Doença reúne diferentes tipos e pode apresentar sintomas semelhantes aos de outras condições, tornando o diagnóstico preciso essencial para definir o tratamento adequado

O linfoma é um câncer que afeta o sistema linfático e reúne diferentes formas da doença. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer, o Brasil deve registrar cerca de 15 mil novos casos por ano considerando os linfomas de Hodgkin e não Hodgkin. Durante o Agosto Verde Claro, campanha de conscientização sobre a doença, especialistas reforçam a importância de reconhecer alterações persistentes e buscar avaliação médica.

“É importante ressaltar que o linfoma não é uma doença única. Existem tipos com evolução mais lenta, que podem permanecer controlados por longos períodos, e outros com comportamento mais agressivo, que exigem início rápido do tratamento. Por isso, identificar corretamente o subtipo e suas características é fundamental para definir a melhor estratégia para cada paciente”, afirma a Dra. Marina Barcelos de Figueiredo, hematologista da Croma Oncologia.

Os linfomas de Hodgkin e não Hodgkin apresentam diferenças no comportamento, na evolução e na resposta aos tratamentos disponíveis. Essa diversidade pode tornar o reconhecimento da doença mais desafiador, já que os sintomas variam conforme o tipo de linfoma e a região afetada. Entre os principais sinais de alerta estão o aumento persistente e geralmente indolor dos linfonodos, conhecidos popularmente como ínguas, principalmente no pescoço, nas axilas ou na virilha. Febre sem causa aparente, suor noturno intenso, perda de peso sem explicação, cansaço persistente e coceira também podem ocorrer. Como essas manifestações são mais frequentemente associadas a infecções ou outras condições benignas, a presença desses sinais não confirma a doença. A avaliação médica é indicada quando as alterações permanecem, apresentam crescimento progressivo ou aparecem associadas a outros sintomas que não melhoram com o tempo.

O diagnóstico depende de uma investigação completa, que envolve avaliação clínica, exames laboratoriais, métodos de imagem e, principalmente, a biópsia do linfonodo acometido. A análise do tecido permite identificar o subtipo do linfoma e pode ser complementada por estudos genéticos e moleculares, que ajudam na definição da estratégia terapêutica. Embora a maioria dos casos não tenha uma causa específica identificada, algumas condições podem estar associadas a maior risco, como alterações do sistema imunológico, doenças autoimunes, uso prolongado de medicamentos imunossupressores e algumas infecções relacionadas a determinados tipos da doença.

Nas últimas décadas, o tratamento dos linfomas evoluiu de forma significativa. Embora a quimioterapia ainda tenha papel importante em diversos casos, novas estratégias foram incorporadas, como anticorpos monoclonais, medicamentos direcionados às células tumorais, anticorpos conjugados a medicamentos, anticorpos biespecíficos e terapias celulares. Esses avanços ampliaram as possibilidades de controle da doença, principalmente para pacientes que apresentaram retorno do câncer ou não responderam adequadamente às terapias iniciais. Estudos recentes também têm avaliado novas combinações terapêuticas e abordagens baseadas nas características biológicas dos tumores, com o objetivo de tornar o tratamento cada vez mais personalizado. O cuidado também envolve uma abordagem integrada, com participação de hematologistas, patologistas, radiologistas, especialistas em medicina nuclear, radioterapeutas e profissionais das áreas de enfermagem, farmácia, nutrição, psicologia e fisioterapia.

“Os avanços da hematologia permitiram compreender melhor a biologia dos linfomas e desenvolver tratamentos cada vez mais direcionados. A escolha da terapia considera o subtipo da doença e as características de cada paciente, permitindo uma abordagem mais personalizada. Por isso, diante de alterações persistentes, é importante buscar avaliação de um especialista para um diagnóstico adequado e a definição do melhor cuidado”, finaliza a médica.



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