Três semanas depois, voltamos.


E talvez não exista momento melhor para reabrir as cortinas do JOGO ABERTO.


Neste domingo, 16 de agosto, começa oficialmente a campanha eleitoral de 2026. O Brasil deixa o ensaio e entra no palco principal de uma eleição que escolherá presidente da República, governadores, senadores e deputados.


E começo esta nova temporada com uma inquietação: o Brasil está preparado para discutir seu futuro ou continuará ocupado demais discutindo seu passado?


A política brasileira parece prisioneira de uma polarização que se alimenta de si mesma.


De um lado, Lula. Do outro, o bolsonarismo, agora representado eleitoralmente por Flávio Bolsonaro. No meio, outros candidatos tentando encontrar espaço em uma paisagem dominada por dois grandes polos.


Mas existe algo que me incomoda profundamente.


Transformamos a política em um campeonato nacional de ressentimentos.


O eleitor já não pergunta qual é o projeto do candidato. Pergunta de que lado ele está.


Não quer saber qual é a proposta para a saúde, a educação, a segurança ou a economia. Quer saber quem venceu o último embate nas redes sociais.


Discute quem é comunista, fascista, petista ou bolsonarista.


E assim seguimos.


Uma democracia transformada em Fla-Flu perde a capacidade de discutir o campeonato.


Esta é a minha crítica. E ela não é dirigida exclusivamente à esquerda ou à direita. É dirigida àqueles que descobriram que a polarização é eleitoralmente conveniente.


Eleitor permanentemente indignado é eleitor permanentemente mobilizado. E eleitor mobilizado pela emoção tem menos tempo para perguntar o que realmente importa.


Enquanto isso, o Brasil precisa discutir produtividade, indústria, educação, segurança, infraestrutura, equilíbrio fiscal, inovação, investimentos e desenvolvimento.


Precisamos discutir que país queremos entregar às próximas gerações.


Isso é política.


O resto, muitas vezes, é apenas barulho.


Não estou defendendo uma terceira via artificial. Esquerda e direita possuem diferenças reais e legítimas, que precisam ser debatidas.


O que questiono é por que transformamos diferenças políticas em ódio permanente.


Uma democracia saudável precisa de oposição, contraditório, esquerda, direita e centro. O que ela não precisa é de cidadãos transformados em soldados de uma guerra política interminável.


Talvez esse seja o grande teste de 2026.


Não será apenas escolher quem ocupará o Palácio do Planalto. Será descobrir se o eleitor brasileiro amadureceu o suficiente para exigir mais de seus candidatos.


A campanha deveria ser um grande tribunal de ideias.


O candidato apresenta. O eleitor questiona. O adversário contrapõe. A sociedade compara. E finalmente o cidadão decide.


Parece simples, mas estamos tornando isso quase revolucionário.


Perguntar qual é o seu projeto dá mais trabalho do que compartilhar um meme.


Perguntar como você vai pagar por isso exige mais raciocínio do que escrever “mito” ou “ladrão” na internet.


E comparar propostas exige muito mais discernimento do que escolher uma torcida.


Por isso, o eleitor precisa recuperar o protagonismo.


Político nenhum deveria ter um eleitor fiel demais para questioná-lo.


O eleitor não é funcionário do candidato. Não é militante obrigatório. Não é soldado.


É cidadão.


E cidadão não entrega procuração em branco.


A partir deste domingo, as cortinas estarão abertas. Os palanques serão montados, as campanhas ganharão as ruas e as redes, e os discursos ficarão ainda mais inflamados.


Que venham.


Mas que o eleitor faça algo ainda mais importante: assista ao espetáculo, mas não deixe de ler o roteiro.


Porque no dia 4 de outubro não votaremos em memes, vídeos ou hashtags.


Votaremos em pessoas que receberão o poder de decidir o destino de milhões.


E poder demais não combina com discernimento de menos.


Esta é a volta do JOGO ABERTO COM JOTTA JUNIOR.


E na próxima semana, sairemos do Planalto e voltaremos os olhos para nossa própria casa.


Rondônia entrará no centro do palco.


Vamos analisar nomes, forças, alianças e estratégias e perguntar aquilo que a política muitas vezes prefere evitar:


Quem realmente está preparado para governar Rondônia e quem está apenas preparado para disputar a eleição?


As cortinas estão abertas.


Agora começa o espetáculo.


Jotta Junior