
Especialista alerta que medicamentos podem provocar boca seca, bruxismo e aumentar o risco de cáries, doenças gengivais e perda dentária; acompanhamento odontológico é fundamental durante o tratamento.
Os antidepressivos são fundamentais para o tratamento de transtornos psiquiátricos, como depressão, ansiedade generalizada, transtorno bipolar e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Apesar dos benefícios comprovados para a saúde mental, muitos pacientes desconhecem que esses medicamentos também podem provocar alterações significativas na saúde bucal.
Entre os antidepressivos mais associados a esses efeitos estão os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), como fluoxetina, sertralina, escitalopram e paroxetina, além dos antidepressivos tricíclicos, como a amitriptilina.
Segundo a Dra. Juliana Búrigo, um dos principais efeitos colaterais é a redução da produção de saliva, condição conhecida como xerostomia ou boca seca.
"A saliva desempenha um papel essencial na proteção dos dentes e dos tecidos bucais. Quando sua produção diminui, aumenta significativamente o risco de cáries, doenças gengivais, alterações no paladar, mau hálito e infecções na mucosa oral", explica.
Outro efeito frequentemente observado é o bruxismo, caracterizado pelo apertamento ou ranger dos dentes, principalmente durante o sono. O problema pode provocar desgaste dentário, fraturas, dores musculares e sobrecarga da articulação temporomandibular (ATM).
Esse quadro ocorre porque alguns antidepressivos alteram o equilíbrio entre neurotransmissores cerebrais. Ao aumentar a disponibilidade de serotonina, pode haver redução da atividade da dopamina, neurotransmissor que participa do controle do relaxamento muscular, favorecendo o surgimento do bruxismo e do apertamento dentário.
Além disso, muitos antidepressivos apresentam efeito anticolinérgico, reduzindo a ação da acetilcolina, substância responsável por estimular as glândulas salivares. Como consequência, ocorre diminuição da produção de saliva pelas glândulas parótidas, submandibulares, sublinguais e pelas glândulas salivares menores distribuídas pela cavidade bucal.
Acompanhamento odontológico faz diferença
Embora esses efeitos sejam relativamente comuns, especialistas destacam que é possível preveni-los com acompanhamento odontológico periódico.
As consultas regulares permitem identificar precocemente alterações na cavidade bucal e adotar medidas preventivas, como aplicação de flúor, controle da placa bacteriana, confecção de placas miorrelaxantes para pacientes com bruxismo, além da indicação de salivas artificiais quando necessário.
"O paciente não deve interromper o uso do antidepressivo por conta própria. O mais importante é informar ao dentista quais medicamentos utiliza para que o acompanhamento seja individualizado e os efeitos na saúde bucal possam ser minimizados", orienta Dra. Juliana Búrigo.
A integração entre médicos e cirurgiões-dentistas é considerada essencial para garantir um tratamento seguro e preservar tanto a saúde mental quanto a saúde bucal dos pacientes.
Sobre a especialista
A Dra. Juliana Búrigo é cirurgiã-dentista especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, com mais de 25 anos de experiência. Atua em Criciúma (SC), oferecendo tratamentos avançados com foco em segurança, precisão técnica e atendimento humanizado, sempre baseada em evidências científicas.
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