As redes sociais têm um grande efeito na saúde mental e, sim, podem contribuir para alguns quadros de saúde mental, mas a questão da responsabilização é de outra esfera, pontua o psicanalista, mestre em neuropsicologia e Gestor de Projetos Científicos do CPAH - Centro de Pesquisa e Análises Heráclito, Adriel Silva Weber
Um adolescente norte-americano retirou, poucos dias antes do julgamento, o processo movido contra a Meta, empresa responsável pelo Instagram e Facebook, no qual alegava que o uso das plataformas contribuiu para o desenvolvimento de depressão e ansiedade. Segundo os advogados, o jovem preferiu encerrar a disputa judicial para priorizar sua recuperação e seguir com o tratamento psicológico.
O caso reacendeu um debate que cresce em todo o mundo, até que ponto o uso das redes sociais pode impactar a saúde mental, principalmente entre crianças e adolescentes.
Para o psicanalista, mestre em neuropsicologia e Gestor de Projetos Científicos do CPAH, Centro de Pesquisa e Análises Heráclito, Adriel Silva Weber, hoje já existe um volume importante de evidências mostrando que o uso intenso e desregulado dessas plataformas pode favorecer o surgimento ou agravamento de alguns transtornos emocionais, mas a responsabilização é uma questão ainda em debate na esfera jurídica.
"As redes sociais exercem um impacto significativo sobre o funcionamento emocional porque estimulam comparações constantes, recompensas imediatas e uma busca frequente por validação. Em algumas pessoas, especialmente aquelas que já apresentam vulnerabilidades, isso pode contribuir para quadros de ansiedade, depressão e sofrimento psicológico", explica.
O problema não é apenas o tempo de tela
Mais importante do que contar quantas horas uma pessoa passa conectada é compreender como esse tempo está sendo utilizado.
"Não é apenas a quantidade de tempo nas redes que importa. O tipo de conteúdo consumido, o padrão de comparação social, a exposição constante a informações e a dificuldade de desconexão têm um peso enorme na saúde mental".
“Conteúdos negativos, excesso de notícias, padrões irreais de beleza, sucesso e estilo de vida podem gerar sentimentos de inadequação e frustração, principalmente em adolescentes”, afirma Adriel Silva Weber.
O cérebro dos jovens é mais vulnerável
A adolescência representa um período de intenso desenvolvimento cerebral, especialmente das regiões responsáveis pelo controle emocional, tomada de decisões e planejamento.
"Durante essa fase, o cérebro ainda está amadurecendo. Isso faz com que crianças e adolescentes sejam mais sensíveis aos mecanismos de recompensa das redes sociais e às oscilações emocionais provocadas pela interação digital. Notificações, curtidas e novos conteúdos ativam sistemas ligados ao prazer e podem favorecer um uso cada vez mais frequente das plataformas”.
"Quando alguém acredita que todos ao seu redor são mais felizes, mais bonitos ou mais bem-sucedidos, pode desenvolver sentimentos persistentes de inferioridade, baixa autoestima e frustração", explica Adriel Silva Weber.
Equilíbrio continua sendo a melhor estratégia
Apesar dos riscos, Adriel Silva Weber ressalta que as redes sociais também oferecem benefícios, como acesso à informação, aprendizado, entretenimento e fortalecimento de vínculos sociais.
"O problema não está na tecnologia em si, mas na forma como ela é utilizada. O uso consciente, equilibrado e acompanhado, principalmente entre os mais jovens, tende a reduzir significativamente os riscos para a saúde mental", afirma.
Ele reforça que estabelecer limites de uso, incentivar atividades presenciais, prática de exercícios físicos, momentos em família e períodos longe das telas são medidas importantes para preservar o equilíbrio emocional.
"Precisamos entender que a saúde mental é resultado de diversos fatores. As redes sociais podem contribuir para alguns quadros quando utilizadas de forma excessiva ou inadequada, mas hábitos saudáveis, acompanhamento familiar e, quando necessário, apoio psicológico continuam sendo os principais fatores de proteção", conclui o especialista.
Sobre Adriel Silva Weber
Adriel Silva Weber é psicanalista, escritor, pesquisador e palestrante, com formação em Física pela Unisinos e MBAs em Gestão de Projetos e Pessoas. Atualmente, cursa Psicologia na Uniftec e um mestrado em Neuropsicologia pela Universidad Europea del Atlántico. É Gestor de Projetos Científicos do CPAH - Centro de Pesquisa e Análises Heráclito, atuando em projetos como Gifted Debate, Neurogenomic, RG-TEA, entre outros. Trabalha como Senior Technical Support na SAP Labs Latin America e foi líder de CSR por cinco anos. Membro da Mensa Brasil e do CPAH, apresenta seminários e participa de grupos de pesquisa. Possui dupla excepcionalidade, sendo superdotado e autista, e é autor de livros que exploram neurodiversidade e desenvolvimento infantil.--

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