A tecnologia de captura e armazenamento de carbono desponta como uma nova e grande oportunidade de receita para as usinas de etanol. Essa é a visão do presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag), ligada ao Instituto Agronômico de Campinas (IAC-Campinas), Osvaldo Brunini.

“Com o CCS (Carbon Capture and Storage, em inglês), as usinas de etanol podem transformar um passivo em oportunidade”, acentua Brunini, que acrescenta: “em regiões como a Bacia Geológica do Paraná, onde a geologia para armazenamento é amplamente favorável, as usinas de etanol podem capturar o carbono e transformá-lo em uma nova fonte de renda, ajudando ainda a descarbonizar setores que têm dificuldades de reduzir emissões”.

A Bacia Geológica do Paraná abrange, no Brasil, os estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, além do Distrito Federal. 

O assunto será apresentado em detalhes na segunda edição do Carbonless Summit, evento que será realizado em 02 de setembro no Centro de Convenções da Cana do Instituto Agronômico de Campinas (IAC). O local fica no mesmo espaço onde é realizada a Agrishow em Ribeirão Preto (SP), polo do setor sucroenergético nacional.

De acordo com Everton Oliveira, um dos organizadores do Carbonless Summit e presidente da Hidroplan, o CCS abre oportunidade de receita para as usinas de etanol com investimento zero. “Neste modelo de negócios, a usina vende o carbono a uma outra empresa que irá armazená-lo, o que torna o retorno sobre o investimento excepcionalmente atrativo. A mesma lógica, por exemplo, aplicada ao bagaço da cana ou à vinhaça, que de sobras e resíduos passaram a ter valor de mercado para geração de energia e como fertilizante, respectivamente, passa a valer também para o carbono.”

Oliveira acentua que o CO2 gerado na fabricação de etanol está praticamente pronto para ser estocado, devido ao seu elevado grau de concentração – diferentemente de outros setores em que precisa ser separado de outros gases. 

A cadeia de CCS passa por tecnologias desenvolvidas e aperfeiçoadas há anos no desenvolvimento de técnicas de produção de petróleo. Toda a ciência e tecnologia de ponta já consagradas na indústria do petróleo agora estão prontas para ampliar a sustentabilidade do setor sucroenergético, em particular do etanol, abrindo caminho para uma pegada negativa de carbono de um segmento que hoje já reduz em até 90% as emissões de gases de efeito estufa.

Organizado pelo Instituto Água Sustentável, com apoio da CCS Brasil, o Carbonless Summit também abordará regulação, licenciamento e mercado de armazenamento de carbono para as usinas de etanol. Além de toda a cadeia produtiva do setor sucroenergético, o evento reunirá autoridades e o ecossistema de prestadores de serviços de CCS – de tecnologia, engenharia, passando por finanças, seguro, escritórios de advocacia e consultoria, entre outros.

SERVIÇO:
Carbonless Summit - 2ª. edição
Data: 02 de setembro de 2026
Local: Centro de Convenções da Cana do IAC (Agrishow), Ribeirão Preto (SP)

DETALHES E INSCRIÇÕES:
https://carbonless.org.br/