Os medicamentos para emagrecimento transformaram o tratamento da obesidade e criaram uma nova demanda na cirurgia plástica. Especialista explica o que deve ser avaliado antes da cirurgia reparadora

O sucesso dos medicamentos agonistas de GLP 1, classe de medicamentos que imita a ação de um hormônio responsável por aumentar a saciedade e auxiliar no controle do peso, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, está mudando o perfil de paciente nos consultórios de cirurgia plástica. Após a perda acelerada de peso, muitas pessoas passam a conviver com excesso de pele, flacidez e alterações no contorno corporal, aumentando a procura por cirurgia reparadora após emagrecimento. O tema ganhou relevância internacional e levou sociedades médicas a publicarem orientações específicas sobre a avaliação e o tratamento desses pacientes.

Marco Dallegrave, médico formado pela Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná (FEMPAR), fundador da clínica Marco Dallegrave Cirurgia Plástica, especializada em cirurgia plástica estética, afirma que a cirurgia reparadora após GLP 1 não deve ser vista como uma etapa automática do tratamento para emagrecimento. Ele explica que a indicação depende da estabilidade do peso, das condições clínicas, da qualidade da pele, do estado nutricional e dos objetivos de cada paciente.

"A cirurgia reparadora após GLP 1 não existe apenas para retirar excesso de pele. Ela faz parte do tratamento de pacientes que passaram por uma perda importante de peso e buscam recuperar funcionalidade, proporção corporal e qualidade de vida", afirma o cirurgião.

A preocupação também mobiliza entidades internacionais. Em 2025 e 2026, a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) publicou recomendações voltadas aos pacientes que utilizaram medicamentos agonistas de GLP 1, destacando que a rápida perda de peso modifica os tecidos de sustentação e exige planejamento cirúrgico individualizado.

Quando emagrecer não encerra o tratamento

O especialista em cirurgia plástica estética explica que o principal fator para indicar a cirurgia é a estabilização do peso. Operar enquanto o organismo ainda está emagrecendo pode comprometer o resultado, já que o corpo continuará passando por mudanças. "Esperar o peso estabilizar permite um planejamento mais seguro e aumenta a previsibilidade dos resultados", explica.

Outro aspecto importante é o estado nutricional. A perda acelerada de peso pode reduzir a massa muscular e favorecer deficiências nutricionais que interferem na cicatrização e na recuperação do paciente. "A cirurgia depende de um organismo preparado. Antes do procedimento, avaliamos exames, composição corporal, alimentação e outros fatores que influenciam diretamente na recuperação", ressalta Marco.

Além das mudanças físicas, muitos pacientes chegam ao consultório acreditando que a cirurgia resolverá toda a insatisfação com a aparência. Segundo Dallegrave, essa expectativa também precisa fazer parte da avaliação médica. "É comum que a pessoa esteja satisfeita com o emagrecimento, mas ainda incomodada com o excesso de pele ou com a perda de volume em determinadas regiões. A cirurgia pode melhorar essas alterações, mas é importante alinhar expectativas para que o resultado seja compatível com a realidade de cada paciente", observa.

Nem todas as pessoas que utilizam medicamentos para emagrecimento terão indicação para cirurgia reparadora. A necessidade varia conforme fatores como idade, elasticidade da pele, intensidade da perda de peso, hábitos de vida e condições de saúde.

Entre os procedimentos mais realizados nesse perfil de paciente estão a abdominoplastia, a mastopexia, o lifting de braços, o lifting de coxas e outras cirurgias de contorno corporal, sempre definidas após avaliação médica.

A cirurgia começa antes do centro cirúrgico

Segundo Dallegrave, a cirurgia plástica após emagrecimento deve ser compreendida como parte de um cuidado integral com a saúde e não apenas como uma etapa estética."A perda de peso transforma o corpo. A cirurgia existe para tratar as consequências dessa transformação quando há indicação médica, segurança e expectativas compatíveis com o que realmente pode ser alcançado", conclui.

Sobre Marco Dallegrave

Dr. Marco Dallegrave é médico formado pela Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná (FEMPAR), com residência em Cirurgia Geral pela Santa Casa de Curitiba e residência em Cirurgia Plástica pelo Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba (PR). Também possui pós-graduação em Psiquiatria pelo CENBRAP, formação que complementa sua visão sobre os aspectos emocionais e psicológicos envolvidos na relação dos pacientes com a própria imagem.

Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), atua há 21 anos na especialidade e já realizou mais de 5 mil cirurgias. Sua prática é voltada à cirurgia plástica estética, com ênfase em procedimentos de contorno corporal, mini lipoaspiração de recuperação rápida e cirurgias das mamas.

Ao longo da carreira, consolidou uma abordagem que alia excelência técnica, segurança e atendimento humanizado. Defende que a cirurgia deve respeitar a individualidade de cada paciente e ser compreendida como parte de um cuidado integral com a saúde e o bem-estar, e não apenas como uma transformação estética.

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Fontes de Pesquisa:
Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS)
https://www.isaps.org/articles/statements-guidelines/rise-of-glp-1-receptor-agonist-drugs-plastic-surgery/

 Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS)
https://www.isaps.org/articles/isaps-blog/2026/patient-safety-news-weight-loss-medications/
Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos (ASPS)
https://www.plasticsurgery.org/news/press-releases/weight-loss-medications-may-affect-some-complications-after-panniculectomy

American Association of Plastic Surgeons (AAPS)
https://meeting.aaps1921.org/program/2025/7.cgi