A Prefeitura de Cuiabá, comandada pelo prefeito Abílio Brunini (PL), gastou pelo menos R$ 2,75 milhões, sem licitação, com shows, competição de montaria e locação do espaço utilizado na primeira edição do Mato Grosso AgroFestival. O evento finalizou neste domingo e durou o final de semana, no Parque Novo Mato Grosso.
Os valores constam em 13 extratos de inexigibilidade de licitação publicados na noite de sexta-feira(7) pela administração municipal. Somente os cachês de 11 atrações musicais somaram R$ 915 mil. O maior cachê foi destinado à dupla Di Paullo & Paulino, contratada por R$ 350 mil. Bison e Comassetto receberam R$ 85 mil, enquanto Yuri & Gustavo e Fabrício & Fernando custaram R$ 70 mil cada.
Os shows de Raffa Garcia e Trio Maravilha foram contratados por R$ 60 mil cada. Jonathan e Adam, Sarah e Lívia e Douglas Patrício Cabral Silva receberam R$ 50 mil por apresentação. A banda Holy Praise Music custou R$ 40 mil e Rafa Barros, R$ 30 mil.
O maior gasto individual do festival, porém, foi com a “Etapa Master” da Professional Bull Riders (PBR). A Prefeitura pagou R$ 1.344.600,47 à empresa Adriano Silva Moraes & Cia Ltda., apontada como detentora da exclusividade para promover e realizar eventos oficiais da competição no Brasil. Segundo o extrato, o valor inclui os serviços técnicos, operacionais, esportivos e administrativos necessários à realização da etapa durante os três dias de programação.
Outros R$ 500 mil foram destinados, também sem licitação, à Associação Parque Novo Mato Grosso pela locação do “Espaço Show” nos dias 7, 8 e 9 de agosto. A publicação não detalha quais estruturas ou serviços estavam incluídos no valor.
Com os R$ 915 mil em cachês, R$ 1,34 milhão da PBR e R$ 500 mil da locação, o gasto diretamente relacionado ao AgroFestival chega a R$ 2.759.600,47.
As contratações foram realizadas por inexigibilidade de licitação, mecanismo previsto na Lei Federal nº 14.133/2021 para situações em que a administração considera inviável a competição entre fornecedores. O procedimento permite a contratação direta, mas exige justificativas para a escolha e para os valores pagos.
CONTA PODE SER MAIOR
O montante de R$ 2,75 milhões não representa necessariamente o custo total do festival. O levantamento considera somente os extratos que citam expressamente o Mato Grosso AgroFestival. Na mesma edição da Gazeta Municipal, foram publicados dois contratos que somam mais R$ 1,82 milhão para projetos arquitetônicos, segurança contra incêndio, cenografia e infraestrutura logística de eventos.
Como os contratos possuem vigência de 12 meses e não informam que os serviços serão usados exclusivamente no AgroFestival, os valores não foram incluídos na soma. Também ficaram de fora eventuais despesas com divulgação, transporte gratuito, segurança, limpeza, energia, banheiros e organização do trânsito.
A maior parte das contratações foi publicada na sexta-feira (7), mesmo dia em que começou o evento. Entre elas estava o show de Raffa Garcia, marcado para aquela própria data.
A Prefeitura ainda não apresentou, nos atos publicados, uma planilha consolidada com o custo total do AgroFestival.
Veja:
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