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Migração do modelo de Benefício Definido
para Contribuição Definida pode transferir mais riscos aos participantes;
associação cobra acesso às discussões
A migração de planos de previdência de Benefício Definido (BD) para
Contribuição Definida (CD) voltou ao centro das discussões no sistema de
previdência complementar fechado. A mudança, que transfere ao participante uma
parcela maior dos riscos relacionados ao valor da aposentadoria, tem mobilizado
aposentados e pensionistas que cobram maior participação nas decisões sobre
alterações nos planos.
O debate ocorre em um momento de
transformação da previdência complementar fechada. Embora os planos de Contribuição
Definida tenham avançado nos últimos anos, os planos de Benefício Definido
ainda concentram 54% dos cerca de R$ 1,4 trilhão administrados pelas entidades
fechadas de previdência complementar, segundo o Relatório de Gestão 2025 da
Previc. Os planos CD representam 16% desse patrimônio, enquanto os de
Contribuição Variável (CV) respondem por 30%.
Na prática, isso significa que
aproximadamente R$ 758 bilhões permanecem vinculados a planos de Benefício
Definido, modelo que oferece maior previsibilidade de renda aos participantes e
assistidos. Ao todo, o sistema supervisionado pela Previc reúne cerca de 8,3
milhões de participantes, assistidos e potenciais beneficiários, distribuídos
em 1.196 planos administrados por 264 entidades fechadas de previdência complementar.
A
discussão ganhou força depois que a própria Superintendência Nacional de
Previdência Complementar (Previc) criou um grupo de trabalho para avaliar os
riscos dos planos de Contribuição Definida e propor mecanismos para fortalecer
a proteção aos participantes. Entre as preocupações apontadas pela autarquia
está a possibilidade de os beneficiários não acumularem recursos suficientes
para manter o padrão de vida durante a aposentadoria ou esgotarem a reserva ao
longo do tempo.
É
justamente nesse contexto que a Associação dos Assistidos do Plano Básico de
Benefícios da FAPES (AAPBB/FAPES) questiona a condução do processo de migração
do plano de previdência do Sistema BNDES. Segundo a entidade, aposentados e
pensionistas seguem sem participação efetiva nas discussões, apesar de terem
solicitado formalmente ingresso no processo administrativo conduzido pela
Previc.
No
caso do Plano Básico de Benefícios da FAPES, a discussão alcança diretamente
mais de 4,6 mil pessoas. Segundo o Parecer de Avaliação Atuarial de 2025, o
plano reúne 2.307 participantes ativos, 1.829 aposentados e 472 pensionistas,
além de patrimônio de cobertura superior a R$ 16,7 bilhões.
Nos
planos de Benefício Definido, o participante conhece previamente as regras que
definirão o cálculo da aposentadoria. Já no modelo de Contribuição Definida, o
benefício passa a depender do saldo acumulado ao longo da vida laboral, das
contribuições realizadas e da rentabilidade dos investimentos. Na prática,
riscos que antes eram compartilhados entre patrocinadora e participantes passam
a ser assumidos principalmente pelo próprio beneficiário.
A
participação de associações representativas em processos administrativos é
prevista pela própria Previc. Em janeiro de 2025, a autarquia publicou a
Portaria nº 84/2025, regulamentando o ingresso dessas entidades como
interessadas nos processos conduzidos pela Diretoria de Licenciamento. Com base
nessa norma, a AAPBB/FAPES protocolou, em outubro de 2025, pedido para
acompanhar o processo de migração do plano da FAPES, mas afirma que, mesmo após
novos requerimentos apresentados em abril, maio e julho deste ano, ainda não
recebeu decisão definitiva sobre sua admissão.
Segundo
a associação, a ausência de uma manifestação formal impede que aposentados e
pensionistas acompanhem um processo que poderá produzir impactos permanentes
sobre sua renda previdenciária.
"Se
a própria Previc reconhece que a expansão dos planos CD exige estudos para
evitar frustrações de expectativas e proteger os participantes, é indispensável
que aqueles que serão diretamente afetados tenham acesso às informações e
possam participar dessas discussões. Não é possível construir um modelo mais
seguro sem ouvir justamente quem dependerá dessa renda durante toda a
aposentadoria", afirma Ângela Carvalho, presidente da AAPBB/FAPES.
O
debate também ocorre em um momento de desafios para parte do sistema de
previdência complementar. Embora o setor tenha encerrado 2025 com superávit
consolidado de aproximadamente R$ 17 bilhões, o Relatório de Gestão da Previc
aponta que 154 planos permaneciam deficitários, com déficit acumulado superior
a R$ 22 bilhões. No mesmo período, 424 planos registraram superávit,
totalizando cerca de R$ 39 bilhões.
Para
a AAPBB/FAPES, a discussão vai além do caso do Sistema BNDES. À medida que mais
entidades avaliam a migração de planos de Benefício Definido para modelos de
Contribuição Definida, cresce a necessidade de garantir transparência, acesso
às informações e participação efetiva dos representantes dos aposentados em
decisões capazes de alterar a renda previdenciária de milhares de brasileiros.
Sobre a AAPBB-FAPES
A
Associação dos Assistidos do Plano Básico de Benefícios da FAPES (AAPBB/FAPES)
representa aposentados e pensionistas vinculados ao Plano Básico de Benefícios
administrado pela FAPES e atua na defesa da transparência, da participação dos
assistidos e da proteção dos direitos previdenciários no âmbito da previdência
complementar fechada.
Assessoria


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