação do especialista, esperar a chegada das rematrículas para organizar as finanças é justamente um dos erros que mais pesam no orçamento das famílias.
O ideal é iniciar esse planejamento ainda no segundo semestre, acompanhando o calendário da escola, avaliando as condições de pré-rematrícula, distribuindo os custos ao longo dos meses, criando uma reserva específica para despesas educacionais e definindo a melhor estratégia para utilização do 13º salário. O executivo alerta, porém, que esse recurso não deve ser considerado automaticamente disponível, já que muitas famílias também o utilizam para despesas típicas do fim do ano, como impostos, viagens, presentes e festas.
"A educação deve ser tratada como uma despesa previsível, e não como um gasto que só entra no radar quando chegam as rematrículas. Quanto antes a família conhecer o custo total da educação e incorporá-lo ao orçamento, menores serão as chances de que essas despesas se transformem em uma fonte de preocupação."
Para Leônidas, planejamento financeiro não significa apenas economizar, mas tomar decisões mais conscientes. "Quando a família entende o custo real da educação, acompanha suas receitas e despesas e se prepara para gastos previsíveis, consegue preservar a saúde financeira sem abrir mão de investir no futuro dos filhos."
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Sobre o isaac - O isaac é a maior plataforma de soluções financeiras para o setor de educação e atua como a vertical de finanças da Arco Educação. Hoje, atende 2.500 instituições parceiras, impacta 650 mil alunos e processa anualmente R$7 bilhões em receita garantida, além de já ter disponibilizado R$430 milhões em crédito. O isaac apoia escolas e faculdades, resolvendo desafios como inadimplência e gestão de cobrança, além de oferecer seguro familiar e crédito se consolidando como o braço direito do gestor escolar. Reconhecido pelo prêmio Top Educação em 2024 e 2025, o isaac tem como propósito blindar a saúde financeira das escolas e liberar o tempo dos diretores para focar na excelência pedagógica
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